Portugal: do verbo a expressões típicas, um português próprio deles

Ímãs de geladeira homenageando Lisboa e Portugal. Photo by Sunyu on Unsplash.
Ímãs de geladeira homenageando Lisboa e Portugal. Photo by Sunyu on Unsplash.

Olá!

Dando sequência ao post sobre palavras portuguesas e seu correspondente no Brasil, hoje gostaria de abordar algumas expressões ou modos de formar frases que são bem característicos daqui.

Uma das primeiras coisas que ouvi (e que já haviam me contado no Brasil) é que em Portugal, ou pelo menos na região de Lisboa, não se usa o gerúndio. Se alguém for avisar que estava “terminando” alguma tarefa, por exemplo, certamente dirá que estava “a terminar”.

Alguns colegas de trabalho contam que até existe uma região onde já se usa o gerúndio, mas que acreditam que foi influência dos brasileiros que moram por aqui, que já somariam cerca de 80 mil pessoas no país.

Se alguém lhe contou algo que você não acreditou ou ainda que tenha apenas te surpreendido, pergunte logo: “A sério?”

Quando se trata de conjugação verbal, aliás, aqui há um pouco do mesmo costume que se vê na Região Sul do Brasil: a maioria das frases são conjugadas na segunda pessoa do singular, o “tu”. Em outros momentos, utilizam muito o “vós”.

Um tempo verbal que quase não ouço por aqui é o futuro do pretérito. Se você costuma falar que “gostaria” de fazer algo, por exemplo, aqui provavelmente ouvirá alguém dizer que “gostava” de fazer algo, ou seja, utilizando o pretérito imperfeito do indicativo.

As palavras do dia a dia frequentemente se apresentam de forma ligeiramente alterada. No metrô (que aqui eles chamam de metro, com a primeira sílaba mais forte), o aviso afixado nos trens pede cautela para o momento do “fecho” de portas.

Outro cuidado que se deve tomar no metrô daqui é quanto ao espaço entre o cais e o comboio. No Brasil, por sua vez, o alerta costuma se referir ao “vão entre a plataforma e o trem”.

Ajudando um dos lados na discussão entre biscoito e bolacha que vemos no Brasil, em Portugal vê-se mais frequentemente o último termo. Biscoito acaba sendo utilizado mais para os cookies dos EUA.

As diferenças entre os dois países também chega ao alfabeto. Aqui em Portugal, “g” se pronuncia “guê” (sem falar o “u”), “j” se pronuncia como “jê” e “k” é “kappa”, como no italiano.

Por último, gostaria de citar mais um detalhe que já me fez rir algumas vezes. Para os brasileiros, nada mais normal do que falar “dúzia” ou “meia dúzia”. Quando se dita um número de telefone, por exemplo, muitos preferem utilizar “meia” (da dúzia) para se diferenciar do som do número três. Em Portugal, desista desse hábito! Eles simplesmente não entendem, pois não utilizam a mesma referência. Diga “seis” bem claramente e fim de conversa.

Diante das peculiaridades citadas acima, não quero jamais apontar aquilo que é certo ou errado na nossa língua portuguesa. Antes, isso reflete a riqueza que nosso idioma adquiriu em cada canto onde é falado.

Hoje, apesar do “português” comum que aprendemos a falar, construímos toda uma nova versão em cada um dos países lusófonos, influenciados pela cultura, pelos povos que conviveram conosco no decorrer dos anos e muitos outros fatores.

E por hoje é só! Nas próximas postagens, continuarei falando sobre outras curiosidades sobre este país pequeno na dimensão do território, mas imponente quanto à sua cultura, acolhimento e história.

Arrivederci! 🙂

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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