Por que as mudanças às vezes doem?

Photo by Tobias Macha on Unsplash
As mudanças são necessárias, mesmo que pareçam dolorosas em um primeiro momento. Photo by Tobias Macha on Unsplash.

Olá!

Hoje eu gostaria de sair um pouquinho do tema da cidadania italiana e falar sobre mudanças.

Nos últimos anos, passei por uma série de transformações em minha vida. Desde a mudança de casa até a mudança de postura frente a alguns temas importantes pra mim.

Em 2011, me mudei para Viçosa e comecei o curso de Pós-graduação (Mestrado) em Ciência da Computação na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Este passo envolveu também uma mudança para outra cidade, mesmo que próxima.

As novas responsabilidades, os novos compromissos, a nova rotina e a pressão por resultados, entre outras coisas, foram uma verdadeira revolução na minha vida. Sofri bastante no início, achei que não conseguiria lidar com tudo, mas acabei terminando o mestrado com um rendimento bacana, já no ano início de 2014.

O ano de 2014, aliás, foi um período de mudanças ainda mais bruscas. No final do mês de fevereiro daquele ano, defendi minha dissertação de mestrado.

Pouco tempo depois, no final de abril, fui convidado por uma empresa de São Paulo a participar de um processo seletivo. Ansioso, fiz minha mala, segurei o nervosismo e embarquei para São Paulo, naquela viagem de ônibus terrivelmente longa.

O processo durou metade de um dia e veio com um resultado animador: “Você passou. Quando consegue começar?” Naquela hora, a alegria e a euforia da aprovação se misturavam ao leve desespero pela iminente mudança para outro estado. “Nós conseguimos te dar um prazo de dez dias, Adriano. Você começa dia 05 de maio”.

Voltei para Minas Gerais um ou dois dias depois e comecei a bela reviravolta: arruma documentos daqui, separa coisas dali e bota tudo em uma mochila e uma caixa de papelão, que já foi lar de um fogão a gás ou algo assim.

No dia da minha mudança, a primeira dolorosa face das transformações: dizer tchau. Era a comemoração do aniversário da minha irmã e a procissão de despedidas, já feitas há alguns dias na casa de tios e avós, deveria agora ser feita dentro de casa. Logo após a festinha, sigo para a rodoviária e me despeço dos meus pais e minha irmã.

Tá pra nascer dorzinha mais aguda! Com os olhos cheios de lágrimas, eu colocava um ponto final naquela fase em Muriaé e me despedia das pessoas mais importantes da minha vida. Chorei feito criança no ônibus, mas estava certo de que aquele movimento era muito importante e fazia todo o sentido pra mim.

Chego em um domingo e começo a trabalhar no dia seguinte. A correria dos primeiros dias, a cobrança do período de experiência e a expectativa natural daquele período tomaram toda a minha atenção.

Com a rotina de trabalho e a vida por vezes cansativa na capital de São Paulo, porém, o entusiasmo foi dando lugar aos compromissos e ao roteiro quase robótico casa-trabalho e vice-versa.

Era 2015 e o livro com o material que eu tinha coletado dos antepassados desde 2009 estava finalmente compilado. Registrei os direitos autorais, pedi permissão para uso de imagens de terceiros e imprimi algumas cópias. Meu presente para as bodas de ouro dos meus avós maternos estava pronto após um ano de trabalho!

Nesse emaranhado de sensações, porém, pouco mais de um ano e meio se passou após a mudança e me veio a pergunta: estou mesmo assumindo a minha vida e montando tudo aquilo que era meu objetivo ao me mudar para cá? A resposta era “quase”. Morava ainda com familiares e faltava assumir o restante das responsabilidades.

Me mudei uma vez e depois outra 30 dias depois, chegando ao local onde estou hoje. Finalmente tinha verdadeiramente meu cantinho, mas o ano de 2016 tava quase terminando e sentia que ainda tinha coisa a fazer. Sabe quando algo te incomoda?

Decidir procurar quem entende do assunto: psicólogo(a). Muita gente tem um verdadeiro pavor deste tipo de profissional, mas é um erro tremendo. Mais do que trabalhar mentes incomodadas, o psicólogo ajuda a manter mentes saudáveis como estão. Indicam o caminho, te ajudam a chegar a conclusões importantes e fazem com que o racional, que muitas vezes já sabe do que realmente te incomoda, converse com seu emocional e seu inconsciente (e outros níveis, que só psicólogos conhecem) para que mudanças necessárias aconteçam.

Uma das conclusões mais importantes é de que a terapia não faz mágica no tempo de um Miojo, mas planta, cuida e colhe tudo aquilo que a gente sabe que precisa pra viver de forma plena.

Uma das questões que trabalhei, aliás, foi me mudar DE VERDADE para São Paulo. Por razões que não detalharei aqui, era como se o Adriano sonhador tivesse ficado no meio do caminho, com um pé em São Paulo e outro em Muriaé-MG.

Fincar raízes na nova cidade era necessário; viver a nova vida, também. Conhecer novos pontos da cidade, conhecer novos amigos e experimentar coisas novas me ajudariam a fincar os pés em terras paulistanas.

O início de 2017 trouxe outras novidades: o processo judicial para o reconhecimento em Roma da minha cidadania italiana finalmente saiu. Com ele, veio uma nova etapa de preparação de documentação no consulado italiano.

Ainda nessa época, comecei a planejar minha primeira viagem de duração maior: a Itália, terra de alguns dos meus antepassados, seria finalmente visitada. Com o primeiro passeio em terras estrangeiras chegando, surgiram um monte de coisas para pagar, passaporte italiano para emitir, roteiro para planejar, etc.

Com setembro dando as caras, a tão sonhada viagem aconteceu. Botei meu italiano à prova, conheci as cidades dos antepassados, finalmente conheci um amigo italiano de longa data e voltei cheio de novidades na memória.

Até que enfim, 2018! Em um ano que promete ser turbulento na política e na economia, surge uma nova oportunidade de emprego e uma série de novos desafios, que contarei aqui quando fizer sentido.

Novamente, a barriga com aquele friozinho doído, um monte de “tchaus” para dar e aquela saudade dos amigos que conheci na empresa anterior.

Diante de tanta informação, porém, a pergunta do título volta a ecoar: por que as mudanças às vezes doem?

Não há fórmula simples para responder isso, mas é importante entender que faz parte da caminhada. Toda mudança traz crescimento, transformação e ganhos, mas todo movimento também trará dores e perdas.

O que precisamos balancear é a relação entre perdas e ganhos. As mudanças não devem ser um tiro no escuro, mas também não devem ser evitadas a todo custo. Pare, reflita, pondere e se jogue sempre que fizer sentido.

Errar faz parte da trajetória!  O importante é recolher os cacos e aprender com eles. Permanecer no mesmo casulo para sempre faz um mal danado…

Este ano, como já falei, promete trazer uma série de novidades. Se eu estou com medo? Um cadinho, sim. Só que com o tempo a gente vai aprendendo que o medo é justamente uma das partes boas disso.

Boa jornada pra você também!

Arrivederci! 🙂

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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