Pádua: muito além do santo

Prato della Valle, em Pádua.
Prato della Valle, em Pádua.

Olá!

Conforme comentei desde o post sobre Noale, Trebaseleghe e Scorzè (aqui), Pádua (ou Padova, em italiano) foi nossa base pelas primeiras três noites de estadia.

Para dormir, procuramos um local mais acessível e que não fosse distante da estação de trem, do terminal de ônibus e das atrações da cidade. Dessa maneira, ficava fácil ir a outras cidades ou mesmo passear por Padova. O que mais se encaixou neste quesito à época foi o Loft Padova Bed & Breakfast. Como o próprio nome já diz, é daquele estilo em que se tem apenas o quarto e o café da manhã. O espaço, apesar da estrutura enxuta, oferece quartos aconchegantes e um café da manhã bem legal. Os responsáveis pelo B&B, apesar de não ficarem por lá o tempo todo, são muito solícitos e dão dicas bacanas sobre a cidade.

No primeiro dia, chegamos à Pádua por volta das 14 horas para fazer o check-in. Malas acomodadas, partimos para uma rápida volta. O ponto escolhido foi um templo que fica próxima da estação de trem. Chamado de Tempio Antoniano della Pace e dei Caduti in Guerra (Templo Antoniano da Paz e dos Mortos de Guerra, em tradução livre), ele abriga as ossadas de 5401 soldados da Primeira Guerra Mundial e (quase) mil vítimas civis da Segunda Guerra Mundial. Abaixo, mais algumas informações obtidas do site do templo antoniano (em tradução livre):

Durante a Primeira Guerra Mundial, era Grande o temor de que Pádua fosse invadida e se tornasse campo de batalha. Por conta disso, os moradores dali resolveram fazer um voto a Santo Antônio. Caso a cidade fosse poupada, eles construiriam um templo em sua homenagem. Passada a grande guerra, a construção da igreja foi iniciada em 1920. Apesar disso, porém, a igreja foi deixada pela metade. Isto ocorreu, em partes, porque a comunidade da época não precisava de uma construção religiosa tão grande e necessitava também de outras estruturas, como áreas recreativas.

Em 1930, porém, viu-se a necessidade de se construir um ossário para abrigar os restos dos soldados abatidos na Primeira Grande Guerra e que haviam sido sepultados em Padova ou na Província de mesmo nome. Diante disso, a obra foi retomada, agora com ajuda do Estado Italiano.

A finalização da construção se deu perto do início da Segunda Guerra Mundial. Durante os conflitos, igreja foi fechada após ser atingida em seu lado esquerdo, quando foram afetados a sacristia e o altar à Nossa Senhora. Logo após o fim da batalha, a reconstrução foi iniciada e o templo foi reaberto em 1949. Em 1960, a igreja recebeu os restos mortais de alguns vítimas da Segunda Grande Guerra.

Tempio Antoniano della Pace e dei Caduti in Guerra - Padova
Tempio Antoniano della Pace e dei Caduti in Guerra, em Pádua.

No segundo dia em Padova, logo após retornar de Noale e demais cidades dos antepassados, resolvemos comer uma pizza. Paramos na Birreria e Pizzeria Pedavena, um local bem simpático que fica em frente à estação de trem.

No terceiro dia, depois que retornamos de Verona, nos encontramos com um amigo de Pádua e fizemos uma caminhada por diversos pontos da cidade, já no período da noite. Nossa parada foi na Piazza delle Erbe, onde os barzinhos do entorno espalham mesas e tendas para os clientes. Foi ali que meu amigo me apresentou o Aperol Spritz, bebida tipicamente italiana que eu, habitualmente não adepto a drinks alcoólicos, provei pela primeira vez e adorei! Provamos ainda alguns tramezzini (pequenos sanduíches) de atum e botamos o papo em dia. A parada nesta piazza vale muito a pena!

No último dia, tomamos o café da manhã no B&B, fizemos o check-out e deixamos as malas guardadas ali mesmo, para aproveitar o tempo livre até o horário de pegar o trem.

Nossa primeira parada foi na Piazza Eremitani, que tem à sua volta os Giardini dell’Arena, uma área enorme de jardim com restos de um muro e parte de uma arena; e a Cappella degli Scrovegni, que possui uma série de afrescos de Giotto. A capela, que envolve também uma espécie de museu, tem entrada paga. Ao lado deles, há uma série de obras de arte no gramado, que podem ser admiradas sem pagamento de ingresso.

No Corso Giuseppe Garibaldi, é possível conferir uma ODStore. OD vem de Outlet Dolciario, ou seja, uma loja com preços super baixos de doces de todo tipo. Ela está presente em outras cidades italianas e vale muito a pena a visita. Bem próximo, temos também a Piazza Garibaldi, com seu monumento à Maddona dei Noli, uma versão de Maria. Em volta, temos ainda uma filial da La Rinascente, loja de departamento bastante famosa, mas não muito barata.

Seguindo o percurso, passamos em frente ao Caffè Pedrocchi que, infelizmente, estava com a fachada toda coberta para restauração. Ele é um estabelecimento muito famoso em Pádua, além de antigo, mas também bastante caro. Meu amigo nativo da cidade, por exemplo, visitou o café pouquíssimas vezes.

Perto dali, na Via VIII Febbraio, temos o Palazzo Bo, uma construção muito antiga que é a sede de alguns departamentos da Università degli Studi di Padova. Apesar de ter se tornado propriedade definitiva da universidade apenas em 1539, diz-se que há partes mais antigas, utilizadas posteriormente como parte do palácio, que foram construídas no século XIII. A fachada é linda, mas o interior de suas arcadas é ainda mais sensacional, com uma série de brasões, símbolos e pinturas de tirar o fôlego. Parece haver muito mais dentro do palácio para visitar, mas não tínhamos tempo suficiente. Mais informações sobre o local podem ser conferidas aqui.

Interior do arco de entrada do Palazzo Bo, sede da Università degli Studi di Padova.
Interior do arco de entrada do Palazzo Bo, sede da Università degli Studi di Padova.

Um pouco adiante, conferimos a Chiesa di San Canziano, que possui em sua fachada um afresco sensacional. Apesar de pequena, impressiona a riqueza de detalhes em seu exterior. Vale conferir!

Chiesa di San Canziano, em Pádua.
Chiesa di San Canziano, em Pádua.

Ali perto, se você quiser comprar algumas peças de roupa, vale dar uma olhadinha na Pull & Bear, que fica na Via Roma. Nesta via e na Via VIII Febbraio, aliás, há diversas lojas do gênero.

Quando passávamos pela Via delle Piazze, que faz esquina com a Via San Canziano (da igreja citada anteriormente), nos deparamos com o Museo della Padova Ebraica, que fica em um prédio muito bonito, mas não tão antigo assim. Em maio de 1943, conforme informado em uma placa na fachada do local, o prédio anterior foi derrubado por conta do ódio antissemita, ou seja, a ira contra judeus. Foi a própria sociedade hebraica da cidade que reconstruiu a atual sede do museu. Aquela área, inclusive, é conhecida na cidade como ghetto dos judeus.

Saindo desta região, já no fim da Via Roma, demos uma passada em uma simpática loja de cervejas, a Casa della Birra. Apesar de ser um estabelecimento sem atrativos históricos, pode-se encontrar cervejas (aparentemente, a maioria de marcas italianas) de diversas marcas.

Seguindo em frente, conferimos a Chiesa di San Daniele, na Via Umberto I. Logo em seguida, conferimos aquela que é considerada a maior praça da Itália e uma das maiores da Europa. Chamada de Prato della Valle, a praça elíptica abriga um canal próximo de sua borda que é circundado internamente por 38 estátuas e externamente por 40 delas. Cada uma destas estátuas representa alguma personalidade importante que passou pela cidade ou viveu ali. Há também obeliscos em algumas das colunas. Logo em frente à praça, temos também a Abbazia di Santa Giustina. O tamanho desta abadia assusta!

Saindo dos arredores da abadia, procuramos a Basilica di Sant’Antonio di Padova.

Localizada na Piazza del Santo, recebe peregrinos do mundo todo. Junto da basílica, há a pequena igreja Santa Maria Mater Domini, que abrigava originalmente os restos mortais do santo. Devido a milagres atribuídos a ele, este foi canonizado em 1232, tendo os cidadãos da cidade resolvido começar a erguer uma basílica em sua homenagem ainda naquele ano. A construção ocorreu até 1310. Segundo este site, o local recebe hoje uma média de 6,5 milhões de visitantes anualmente.

Basilica di Sant'Antonio di Padova
Basilica di Sant’Antonio di Padova

Na rua em frente à basílica, há sempre uma infinidade de barracas com suvenires. Vale conferir!

Deixando os arredores da basílica, passamos na Pasticceria Righetto, na Via Roma, número 69, e comemos uma pizza (pra variar um pouco rs). O local não tem nada excepcional, mas a pizza é bastante saborosa.

Dali, partimos para a última parada: Duomo di Padova, ou Cattedrale di Santa Maria Assunta. Sede da diocese de Pádua, a edificação atual começou a ser construída em 1551 por Andrea da Valle em cima de um projeto de Michelangelo, durando mais de dois séculos. Os trabalhos foram encerrados em 1754, deixando a fachada inacabada. A catedral original, porém, era muito mais antiga. O bastistério, por exemplo, data do século XII. Para mais detalhes, conferir esta página.

Duomo di Padova
Duomo di Padova. À direita, vemos o batistério.

Saindo da região do duomo, encerramos nossa viagem. Após comprar os bilhetes de trem e pegar as malas no B&B, partimos em direção a Milão. Os detalhes desta outra fase da viagem, porém, eu te apresento na próxima semana.

Considerações

Segundo um amigo padovano, a cidade era conhecida no passado por três “ausências”:

  • A praça sem vegetação (piazza senza erbe): o Prato della Valle não possui muitas árvores ou plantas. Em vez disso, possui bastante cimento e suas estátuas de pedra;
  • O café sem portas: o Caffè Pedrocchi funcionava 24 horas por dia antigamente;
  • O santo sem nome: Santo Antônio, padroeiro da cidade, não costuma ser citado diretamente pelos cidadãos dali quando estes pretendem visitar sua basílica. Ao invés disso, as pessoas costumam dizer: “vou ao Santo”. Em italiano, vado al Santo.

Apesar de ser muito famosa como centro de peregrinação, Pádua é muito mais rica e complexa enquanto cidade.

Foi em Padova, na noite em que saímos com meu amigo nativo, que tive o primeiro choque cultural em relação à segurança das ruas de lá. Ao questionar um amigo sobre andarmos às 21 horas da noite ao seu encontro, este nos disse que não havia perigo. Andamos até por volta das 2 da manhã sem receio de sermos assaltados, por exemplo. A única área que ele disse que inspirava maior precaução era aquela dos os arredores da estação, já que por ali poderíamos encontrar pessoas mal intencionadas.

Abaixo, compartilho um vídeo que apresenta uma visão interessante da cidade, hospedado no canal “Discover Padova” no YouTube:

Por hoje é só! Quer contribuir com mais alguma informação? Conta pra mim nos comentários!

Arrivederci! 🙂

 

 

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

2 comentários em “Pádua: muito além do santo”

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