Quem tem medo do feminismo? Por que ele não deveria assustar ninguém

Photo by Hello I'm Nik on Unsplash.
Photo by Hello I’m Nik on Unsplash.

Olá!

Hoje, passado mais um Dia Internacional da Mulher, eu gostaria de convidar você leitor ou leitora para uma reflexão: por que motivo  o feminismo é ainda hoje fonte de medo, repulsa ou ódio na sociedade?

Antes de discutir algumas coisas que penso sobre o tema, vale uma ressalva: esse movimento é, por definição e direito, das mulheres. Eu não tenho o lugar de fala, não represento o movimento, mas respeito e apoio a luta das mulheres sempre que posso.

Como alguém nascido no interior, cansei de ouvir opiniões contra o feminismo, especialmente de gente mais velha ou tradicional. É ouvir a palavra que a sobrancelha já acusa o espanto do ouvinte.

O problema é que isso não acontece apenas com quem é mais recluso ou não foi tão exposto a diferentes grupos da sociedade. Muitas vezes, pode até mesmo estar naquele seu amigo desconstruído que posa de descolado.

No geral, a afirmação é sempre:

“Eu apoio a luta das mulheres e quero que todas tenham os mesmos direitos que os homens, mas não curto essa loucura de feminismo”.

E é aí que o erro começa…

Desde os movimentos que buscavam melhores condições de trabalho para as mulheres no início do século XX (que eram ainda mais desrespeitadas do que seus colegas homens), reivindicações pelo direito ao voto feminino, até a luta por salários iguais independente de gênero, é das mulheres feministas o crédito principal por cada vitória.

Vale a pena ler: Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Mesmo que o nome te assuste, te remeta a membros mais radicais do movimento (que existem em qualquer frente que persiga um ideal comum), evite cair no caminho fácil e infeliz de associar esta importante frente de luta com uma “ditadura do femismo”, que promoveria uma supremacia das mulheres na sociedade, transferindo os privilégios dos homens direto para as mãos femininas e induziria todos a um modelo matriarcal.

O erro, colega de cafezinho, começa aí. Feminismo e “femismo” são tão diferentes quanto óleo e água.

Para ajudar na discussão, portanto, levanto um texto da Superinteressante (cuja leitura recomendo), que explica a diferença. Para facilitar, porém, vou abordá-los de forma bem curta por aqui:

  • Femismo: a palavra, em si, nem existe. Na verdade, o termo correto seria misandria, que em sua definição seria o ódio pelos homens, tentando diminuí-los, rebaixá-los. Faz par com misoginia e machismo, que promovem a supremacia dos homens.
  • Feminismo: como citam no texto acima, é “a luta econômica, política e social em prol da equidade entre homens e mulheres”.

A equidade ali é proposital. A igualdade pura e simples não atende todos os aspectos da valorização justa do ser humano independente do gênero, pois desconsideraria a carga extra social, política, laboral e familiar a que as mulheres são ainda submetidas no mundo.

O objetivo, em linhas gerais é: todos devem ser tratados de forma justa, independente de gênero, para que tenham as mesmas chances de realizar seus objetivos e sonhos, tendo sua dignidade na vida assegurada.

Outro ponto que devemos ter em mente é que o feminismo é um movimento de mulheres que se ajudam, mas não é apenas nesse movimento decentralizado que a luta ocorre.

A cada vez que você vir uma mulher marcando posição frente a absurdos como desigualdade salarial, assédio, violência doméstica, feminicídio, pouca participação feminina na política, desrespeito no ambiente de trabalho e diversos outros problemas de disparidade entre gêneros, ela está promovendo um item defendido pelo feminismo.

Não é mimimi, não é “frescura”. Caso você seja homem como eu e esteja lendo este texto, confira comigo uma lista importante:

  • Quantas vezes você já andou na rua à noite com medo de ser estuprado?
  • Quantas vezes seus colegas de trabalho soltaram a terrível piada de mau gosto de “dormiu com o chefe” quando você recebeu uma promoção?
  • Quantas vezes você foi chamado de descontrolado por não aceitar uma injustiça e reclamar?
  • Se você é de uma carreira na área de Ciências Exatas (Engenharia, Computação e similares) ou outra tipicamente vista como masculina, quantas colegas mulheres há na sua empresa, ocupando o mesmo cargo que o seu? Elas são bem vistas como profissionais?
  • Quantas vezes você foi orientado de que precisa passar esmalte nas unhas, usar maquiagem, salto alto e joias delicadas quando estivesse no trabalho?

Se você já passou por algo do que citei acima, sinto ouvir isso, mas você é uma exceção. Nós homens, via de regra, temos um caminho mais fácil, seguro e tranquilo na sociedade.

E como eu posso ajudar?

Para começar, não atrapalhar ou criticar sem conhecer já seriam dois passos importantes.

Depois, vale avaliar onde você se encaixa nessa frente.

Se for homem, suporte suas colegas, as mulheres da sua família, suas amigas e mesmo desconhecidas. Se tiver a chance, também não faz mal utilizar a sua infeliz posição privilegiada quando presenciar uma situação inadequada: levante-se, auxilie a(s) mulher(es) em situação fragilizada e faça um posicionamento (ou ação de fato) que demonstre que aquilo não deve acontecer. Por mais triste que a realidade seja, sua voz será mais facilmente ouvida e será bem-vinda. Se tiver chance, porém, dê voz a quem estiver passando pelo problema. Ela (ou elas) entende como ninguém aquilo pela qual está passando.

Se você for mulher, fortaleça, empodere e una suas forças às de outras mulheres quando algo estiver errado. Feminismo é grupo.

Mas se você não quiser ajudar, caro leitor ou leitora, há ainda a opção que dei no início: não atrapalhe! Evite criticar o feminismo utilizando fake news, dados tendenciosos ou discurso de ódio. É permitido discordar, mas o respeito é premissa em qualquer situação.

E é isso…

Como disse, não sou especialidade e nem a voz mais indicada no assunto. Se lendo o texto de hoje, você ainda não ficou convencido de que o feminismo é necessário, leia os textos que deixarei no rodapé do post de hoje e procure se informar em canais femininos sobre o tema. Elas sabem o que falam e podem te ajudar na desconstrução desse medo, receio ou preconceito.

Arrivederci! 🙂

Extra: textos bacanas sobre o tema:

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