Quando nós começamos a perder a empatia que habitava em nós?

Photo by Mihai Surdu on Unsplash.
Photo by Mihai Surdu on Unsplash.

Olá!

Hoje eu queria pedir a ajuda de vocês para tentar entender algo que já me intriga há alguns anos, mas que começou a me preocupar de forma extrema mais recentemente: onde vamos para com tanto ódio e maniqueísmo?

Uma das coisas que têm me assustado de forma especial é a maneira como a violência contra as mulheres tem sido banalizada, reduzida.

Longe de mim definir o que é violência ou não. Não sou mulher e jamais sentirei na pele o que é ser vítima.

O que me incomoda é como as mulheres são reduzidas pelo simples fato de serem mulheres.

Nas notícias que envolvem assédio sexual ou estupro, por exemplo, basta rolar a página até os comentários para ver uma série de frases citando feminismo de forma pejorativa, dizendo que a vítima provocou o crime ou que ela não seria digna de respeito por um ou outro fator específico e insignificante dentro da história.

Outro tipo de assunto que vejo sendo banalizado todos os dias é a questão da orientação sexual e da identidade de gênero não “tradicionais”.

Na cabeça de uma multidão de pessoas, repetir de forma desordenada e hostil uma série de frases prontas contra a população LGBTIQ+ é quase como vencer uma batalha, como se a dor cotidiana dessas pessoas não fosse válida.

Tratam transsexuais com o gênero que eles não se identificam, descarregam xingamentos e chegam até mesmo ao ponto de comparar, como vi hoje, um rapaz trans que removeu as mamas com a luta de mulheres contra o câncer, promovendo de forma desonesta uma desvalorização de quem só quer ser feliz, livre.

O mesmo ocorre com o racismo, com os protetores de animais, com os ambientalistas, com os ativistas de Direitos Humanos e muitas outras áreas tidas como “mimizentas”.

A impressão que tenho é de que na mente de alguns preconceituosos não existe sociedade sem que se tenha uma produção em série de seres humanos uniformes e obedientes, seja para alguma religião dominante (a do outro não vale) ou mesmo para uma moral específica vigente à época.

Será que não falta uma reflexão maior?

O diferente, por mais antagonista que seja em relação aos meus valores, me prejudica de alguma forma?

Se essa pessoa me incomoda ou prejudica, o dano atinge minha existência e minha integridade ou simplesmente atinge algum privilégio que eu tenho?

Uma das reflexões que me machucam, por exemplo, é a questão do racismo. Quando eu passo ao lado de policiais enquadrando um jovem negro e não sinto medo, devo atacar a luta desses jovens ou reconhecer que sou beneficiado por um modelo injusto de avaliação de “inocência”?

Não, hoje eu não venho trazer respostas. Vim, em vez disso, trazer perguntas para que a gente avalie junto.

Já passou da hora de removermos alguns preconceitos da sociedade e seguirmos adiante. Qual deve ser o primeiro passo?

Será que o outro é sempre o vilão mesmo?

Será que ao escolher o silêncio diante de uma injustiça ou, muito pior, culparmos a vítima, não estamos alimentando quem oprime e diminui o outro?

Tá na hora de superar esse tipo de conflito.

Arrivederci! 🙂

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