Portugal: em um mês, o que já percebi

Praça do Comércio, Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.
Praça do Comércio, Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.

Olá!

Se você acompanha o blog com frequência, já sabe que me mudei para Portugal a trabalho.

E ontem, dia 26/05, completei um mês por aqui! Por conta disso, gostaria de fazer algumas reflexões sobre o que esse país já me trouxe!

A primeira coisa que me vem à cabeça sobre essa mudança é o comentário de um amigo pouco tempo atrás: “Se você vai para fora, esteja preparado para um Adriano totalmente diferente”.

Aquilo me impactou bastante, mas vejo hoje que fazia bastante sentido. Com apenas um mês por aqui, já me deparei com muitos questionamentos. Não para meus valores pessoais ou minha essência, mas para o que considero normal ou para a visão de mundo que construí até então.

No Brasil, a gente se acostuma a sair na rua evitando utilizar bens de valor em público, planejando um retorno mais cedo para evitar os perigos após certo horário da noite, evitando comércio popular para não ser assaltado, tentando não parar nos semáforos de madrugada por conta do risco de assalto… A lista não tem fim!

Aqui é melhor? Depende do ponto de vista. Como um colega daqui me disse há alguns dias: Portugal é menor que o Brasil e tem a regulamentação da União Europeia como arcabouço, mas também sofre com a corrupção.

Na parte da violência, porém, muita coisa muda. Aqui em Lisboa, por exemplo, assim como ocorre em outras grandes cidades da Europa, há bastante pickpocketing. Em bom português: roubo de carteira. Há também zonas mais perigosas, em que crimes ocorrem com mais frequência: pontos turísticos mais movimentados, bairros pobres (com população não integrada socialmente), estações de trem e etc.

A principal diferença é que os delitos por aqui geralmente ocorrem sem emprego de violência. No Brasil, infelizmente, por muito pouco você tem uma arma apontada na cabeça.

Isso quer dizer que o Brasil é pior? Não!

O que me impacta é como tivemos que nos adaptar no Brasil com uma violência gritante, altos níveis de corrupção e um precário acesso aos serviços de saúde, educação e segurança pública. Resumindo: para sobrevivermos no por lá, tivemos que mudar o conceito de “normal” para abaixo do que seria justo.

Outra coisa que me deixa triste é a imagem que temos vendido (em grande parte, justa) do Brasil para o mundo. Aqui em Portugal, até pela proximidade da língua, as notícias chegam mais facilmente. E o sumo delas é, basicamente, violento. Ouvi vários relatos de pessoas que acham nosso país lindíssimo, mas morrem de medo de visitá-lo, pois veem diariamente notícias sobre a violência em terras tupiniquins.

Algo está muito errado… E não é o conteúdo das notícias.

Mudando um pouco o foco, gostaria de contar algo curioso: não falta noveleiro em Portugal! Uma das minhas melhores amigas aqui já me disse: eu já via novelas brasileiras antes mesmo que Portugal fizesse suas próprias novelas.

A TV Globo, gigante em nosso país, possui presença em todos os operadores de TV paga em Portugal. Recentemente, houve uma divulgação bem forte deles nos trens, ônibus e nas ruas.

A novela Deus Salve o Rei, por exemplo, estreou no dia 07 de maio em Portugal. O lançamento da novela inspirou até uma parceria com a marca de sorvetes (ou gelados, por aqui) Nannarella. Os sabores, inspirados nos dois reinos da trama, serão vendidos apenas até o dia 01/06, exclusivamente na sede da emissora em Portugal. Mais informações aqui.

Por último, gostaria de abordar um aspecto que nos afeta diretamente: a nossa imagem como cidadão tupiniquim em Portugal.

Se você é brasileiro, prepare-se para dois cenários: acolhimento e desconfiança.

No geral, você encontrará um povo acolhedor, simpático, direto e muito aberto aos brasileiros e demais estrangeiros. Há, inclusive, um grande interesse pela nossa cultura, nossas diferenças na língua e nosso modo alegre de encarar a vida.

Por outro lado, há uma parcela da população que não se sente confortável com quem vem do Brasil. Pelo que vi de alguns relatos, isso teria a ver com uma massa de imigrantes brasileiros de alguns anos atrás, que teria pouca formação e menor trato social, gerando incômodo em alguns portugueses. Não entrarei no viés estereotipado e triste disso, me limitando a contar.

Por conta dessa desconfiança contra os imigrantes latino-americanos, você  poderá passar por certos incômodos em situações que envolvam acesso ao crédito, interação com serviços públicos ou procura por moradia, por exemplo.

Um conhecido meu, que é brasileiro e português, foi há pouco tempo a um órgão público daqui para trocar seu endereço fiscal (morada fiscal, por aqui). Entre os documentos, a atendente pediu um contrato de trabalho, algo não previsto para cidadãos portugueses (como ele de fato é).

Ao ser questionada por uma amiga nossa nascida em Portugal, a atendente disse que para “imigrantes” o procedimento padrão era esse. Ao ser lembrada que legalmente, mesmo com sotaque, nosso amigo era português como ela, a atendente pediu desculpas pelo “equívoco”.

Enfim…

Essas foram as minhas primeiras impressões para o país. Já percebi que ainda terei muitas vivências importantes por aqui. Contem comigo para dividi-las por aqui!

E você, já passou por alguma situação marcante em Portugal? Qual sua visão sobre o país?

Arrivederci! 🙂

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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