Qual a imagem que o Brasil tem em Portugal?

Photo by Rafaela Biazi on Unsplash.
Photo by Rafaela Biazi on Unsplash.

Olá!

Hoje eu gostaria de abordar uma questão que já me fez refletir várias vezes.

Até alguns anos atrás, embora a Europa pouco conhecesse do Brasil e geralmente pensasse nele como um país subdesenvolvido, era comum ouvir de europeus que o Brasil era “um paraíso”, com seus espetaculares dias de sol, povo sempre alegre e uma natureza deslumbrante.

Em Portugal, creio eu, não era muito diferente, mas com um adendo: nós temos laços profundos gerados na polêmica (e importante) história da colonização.

No século passado, creio que especialmente a partir das décadas de 70 ou 80, Portugal viu alguns fluxos significativos de imigrantes brasileiros por aqui.

Exceto por um movimento de dentistas e outros profissionais qualificados nos anos 90, boa parte do fluxo migratório brasileiro até alguns anos atrás era de profissionais com formação mais básica, para empregos que muitas vezes não exigiam ensino superior.

De certa forma, isso gerou incômodo na população portuguesa. Um dos motivos era claro: mais imigrantes significa mais concorrência por emprego. Por outro lado, porém, há que se admitir que muitos recebiam os brasileiros com estranhamento por um motivo bem simples: esteriótipos injustos, que conectam o brasileiro médio com a figura do malandro, desonesto e espertalhão.

De alguns anos para cá, porém, a crise financeira e política no Brasil provocou um fluxo considerável de pessoas da classe média ou mesmo endinheirados das terras tupiniquins para Portugal.

O país europeu, vendo a fuga dos jovens portugueses para outros países da União Europeia, acabou por incentivar a entrada de brasileiros, assim como dos demais cidadãos das nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A organização conta hoje com nove membros, nomeadamente: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

No geral, o povo português recebe muito bem os brasileiros. Há, claro, alguma discriminação por parte dos portugueses, principalmente por conta do estereótipo já citado anteriormente. É geralmente muito mais complexo para um brasileiro alugar uma casa aqui do que um português, por exemplo.

Outro problema, este mais causado pelo boom de residentes e turistas endinheirados do mundo todo em Portugal, acaba por colaborar com o estranhamento pontual quanto à chegada de brazucas por aqui: o aumento vertiginoso dos preços nos aluguéis.

Com um salário mínimo que beira os 600 euros, você dificilmente conseguirá alugar um apartamento na região mais interessante de Lisboa por menos de 800 euros mensais.

Apesar disso, não posso me queixar. Sempre fui tratado com respeito em todas as ocasiões em que precisei resolver algo em órgãos públicos ou empresas daqui.

Em uma conversa informal com uma amiga portuguesa, porém, algo me chamou mais a minha atenção: se antes a imagem do Brasil como país era de paraíso tropical, hoje boa parte dos irmãos lusófonos europeus pensa em uma das três coisas quando o assunto é o país sul-americano: corrupção,  crise política e violência.

Se no passado a imagem era predominantemente positiva, como citei no início do texto, a imagem do Brasil que começou a chegar em novelas mais recentes, filmes e cobertura internacional desenha justamente o tripé caótico acima.

Embora muito do que chega aqui seja real ou similar ao panorama do país, o que me preocupa é o efeito que um resumo tão focado nos defeitos, que chega aqui diariamente, possa causar na imagem do país como um todo.

Não são raras as vezes em que eu escutei de amigos daqui a afirmação de que não têm qualquer vontade de visitar o Brasil por agora, pois se sentem aterrorizados com a violência a que estamos habituados por lá.

Além disso, o pior  talvez não seja nem essa perspectiva, mas o quanto nós brasileiros já nos habituamos com o que de fato acontece por lá, muitas vezes aceitando nossas mazelas como uma realidade impossível de mudar.

Seja qual for a resposta para essas reflexões, porém, acabo sempre chegando ao mesmo ponto de conclusão: mais do que a preocupação com a imagem do brasileiro ou do país aqui na Europa, temos que focar no que poderemos fazer para resolver os problemas atuais.

Não há solução mágica ou rápida, mas acho que grande parte das iniciativas passa por políticas públicas que ultrapassem a meta de um mandato político, desenhando estratégias de médio prazo. Por último, precisamos criar medidas efetivas para o combate à corrupção, mas creio que este será o passo mais complexo e demorado, tamanha a presença da corrupção nas entranhas de entidades públicas e privadas do Brasil.

É isso!

E você, já testemunhou algo similar? Tem ideia do que deveríamos fazer sobre as questões citadas no texto? Comente!

Arrivederci! 🙂

Publicado por

Adriano Donato Couto

Ítalo-brasileiro nascido em Minas Gerais, morando atualmente na região de Lisboa. Desenvolvedor de software. Italo-brasiliano nato a Minas Gerais. Abita attualmente a Lisbona (Portogallo). Sviluppatore di software. Italian-Brazilian that was born in Minas Gerais (Brazil). Living in Lisbon currently. Software developer.

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