Uma passeada por Londres: dois museus que você precisa conhecer

Museum of London - representação de um teatro elisabetano. Um dos mais famosos deles, conhecido como Golden Globe ou Shakespeare's Globe, existe atualmente, após ter sido destruído e reconstruído algumas vezes.
Museum of London – representação de um teatro elisabetano. Um dos mais famosos deles, conhecido como Golden Globe ou Shakespeare’s Globe, existe atualmente, após ter sido destruído e reconstruído algumas vezes.

Olá!

Hoje eu gostaria de apresentar dois lugares especiais que conheci nas minhas andanças por Londres.

Com um clima tão cinzento em boa parte do ano e um inverno nem sempre muito agradável, a gente tende a ficar em casa e curtir a preguiça, não é?

Só que essa preguiça, super propícia para um livro, um filme ou aquela maratona de séries, também pode te afastar dos poucos raios de sol que você tem acesso nessa época do ano e acabar te causando problemas de saúde, inclusive.

Sendo assim, me esforço vez ou outra para dar uma caminhada, conhecer algum local novo e tirar a teia de aranha dos sapatos.

Há alguns dias atrás, um amigo daqui me convidou para dar uma volta e de quebra conhecer dois museus super bacanas da cidade: Museum of London e Tate Modern Museum.

O Museum of London, como o nome já denuncia, conta toda a trajetória da cidade, inclusive do período de “Londres antes de Londres”.

Começando por ferramentas rudimentares, o período em que a Grã-Bretanha ainda era conectada ao continente europeu e uma visão das alterações na superfície da região antes da civilização ocupar o espaço, o museu também passeia por diversos outros momentos, contando sobre a importância e influência do antigo Império Romano por aqui, o período vitoriano e alguns fatos muito interessantíssimos, como o Grande Incêndio de Londres, de 1666, que destruiu parte considerável da cidade.

Entre as curiosidades que você encontrará por lá, está o fato de que as crianças londrinas tomavam um tipo mais leve de cerveja (com menos álcool) na época em que a peste assolou a Europa, pois a água era imprópria para o consumo e oferecia um grande risco à saúde.

Por fim, você verá a cidade moderna, suas diferentes heranças culturais convergindo e toda a influência da música e de outras áreas.

Se você deseja visitar o museu, que tem a entrada gratuita, recomendo que desça nas estações St. Paul’s ou Barbican do metrô, ambas bem próximas do local.

Uma dos detalhes que me deixou intrigado é que o Museum of London não parece ser muito conhecido pelas pessoas. Quando conto sobre ele, muitos apenas ouviram falar sobre o local ou nem mesmo sabiam dele. Uma pena! Vale muito a visita!

Saindo de lá, seguimos em direção ao Tate Modern Museum, demos uma paradinha no One New Change Shopping Center, mas foi por um motivo menos óbvio: curtir a vista da cidade, com destaque especial para a Saint Paul’s Cathedral (Catedral de São Paulo, pros brazucas). Se quiser fazer o mesmo, basta se dirigir aos elevadores e seguir até o último andar.

Saindo dali, atravessamos a Millennium Bridge (Ponte do Milênio) e chegamos finalmente ao Tate Modern.

Aqui, vale fazer uma observação: há diferentes “Tates” (é um grupo de instituições), mas apenas um Tate Modern.

Sendo uma instituição focada na arte moderna/contemporânea, foi ali que eu pude visitar algumas peças que eu só havia visto até então nos livros da escola.

Um dos principais exemplos disso é “A Fonte”, de Duchamp. O objeto, que foi proposto sob o pseudônimo de R. Mutt, é , antes de qualquer coisa, um mictório (ou urinol) de louça. Por ser um objeto tão distante do que se consideraria tipicamente como arte na época, sofreu críticas até mesmo dos colegas de Duchamp na Associação de Artistas Independentes de Nova Iorque.

A Fonte - Duchamp. Tate Modern, Londres.
A Fonte – Duchamp. Tate Modern, Londres.

Para entender melhor a confusão, recomendo ler esse texto do Nexo Jornal.

Foi também por lá que tive acesso a vários trabalhos de artistas brasileiros. Entre eles, gostaria de destacar “Interções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola”, de Cildo Meireles. A intervenção do artista, ocorrida em 1970, consistiu em alterar uma série de garrafas de refrigerante, acrescentando inscrições contra os americanos, “receita” para coquetéis Molotov, entre outras outras iniciativas subversivas, em pleno período da Ditadura Militar.

O curioso é que as garrafas teriam sido devolvidas para circulação, espalhando suas mensagens de forma distante do padrão rastreado pelas autoridades.

Outra coisa que fizemos foi ir até o último andar do edifício, que oferece um ponto de apreciação completo da capital londrina, em 360 graus. Essa possibilidade, aliás, rendeu duras críticas ao museu por parte de um condomínio construído logo em frente.

Vista de Londres através do Tate Modern Museum. Foto por Adriano Donato Couto.
Vista de Londres através do Tate Modern Museum.

A disputa, que foi parar nos tribunais, buscava promover o cancelamento ou restrição dos espaços abertos aos visitantes na vista panorâmica do museu, pois a iniciativa estaria invadindo a privacidade dos moradores do dito prédio vizinho.

A construção, quase toda em paredes de vidro, definitivamente não oferece grandes níveis de privacidade, mas a justiça decidiu recentemente inocentar o museu, já que o tipo de construção no condomínio já era, por si só, obviamente pouco reservado. Se você quiser saber mais sobre a disputa, recomendo esse link (em inglês).

Ah! O Tate Modern também oferece entrada gratuita. 🙂

E é isso… Espero que tenham gostado das dicas de hoje. Em breve eu volto com mais dicas sobre pontos legais da cidade.

Arrivederci! 🙂

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