Como se organizar para uma viagem internacional?

Checklist
Photo by Glenn Carstens-Peters on Unsplash

Olá!

Conforme já comentei por aqui, adoro viajar, mas ultimamente não estava dedicando tempo nem me planejando para tal. Este ano, porém, decidi me organizar e fazer uma série de coisas que estava deixando de lado. Entre elas, a tão sonhada viagem à Itália! Quero conhecer as comunas* dos antepassados e também alguns outros locais do bel paese.

A ideia parece fascinante, mas um monte de dúvidas surgem imediatamente. O que levar? Quais documentos providenciar? Devo me vacinar? Como diminuir os riscos com a imigração?

É importante deixar claro, porém, que é impossível eliminar os riscos de problemas na imigração. Os agentes têm autonomia para avaliar caso a caso, muitas vezes com critérios subjetivos. Ainda assim, há uma série de fatores que contribuem para tornar os riscos bem mais baixos.

 

Vacinação

Alguns países passam por surtos de doenças específicas ou podem levantar restrições para o embarque de brasileiros em caso de surtos no nosso país. Para contornar este problema, é sempre bom verificar no site Saúde do Viajante, do Ministério da Saúde. Nesta página, há uma série de orientações aos turistas, seja no Brasil ou mesmo no exterior.

Entre as recomendações, o site acima citado comenta sobre as vacinas. Alguns países podem exigir o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia. No site da Anvisa, há uma explicação sobre quais países fazem a exigência do documento e quais os passos emiti-lo. É importante observar, porém, que as vacinas precisam de um período mínimo para atingir a proteção esperada. O prazo é, na maioria dos casos, de pelo menos 10 dias.

 

Seguro viagem

Muitos países exigem que o viajante apresente comprovantes de que contratou um seguro. No caso da Itália, que será meu destino ainda neste mês, há uma exigência de mínimo de cobertura de 30 mil euros para despesas médicas e hospitalares.

Esta regra de valor mínimo não é exclusiva da Itália, mas de toda a área que atualmente está sob as regras do Tratado de Schengen. Além da exigência de cobertura de um valor mínimo, este acordo estabelece o Espaço Schengen, que é uma área de livre circulação dos cidadãos de seus países signatários. A lista de países membros pode ser conferida aqui. Todos os países deste espaço exigem o valor mínimo de cobertura.

Há casos especiais em que o seguro pode ser suprido pela emissão do Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM), que é um documento emitido pelo Ministério da Saúde que assegura o atendimento no sistema público de saúde do destino para assegurados do INSS e seus familiares. O documento só vale para os países signatários de acordos bilaterais com o Brasil para este fim. No momento da publicação desta postagem, Itália, Portugal e Cabo Verde já haviam aderido. O CDAM não equivale a um seguro viagem, restringindo sua cobertura ao atendimento médico e hospitalar.

É importante ressaltar que o seguro viagem não cobre apenas gastos atendidos pelo CDAM, mas também outros imprevistos que podem ocorrer durante uma viagem, como extravio de bagagem, atraso de voo, traslado do corpo em caso de falecimento, entre outros. A cobertura varia conforme o plano contratado. Eu considero um gasto indispensável.

 

Comprovação do perfil de turista

Se sua viagem é para turismo, é normal que o país de destino exija garantias de que você pretende retornar antes de um determinado prazo máximo e de que possui meios para se manter durante a estadia. Por conta disso, é importante observar uma série de questões:

  • Passagem de volta: é imprescindível já possuir as reservas das passagens de ida e volta, que respeitem o prazo máximo de permanência no destino. No caso do Espaço Schengen, o turista brasileiro pode permanecer por até 90 dias a cada 180 dias. Se sua passagem de volta tiver sido comprada para depois deste prazo ou mesmo não tiver sequer comprado o bilhete de retorno, são grandes as chances de ter dor de cabeça na imigração;
  • Meios de sustento: é importante que se apresente meios para pagamento de despesas que sejam suficientes para o período desejado. Alguns países apresentam um mínimo diário, que deve ser conferido com antecedência. Para esta comprovação, vale dinheiro em espécie (geralmente na moeda local do destino), cartões de crédito e cartões pré-pago de viagem. Cada instituição possui suas opções, geralmente sendo uma versão do Visa® Travel Money (VTM) ou Mastercard® Travel Card. É importante observar os impostos e valores de câmbio de cada uma das opções.
  • Vínculos com o país de origem: alguma cópia de contrato de trabalho, da CTPS (carteira de trabalho) ou outra forma de comprovar que você tem vínculos com o Brasil é interessante para que não crie a sensação de que você deseja permanecer no destino ilegalmente.
  • Onde vai ficar: Carta de hospitalidade, comprovantes de reserva em hotéis ou outras formas de hospedagem. É imprescindível conseguir demonstrar onde será seu ponto de apoio em cada trecho da viagem. Se for na casa de um amigo, pode ser necessário solicitar uma carta de hospitalidade, onde seu amigo declara que te receberá e informa o período. É importante pesquisar se o país possui um modelo padrão. No geral, uma carta recebida por e-mail e impressa já basta.
  • Planejamento da viagem: não é um documento formal, mas é bom saber mais ou menos onde pretende ir, o tempo que permanecerá em cada cidade e outros dados básicos de sua viagem. Caso o agente da imigração te pergunte, será mais fácil responder tudo com tranquilidade e naturalidade .
  • Jamais minta! Eles podem questionar dezenas de vezes sobre a mesma informação e perceberão se você não estiver sendo sincero.

 

Restrições de bagagem

Sempre verifique com antecedência quais são as restrições daquela companhia para bagagens de mão e despachadas. Independente de ser por ônibus, avião ou outro meio, sempre há regras que limitam o peso e as dimensões da bagagem e os tipos de produtos ou objetos que podem ser transportados.

Caso desrespeite uma regra, você poderá ter que se desfazer de um produto ou, caso apenas ultrapasse o peso e/ou as dimensões permitidas, ser obrigado a pagar sobretaxa. No caso de voos, por exemplo, geralmente é proibido o transporte de objetos perfurantes na mala de mão.

 

Documento de viagem

É importante observar qual o documento de viagem e qual sua validade.

Para viajar para países do Mercosul, basta que se tenha em mãos a carteira de identidade (nosso famoso RG). É importante, porém, que o documento possua uma foto atual. É permitido às autoridades competentes solicitar outro documento caso este gere dúvida. Mais informações podem ser conferidas aqui.

Para os demais países, o passaporte é obrigatório. A validade do documento deve ser verificada, pois é normal que se exija um prazo mínimo de vigência do documento, geralmente de 6 meses, após a data de retorno.

 

Visto

É o último desta lista, mas é o mais importante!

Não se deve comprar passagens, contratar seguro viagem ou fazer qualquer outra coisa sem antes verificar se o país desejado exige visto para turismo (ou a atividade que você pretenda exercer por lá).

No caso da Itália e dos demais países do Espaço Schengen, não é necessário visto para turismo. É permitido inclusive que se circule entre os países depois que se submeteu ao primeiro posto de imigração. Não é permitido, entretanto, que se permaneça neste espaço por mais de 90 dias a cada 180 dias, conforme já citado. Este prazo engloba todos os países-membros, não sendo possível “zerar” a contagem indo da Itália para a França, por exemplo.

Bônus: compre uma doleira. Também conhecida como porta dólar, este item é parecido com uma pochete, mas quase tão fino quanto um envelope e vai por dentro da calça. Dentro dele, é possível transportar algum dinheiro, cartões e o documento de identificação (normalmente seu passaporte). Desta forma, você evita expor itens importantes e diminui os riscos de roubo ou perda. Na maioria das grandes cidades, há trombadinhas profissionais, prontos para qualquer descuido.

 

Conclusões

Por fim, é importante ressaltar que este artigo apresenta os principais itens, mas não elimina outras possíveis exigências do controle de imigração no destino.

Oferecemos este artigo apenas como um guia geral (resumido), mas é imprescindível que você pesquise outros detalhes e particularidades do país que deseja visitar. Com tudo em ordem, são pequenas as chances de ser retido, seja qual for o meio de transporte escolhido.

Possui alguma contribuição? Existe algum outro item que vale a pena citar? Conte pra gente nos comentários! 🙂

Arrivederci!

* Comunas (ou comuni, em italiano) são o equivalente na Itália aos municípios brasileiros.

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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