Pelotas: cidade de cultura, ensino e história + bônus

Mercado Central de Pelotas
Mercado Central de Pelotas

Olá!

Hoje vou falar um pouquinho sobre Pelotas, localizada na região sul do Estado do Rio Grande do Sul. Estive aqui entre os dias 02 e 06 de setembro e adorei.

No primeiro dia, conheci dois amigos que já queria visitar há muito tempo. Um deles, o Fernando, eu já conhecia pela internet há 5 anos ou mais. O Wilian, que conheço há menos tempo, também é um amigo muito especial. Além de amigo, me tornei fã, pois ele me contou que em breve  teremos surpresas da Casa Cinco, sua produtora.

Foi um prazer enorme conhecê-los. Os dois foram minha companhia durante a estadia na cidade e são do tipo de gente que te faz se sentir em casa e super acolhido.

Passeio com amigos em Pelotas
Wilian, eu e Fernando. Uma de nossas saidinhas no período da noite. Estes dois amigos foram a melhor companhia possível em Pelotas.

Ainda no primeiro dia, conheci com eles o Madre Mia!, espaço super bacana. Com o mote de “Fusão Latina”, possui drinks bem feitos, cervejas artesanais e uma série de comidinhas interessantes. O preço é um pouco acima da média, mas está dentro do esperado pelo estilo do espaço. Achei bastante aconchegante. Dá pra gastar algumas horinhas por lá sem medo.

No dia seguinte, fomos à Praça da Alfândega, vizinha à região portuária da cidade. O local é até simpático, mas a melhor parte é o pôr do sol visto dali. O céu de Pelotas é bem limpo e o cenário fica maravilhoso de tardinha. Ao redor, gente meditando, cachorros passeando e uma galera espalhada na praça.

Na volta, iniciamos a noite na Doceria Márcia Aquino. A cidade conta com duas unidades do estabelecimento. A da Avenida Bento Gonçalves, onde visitamos, é um espaço bem agradável. Experimentei uma torta de sorvete de maracujá, que contava também com uma camada de negrinho (nome regional pra brigadeiro). Que coisa maravilhosa! Certamente, ganhei uns três quilos nesta brincadeira. Vale muito a pena! Só vá com disposição, pois é uma fatia enorme. 🙂

No terceiro dia, descansei bastante e almocei com meus amigos no centro da cidade. Mais tarde, fui com meu amigo à Praia do Laranjal, mais especificamente à área do trapiche. Que praia simpática! Banhada por água doce da Lagoa dos Patos, é um local tranquilo, de ondas bem baixinhas e um clima muito gostoso. Infelizmente, o trapiche não está disponível para visitação e sua interdição não tem prazo definido. Andamos pela orla, ficamos pensando na vida e falando de assuntos aleatórios. Foi um momento de relaxamento que eu precisava faz tempo.

Praia do Laranjal 02
No centro da imagem, o trapiche, localizado na Praia do Laranjal.
Praia do Laranjal 01
Eu e meu amigo Fernando, com a praia do Laranjal e a Lagoa dos Patos ao fundo.

A área do Laranjal é próxima da cidade, mas muito independente. Além disso, a arquitetura do bairro é totalmente diferente do cenário histórico de Pelotas. As casas ali são mais novas, carregam aquele estilo de construções de litoral e, pelo menos à beira da praia, aparentam ser de famílias mais abastadas.

À noite, acabei ficando na pousada mesmo. Conversando com os funcionários dali e me lembrando das dicas do meu amigo, optei por experimentar o “cheese bebum” da Circulu’s Lanches. Super elogiados, o lanche e o local cumpriram a fama. A carne desta opção do cardápio é curtida no vinho durante o preparo e a maionese do local é bem saborosa também. Recomendo! Vale citar que esta “lancheria” é a mais famosa da cidade. Como o pessoal da pousada me disse, “não se pode ir embora de Pelotas sem saborear um lanche da Circulu’s”.

No penúltimo dia, escolhi dar uma voltinha no Mercado Central de Pelotas. Com várias lojas de artesanato, é um ponto obrigatório para quem quer comprar algum suvenir da cidade.

Na banca 44, onde fica a Doces Lembranças de Pelotas, conheci a “pelota”, canoa de couro utilizada por indígenas da região. Esta embarcação foi a responsável pelo nome da cidade. Além da pelota, aproveitei que estava nesta loja para comprar chaveiros e uma caneca. Tudo muito bonitinho!

Incensário embarcação pelota
Incensário que representa a embarcação pelota, utilizada pelos indígenas da região.

Lá também tem itens da Fenadoce, Feira Nacional do Doce, que ocorre anualmente na cidade. Além da exposição e venda dos produtos, a Fenadoce engloba eventos culturais, shows e o concurso da Corte Fenadoce, que elege a rainha e as princesas do evento.

Logo em frente à banca 44, a Imperatriz Doces Finos é uma perdição pra quem quer conhecer os doces pelotenses. Provei apenas dois, pois havia acabado de almoçar, mas os quitutes dali são de comer rezando.

Em mais uma parada na praça Coronel Pedro Osório, vizinha ao mercado, aproveitei pra tirar algumas fotos do chafariz central, a Fonte das Nereidas. Segundo o site do serviço de saneamento de Pelotas, este e outros chafarizes da cidade foram encomendados de uma fundição da França. A Fonte das Nereidas foi instalada em 1873.

Fonte das Nereidas
Fonte das Nereidas. A iluminação em dia chuvoso não ajudava muito para capturar os detalhes do chafariz.

No período da tarde, escolhi o Museu do Doce da UFPel, um estabelecimento bem recente, mas que funciona em um casarão tradicional da cidade. Por lá, pude conferir um pouco sobre as origens da tradição do doce em Pelotas, como na troca de charque por açúcar com a região Nordeste e o início do plantio de pêssego e outras frutas na região, feito principalmente por imigrantes recém-chegados.

Museu do Doce 01
Museu do Doce: detalhes no teto de uma das salas.
Museu do Doce 02
Museu do Doce: tacho de cobre utilizado pela Confeitaria Nogueira
Museu do Doce 03
Museu do Doce: balança de precisão Marte, utilizada pela Confeitaria Nogueira

Peguei carona com um grupo de alunos e professores e ouvi um pouco da história da cidade, do sofrimento dos escravos nas charqueadas, da participação muitas vezes ignorada dos negros na tradição doceira da cidade e ainda sobre o papel dos alunos como ocupantes do espaço público, seja ele um museu, a biblioteca pública ou qualquer outro local.

A entrada é gratuita. Não sei o horário de funcionamento no período de aulas, mas agora nas férias estava funcionando no período da tarde, a partir das 14h. Vale muito a visita, principalmente se tiver o acompanhamento da guia do local.

No último dia, aproveitei pra conhecer o Museu de Artes Leopoldo Gotuzzo (MALG), também mantido pela UFPel. Durante a visita, foi possível apreciar a exposição com os trabalhos de Arlinda Nunes, artista da cidade. A pintora pelotense já foi reconhecida inclusive internacionalmente. Além dos trabalhos de Arlinda, foi possível conferir um pouco do trabalho do artista que dá nome ao museu, Leopoldo Gotuzzo. Caricaturas e pinturas muito interessantes compunham a seleção.

Finalizei minha visita em Pelotas no Yoshake, uma rede de sorveterias da região que vale a pena conferir. Provei do açaí com Nutella e castanhas e adorei. Mais uns quilos pra conta!

Hospedagem

Um bom local pra ficar em Pelotas é a Pousada Casarão. Situada à Rua 7 de Setembro, a pousada (que por enquanto também funciona com quartos no estilo hostel) funciona em uma casa antiga bem bonitinha. O preço é bacana, muito mais acessível do que em hotéis da cidade. A vantagem principal, porém, é a proximidade com os outros hóspedes. Há uma área de convivência interessante, o café da manhã é legal e o Paulo, proprietário do estabelecimento, interage de maneira super próxima com a gente. Todos eles, na verdade, são bem acolhedores. Passei horas conversando com o pessoal na área de convivência.

Pousada Casarão 01
Pousada Casarão: clima mais informal e ótima localização..
Pousada Casarão 02
Pousada Casarão: café da manhã incluído na diária

Algumas observações

As razões pra curtir Pelotas foram muitas, mas uma coisa me afetou negativamente: o clima de insegurança.

O governo estadual do Rio Grande do Sul, como vários outros do Brasil, alega não estar em boas condições financeiras. Até aí, nenhuma novidade, certo? O problema é a consequência disso. O poder público do país no geral, inchado com cargos por indicação, corrupção e irregularidades de todo tipo, frequentemente corta das coisas que deveriam ser a última opção em momentos de redução de orçamento: segurança, saúde e educação. Não sei como anda a saúde por aqui, mas as notícias que tive através de moradores da cidade são de que a segurança pública no estado gaúcho está agonizando. Por conta disso, andei pelas ruas de Pelotas sem relógio, celular ou carteira. Somente o essencial saía comigo: um cartão, um documento de identidade e um pouco de dinheiro. As fotos de Pelotas que você vê por aqui são de raros momentos em que fugi a esta regra.

Considerações finais

Conhecer a cidade foi excelente, apesar do problema acima. Andar pelas ruas de Pelotas é navegar pela história do Brasil. Apesar da parte triste do passado com escravos nas charqueadas, me cativou a quantidade de prédios antigos na região do Centro. Muitos não estão conservados, mas me admira que a cidade ainda tenha tantas construções assim de pé. O Brasil não é, pelo menos no geral, um exemplo muito bom sobre preservação da sua história arquitetônica.

Em algumas ruas, se eu isolasse meus olhos dos poucos sinais da modernidade, era como se Pelotas ainda estivesse há um ou dois séculos atrás. Ruas inteiras de prédios antigos, cheios de contornos e detalhes.

Não visitei os prédios da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), mas passei na frente de vários deles. Uma coisa que me encanta nesta universidade é que ela oferece cursos pouco comuns para instituições de ensino federais, como Teatro, Cinema e Música (várias opções, inclusive a erudita). Como meus amigos relataram, a universidade oferece muitos eventos culturais durante o período de aulas, o que é bacana. Talvez o único ponto a melhorar seja a integração com a comunidade local. Ainda hoje no Brasil, universidades federais são espaço majoritariamente de difícil acesso para a população menos favorecida, em grande parte por conta da qualidade baixa do ensino básico no país.

Vale destacar que eu me esforcei, mas não sou gaúcho o suficiente para gostar do chimarrão (rs). Como ele normalmente não leva açúcar, não me agradou muito. Na verdade, não tenho costume de tomar nem mesmo chás, então pode ser apenas falta de prática, de acostumar meu paladar.

Fica a vontade de voltar logo, à Pelotas e também à capital, cuja estadia super curta você confere no bônus a seguir.

Bônus: uma parada em Porto Alegre

Voltando de Pelotas, passei uma noite na capital do estado. O local escolhido para o pernoite foi o Everest Porto Alegre Hotel. É um local confortável, com uma boa opção de café da manhã. Fique atento ao horário de funcionamento do resturante, que se encerra por volta das 22:30. Consegui sentir vontade de pedir algo pontualmente às 22:40, falhando miseravelmente.

No dia seguinte, aproveitei as horas restantes da capital para conhecer pessoalmente meu amigo Diogo e sua irmã, Nicole. Já conheço o Diogo pela internet há mais de 5 anos, mais ou menos desde a mesma época em que conheci o Fernando (de Pelotas).

Durante a manhã, pude conhecer o Parque Farroupilha (conhecido como Redenção). Passamos algumas horas pelo local, que é bastante amplo e oferece muitos ambientes diferentes. Vale “fazer a fotossíntese” nos banquinhos de lá. As fotos de Porto Alegre foram tiradas pelo meu amigo. Obrigado, Diogo! 😀

Parque Farroupilha 01
Parque Farroupilha: Diogo, eu, Nicole (irmã do Diogo) e o buda, lá no fundo.
Parque Farroupilha 02
Parque Farroupilha: Diogo e eu, com espelho d’água ao fundo
Parque Farroupilha 03
Parque Farroupilha: nós três e a última tentativa de me adaptar com o chimarrão.

Depois do passeio no Parque Farroupilha, almoçamos no Armazém do Sabor, na Av. Independência, 488. A comida é deliciosa!

A companhia da Nicole e do Diogo foi sensacional e foi ótimo conhecê-los pessoalmente. Na próxima, obviamente, farei a visita com mais tempo. 🙂

Por hoje é só! E você, tem algo a acrescentar sobre as duas cidades? Conte pra gente! 🙂

Arrivederci!

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

2 comentários em “Pelotas: cidade de cultura, ensino e história + bônus”

  1. Oii 🙂 Que bom que gostou da visita a Poa e de nossa companhia. Nós adoramos te conhecer, mesmo ❤ Não posso falar muito por Pelotas, porque nunca visitei. Mas acredito que tenha mais coisas em Poa para você conhecer, então esperamos você aqui novamente, com mais tempo, para darmos uma passeada e conhecermos juntos (porque a gente não conhece muitos lugares aqui tbm) a nossa Capital Gaúcha. hahaha' Beijoss

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