Florença: minha paixão pela Itália ganhou nome

 Firenze vista a partir do Palazzo Pitti.
Firenze vista a partir do Palazzo Pitti.

Olá!

Hoje contarei um pouco sobre a minha penúltima parada na Itália. O comune de Firenze, ou Florença, foi nossa casa por três dias.

Saímos de Milão por volta das 12:35, em um trem da Italo. Até então, nossa proposta era viajar na categoria Smart, em que nossos bilhetes custariam € 87,80 no total. Ao chegar à estação, porém, descobrimos que esta categoria possui limite de tamanho de bagagem. Para evitar surpresas, convertemos o bilhete para a categoria de Prima Classe, pagando mais € 32,00. A viagem de Milano Centrale a Firenze SMN terminou por volta das 14:25, em um percurso em alta velocidade. Os trens da Italo são muito confortáveis e a primeira classe é excelente. Os funcionários oferecem snacks uma vez durante a viagem.

Nosso primeiro ponto de parada foi a Chiesa di Sant’Ambrogio, na praça de mesmo nome. Apesar de simples, é uma igreja linda.

Um pouco à frente, na Piazza dei Ciompi, temos a Loggia del Pesce. Não é o monumento original, mas uma reconstrução feita em 1956. A versão original deste local de comércio reservado aos pescadores ficava perto da Ponte Vecchio, como um prolongamento. Na nova versão, foram utilizados os adornos da construção original, que havia sido construída por volta de 1567.

Um pouco à frente, a linda Basilica di Santa Croce, na Piazza di Santa Croce. A igreja, toda trabalhada e com uma fachada maravilhosa, foi construída em 1295, no local onde os primeiros freis franciscanos chegaram por volta de 1210 e mantinham um pequeno oratório. Para mais informações, visitem este site.

Basilica di Santa Croce di Firenze
Basilica di Santa Croce di Firenze

Perto dali, a Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze. Um edifício imponente, que surgiu a partir da biblioteca privada de Antonio Magliabechi. Em seu testamento, ele deixava (em 1714) a biblioteca e seus cerca de 30000 exemplares a benefício de Firenze. Em frente à biblioteca, se pode ver o majestoso rio Arno.

Seguindo a via paralela ao rio, pudemos ver o Museu Galileo e a Piazzale degli Uffici, onde fica a maravilhosa Galleria degli Uffici. Com estátuas de diversos artistas, vale a pena parar por alguns minutos e admirar todos os seus monumentos.

Ao lado da galleria, a Piazza della Signoria é outro local essencial. Há ali estátuas igualmente belas, na Loggia dei Lanzi, além de uma réplica de David di Michelangelo. Ali também fica a Fontana del Nettuno que, infelizmente, estava toda coberta. Felizmente, porém, ela está assim para trabalhos de restauro. Ainda no local, pode-se visualizar o magnífico Palazzo Vecchio, com uma torre enorme.

Atravessando a praça, seguindo por uma viela, pode-se visitar a Loggia del Mercato Nuovo, com uma fonte que abriga uma estátua de bronze de um javali, chamado de “Il Porcellino“. Em 1842, o escritor Hans Christian Andersen escreveu uma história baseada no javali, chamando-a de “The Metal Pig” (O porco de Metal, em tradução livre). A história, em inglês, pode ser lida aqui.

Fontana del Porcellino - Firenze
Fontana del Porcellino – Firenze

Debaixo da cobertura do local, vê-se uma série de barracas vendendo produtos de típicos. A cidade, aliás, é famosa por seus produtos artesanais de couro e abriga uma série de lojas, de artesãos ou revendedores. É bom ter cuidado se quiser comprar itens originais e produzidos manualmente, pois Florença parece ter sido invadida por comerciantes de itens produzidos de forma industrial.

Seguindo a tradição dos rituais para boa sorte, tiramos uma foto esfregando o focinho do javali, para garantir nosso retorno a Firenze. Há outro ritual de colocar uma moeda na boca do animal e soltá-la, fazendo um pedido. Se a moeda cair dentro da grade por onde escorre a água, seu pedido será realizado. Este rito, porém, preferi não fazer. A fonte estava cercada de ciganos, que recolhiam as moedas na nossa frente, tirando um pouco da graça da brincadeira.

Uma das pontes mais emblemáticas da cidade, Ponte Vecchio é repleta de casinhas. Pelo menos até onde percebi, todos os estabelecimentos dali são joalherias. A ponte, que foi destruída várias vezes pelas águas do rio Arno, teve sua versão atual construída em 1345. Em 1944, quando as tropas alemãs estavam deixando Florença, esta foi a única ponte mantida, pelo menos entre as mais conhecidas. Segundo lendas, isto se deve ao fato de que Hitler, quando havia conhecido a cidade, havia se apaixonado pela construção em questão.

Ponte Vecchio - Firenze. Foto por Larissa Donato Couto.
Ponte Vecchio – Firenze. Foto por Larissa Donato Couto.

Saindo da ponte, fomos até a Chiesa di Orsanmichele, seguindo em direção à Piazza della Reppublica, que abriga um carrossel muito simpático. Pouco depois desta piazza, a Piazza San Giovanni também vale a visita. Ela abriga o Battistero di San Giovanni e a Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Esta igreja é a “catedral” (duomo) da cidade, tendo sido construída de 1296 a 1302, a partir de um projeto de Arnolfo di Cambio.

Cattedrale di Santa Maria del Fiore - Firenze
Cattedrale di Santa Maria del Fiore – Firenze

Saindo dali, seguimos em direção à Basilica di San Marco, na Piazza San Marco. Nossa surpresa, porém, ficou para adiante, quando vimos a Chiesa Evangelica Valdese, que se diz ser a primeira igreja anglicana construída em Florença.

Nosso próximo objetivo era a Piazza della Libertà, onde se encontram a Porta San Gallo e o Arco di Trionfo dei Lorena. Para o nosso azar, porém, o local estava fechado para reformas. Desta maneira, pudemos visitar o entorno e tirar algumas fotos, mas não foi possível ir ao interior da praça.

No segundo dia, começamos o passeio pelo Museo Nazionale del Bargello e Badia Fiorentina. Depois, demos uma passadinha na Chiesa di San Jacopo Sopr’Arno e conferimos ainda a Torre dei Marsili e a Torre dei Belfredelli.

Saindo dali, atravessamos a Ponte Santa Trinità, que oferece uma ótima vista para tirar fotos da Ponte Vecchio. Seguindo caminho, passamos ainda pela Basilica di Santo Spirito e pela pequena Chiesa di San Felice. Depois de mais alguns passos, porém, uma das melhores atrações do dia dava as caras: Palazzo Pitti.

Palazzo Pitti - Firenze
Palazzo Pitti – Firenze

O Palazzo Pitti abriga alguns museus, além de ter o Giardino di Boboli. Na entrada, tivemos que decidir e priorizar. O jardim é lindo, mas seu ingresso é comprado em um pacote separado dos museus. Optamos pelos museus, mas valeria ter voltado outro dia para gastar um tempo nos giardini. Do palácio já podíamos ver o quão extenso era o jardim.

Na portaria do palácio, conforme dito anteriormente, optamos pelo pacote de museus, que custava € 13,00 por pessoa. Após entrar no palácio, nosso primeiro destino foi a Galleria Palatina, que contém salas maravilhosas. É difícil encontrar algum pedacinho das paredes que não contenha algum trabalho artístico, sejam quadros, relevos ou mesmo revestimentos suntuosos. Passamos algumas horas por ali e, creio eu, não conseguimos ainda absorver tudo que há naquele lugar. A Galleria d’Arte Moderna era também bem bacana!

La Madonna Del Granduca - Raffaello Sanzio -1504 (óleo sobre tela), localizada na Galleria Pallatina - Palazzo Pitti
La Madonna Del Granduca – Raffaello Sanzio -1504 (óleo sobre tela), localizada na Galleria Pallatina – Palazzo Pitti
Palazzo Pitti - detalhe no teto de uma de suas salas.
Palazzo Pitti – detalhe no teto de uma de suas salas.
Palazzo Pitti - detalhe no teto de uma de suas salas.
Palazzo Pitti – detalhe no teto de uma de suas salas.

Seguindo para a próxima atração do palácio, pudemos visitar o Museo del Costume, que abriga um número respeitável de peças de vestuário de diferentes momentos da história, inclusive de desfiles recentes. O museu chamado de Tesoro dei Granduchi (antigamente conhecido como Museu da Prata) era também muito interessante, contendo louças e demais itens de grande valor.

Saindo dali, passamos em frente à Chiesa di San Niccolò. Depois dela, seguimos até uma enorme escadaria, que nos levaria aos últimos destinos do dia.

Após subir uma escadaria bem longa, chegamos à Chiesa di San Salvatore al Monte. A igreja é bonita, mas nosso principal objetivo estava ainda acima daquele local. Demos a volta e subimos mais uma escada. Finalmente, a imponente Abbazia di San Miniato al Monte estava diante de nós. Linda, com detalhes magníficos e igualmente interessante por dentro. Nos fundos da igreja, mas ainda no seu interior, há uma área de oração onde não se pode tirar fotos ou fazer gravações. Vale conferir!

Abbazia di San Miniato al Monte (com detalhe de sua fachada destacado) - Firenze
Abbazia di San Miniato al Monte (com detalhe de sua fachada destacado) – Firenze.

No lado externo da basílica, se vê ainda o Cimitero delle Porte Sante, que abriga uma série de pessoas de renome, como Carlo Collodi, o autor responsável pela história de Pinóquio (sim, é uma história originalmente italiana). Junto dali, ainda se localizam o Monastero di San Miniato e o Palazzo dei Vescovi.

Outro ponto a se destacar é a vista privilegiada que se tem de Florença pelas redondezas da abbazia. Após entrar na igreja, circular um pouquinho e me sentar, não contive a emoção. Agradeci muito a Deus pela oportunidade sensacional de estar ali.

Vista de Firenze da Abbazia di San Miniato al Monte.
Vista de Firenze da Abbazia di San Miniato al Monte.

Para finalizar o dia, fomo à Piazza Michelangelo, vizinha da basílica, que possui uma cópia do David di Michelangelo, e é um local perfeito para se admirar o pôr do sol naquele pedacinho da Toscana. O sol vai se pondo atrás de morros repletos de oliveiras (ou alguma árvore similar), dando um novo tom à cidade, que também pode ser vista de ótimo ângulo a partir dali.

Pôr do sol visto da Piazza Michelangelo - Firenze.
Pôr do sol visto da Piazza Michelangelo – Firenze.

No terceiro e último dia em Firenze, deixamos as malas prontas e demos mais um giro pela cidade até a hora de ir embora.

No caminho à estação de trem (para comprar nossos bilhetes de uma vez), passamos pela Basilica di Santa Maria Novella, que dá nome à estação. Perto da igreja, o principal ponto visitado do dia: Galleria dell’Accademia. Lar do David di Michelangelo e de diversos moldes em gesso de estátuas belíssimas, também conferimos pinturas e uma seção do museu dedicada à história dos instrumentos musicais. Um dos pontos mais curiosos é uma quantidade razoável de obras inacabadas de Michelangelo, apenas parcialmente esculpidas nos blocos de pedra.

David di Michelangelo - Galleria dell'Accademia - Firenze.
David di Michelangelo – Galleria dell’Accademia – Firenze.

Saindo dali, onde gastamos muito bem algumas horas, seguimos em direção ao B&B para pegarmos o trem rumo à belíssima Veneza. O post sobre a capital da província de mesmo nome você confere na semana que vem!

Onde ficamos

Nos hospedamos no Residenza Manzoni, um B&B bacana e com localização adequada. Não era vizinho da estação de trem e também exigia alguma caminhada para as principais atrações, mas gostei muito de lá. Para melhorar a experiência que tivemos com internet em Milão, o Wi-Fi ali funcionava normalmente.

Onde comemos

Biancazerozero – La Pinsa Romana – fomos à unidade da Piazza dei Ciompi, que fica na Via Pietra Piana. Servem a “pinsa”, que é muito parecida com a pizza. Segundo uma funcionária do local, a diferença está na massa, feita com 85% de água mais um mix de farinhas, o que faria com que ela se tornasse melhor digerível e menos calórica.

L’Arte nel Gelato – gelato muito saboroso, a €5 euros cada sabor. Não é uma pechincha, mas vale a pena. Fica na Via Por Santa Maria, perto da Ponte Vecchio.

Mister Pizza – localizado na Via Pietra Piana, serve uma pizza bem gostosa. Outro item que provamos foi um “ciocconat”, uma espécie de tortinha de chocolate bem gostosa.

Pizzeria Piccadilly – localizada na Via Por Santa Maria, oferece algumas boas opções de pizza e sanduíches bem “pesados”, como um que possuía batata frita e frango. 😀

La Ghiotta – Também na Via Pietra Piana, serve massas e outras especialidades.

Oliandolo – por ali, diversos pratos a um preço razoável e bem saborosos. Experimentamos uma lasanha muito boa! Fica na Via Ricasoli.

Por enquanto, é só! Alguma coisa que você gostaria de acrescentar sobre Florença? A cidade, definitivamente, ganhou nossos corações. ❤ 🇮🇹

Arrivederci! 🙂

 

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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