Algumas palavras especiais que ouvi no Rio Grande do Sul

Ancient writing on old book
Photo by Mark Rasmuson on Unsplash

Olá!

Tudo bem com vocês?

Uma das coisas que mais curto no Brasil está na “personalização” que a língua ganha nas diversas cidades e regiões. Nasci na zona rural do município de Muriaé, em Minas Gerais. Em outra oportunidade, falarei da minha versão do mineirês, mas hoje contarei sobre algumas pérolas que fui ouvindo durante meu passeio pelas cidades gaúchas de Pelotas e Porto Alegre.

Uma das minhas primeiras surpresas foi em restaurantes e estabelecimentos comerciais. Quando agradecia e saía do caixa, não ouvia “por nada”, “de nada” ou “às ordens”, comuns no meu estado. As atendentes sempre retribuíam meu obrigado com “merece” ou “capaz”.

Na hora de fechar a conta, o total é pronunciado de um jeito igualmente peculiar. Se sua conta deu R$ 20,32, por exemplo, será prontamente informado de que deu “20 com 32”. E não se paga em conto, reais ou paus. Em Pelotas, só ouvi pilas, como quando um de meus amigos procurou um caixa eletrônico com 2 pilas (as notas de 2 reais).

O semáforo de Minas ou o “farol” de São Paulo se chama “sinaleiro” em Pelotas. A catraca dos ônibus recebe o nome de roleta, como em terras mineiras.

Se você se desculpasse por algo sem gravidade, eu responderia “Imagina!” ou “Que isso!”, mas lá meus amigos utilizavam “Jura?”. Este significado, porém, só percebi em Pelotas. É como se você dissesse que alguma coisa não faz sentido, não tem motivo para falar aquilo.

Se algo é muito bacana, eu diria que é “legal pacas” ou “legal pra caramba”, mas lá ” é “tri legal”. Aliás, tri é o “muito” de lá pra vários casos semelhantes.

Uma das palavras mais complexas pra mim é bah. Pode ser utilizada em diversos contextos diferentes. Nos casos mais frequentes, percebi que poderia substituir o “Nossa!”, seja para surpresa, discordância e outros usos. Muito além disso, é rica como o uai dos mineiros, sendo uma interjeição aplicável para quase toda reação imediata, substituindo “Caramba!”, “Aff!” ou “Que bizarro!” sem titubear. O que diferencia um caso do outro será mesmo a entonação.

A cerveja Polar, produzida no Rio Grande do Sul, divulgou certa vez um comercial em que as personagens somente utilizavam a interjeição bah. O vídeo pode ser conferido abaixo:

Tem aquele “jeitinho” questionável da maioria das propagandas de cerveja, mas dá pra pegar um pouco das 1001 utilidades do termo. Cerveja, inclusive, é mais comumente chamada de “cerva” por lá.

Quando sentir fome no Rio Grande do Sul, procure uma lancheria. Aliás, como já comentei no post sobre a viagem, em Pelotas é obrigatório testar um lanche da Circulu’s. O cheese bebum é tri bom. 😛

Essas foram algumas das palavras que escutei durante meus dias no Rio Grande do Sul. Adorei o estado e pretendo voltar em breve. Além dos termos específicos, a sonoridade das frases é muito específica de lá.

Bônus: a conjugação na segunda pessoa do singular (tu) é uma das coisas mais charmosas que ouço no Sul. “Tu sabes que…”, “tu havias partido…” e outras frases similares são quase canção pros meus ouvidos. 😀

E você, conhece algum outro termo tipicamente gaúcho? Conta pra mim nos comentários! 🙂

Arrivederci!

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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