Quatro meses no Reino Unido: qual a minha experiência até aqui

Photo by Mike Stezycki on Unsplash.
Photo by Mike Stezycki on Unsplash.

Olá!

Hoje eu gostaria de fazer uma análise rápida do que eu já percebi vivendo no Reino Unido.

Até agora, morei apenas um mês fora de Londres, em Hatfield, uma cidade pequena que fica próxima da capital. É lá que fica a sede da empresa onde trabalho, então fiquei em AirBnBs por lá até encontrar algo definitivo em Londres.

No comecinho de janeiro, me mudei de mala e cuia para a capital da Inglaterra, em um bairro na zona norte da cidade.

De um modo geral, adorei a cidade!

Com mais de 8 milhões de habitantes, ela tem vários aspectos que me lembram São Paulo, como a vida agitada, a grande seleção de museus disponíveis e um número enorme de restaurantes.

As semelhanças, porém,  param por aí.

Segurança

Por mais que uma cidade grande signifique na maioria dos casos um nível maior de violência, tenho que dizer que me sinto mais seguro por aqui.

A presença de armas de fogo nas ruas de Londres é, se não for nula, ínfima.

Há um controle mínimo quando se pretende comprar objetos que podem ser utilizados como arma. Uma “inofensiva” chave de fenda, por exemplo, exige que você comprove estar na maioridade. Em teoria, seriam 18 anos, mas há banners nos comércios alertando: se você é “sortudo” o suficiente para parecer ter menos de 25, o lojista poderá solicitar seu documento para verificar se você tem mais de 18 anos.

Uma coisa que sempre me alertam por aqui é a questão do roubo de celulares.

Há alguns dias, em um restaurante da cidade, deixei o celular marcando a mesa e fui até o caixa, sempre com um olho no celular e outro no atendente. Assim que me afastei, uma senhora veio com meu celular nas mãos, perguntando se era meu. Ao confirmar, me deu uma bela de uma bronca! Entre outras coisas, me explicou que isso não é seguro e jamais deveria deixar bens de valor fora de atenção.

O furto de celulares, na maioria dos casos, ocorre simplesmente puxando o aparelho das mãos de desavisados. Logo, se você tiver o cuidado de segurar o aparelho de forma firme e protegida, não deverá ter problemas.

Uma coisa que me deixa um pouco assustado, mas que nunca presenciei, são os crimes de stabbing, ou seja, esfaqueamento. Na maioria dos casos, jovens menores de idade atacam pessoas aleatoriamente nas ruas da cidade com facas ou objetos similares, causando a morte das vítimas. Só do começo do ano até agora, pelo que vi em um jornal circulando em Londres, foram mais de 30 casos!

Cordialidade da população

Londrinos, mas também os britânicos no geral, são muito educados!

Eles pedem desculpas o tempo todo, pedem licença e seguram a porta para você passar. É um hábito que a maioria cultiva e eles ficam felizes quando recebem esse tratamento de volta.

Isso não quer dizer que eles sejam simpáticos ao extremo! Eles são cordiais e respeitosos, mas também são mais reservados do que os brasileiros.

Hábito de leitura

Em São Paulo, uma das coisas que eu adorava ver no transporte público era o número crescente de pessoas com livros em punho, curtindo uma leitura enquanto o caminho de casa ainda demandava mais um bom tempo.

Aqui, esse hábito parece ser ainda mais frequente. Vejo gente de todas as idades com livros nas mãos, mas leitores digitais, além de jornais e revistas.

É algo que me agrada muito e me inspirou a retomar o hábito da leitura esse ano.

Ode ao sol

Esse hábito parece ser do europeu de um modo geral, mas aqui pude conferir pessoalmente.

Acostumados com dias mais cinzentos, nublados ou chuvosos, os britânicos não perdem um dia de sol.

Eles saem para parques, praças, cafés ao ar livre e restaurantes. Se possível, ainda pegam uma corzinha!

Para nós, brasileiros, o sol é quase fator diário, então só damos importância a ele quando está chovendo, mas por aqui a gente logo pega o ritmo e tenta sempre dar uma escapadinha e tomar um pouco de sol também.

Elegância

Ser bem vestido ou não é relativo e ninguém deve ser julgado por isso, mas é verdade que os britânicos têm um senso de moda mais apurado do que a média.

Especialmente no inverno, é muito bacana andar pelas ruas e reparar nas diferentes combinações que homens e mulheres testam no vestuário. Na maioria das vezes, estão muito elegantes!

Idioma bastante diferente

Como alguém nascido e criado no Brasil, sempre fui exposto ao sotaque e ao vocabulário americanos.

Sempre adorei o jeito de falar do britânico, mas me surpreendi quando cheguei aqui.

De uma forma geral, porque eles possuem uma infinidade de sotaques e diferentes níveis de entonação nas frases.

Há quem fale quase cantando, quem fale BEM baixinho e quem acelere ao máximo nas conversas.

Nos primeiros dias, eu acho que entendia uns 30% do que as pessoas falavam. Agora, com a convivência, acho que entendo uns 70%, mas depende muito do contexto.

Não vai ter flerte!

O povo daqui é muito mais reservado do que o brasileiro geralmente é.

É super complicado observar se alguém está ou não demonstrando interesse em você. É bem mais sutil e difícil de interpretar, o que também pode ser mais positivo se você for do tipo de pessoa que detesta gente muito pra frente.

Dica: Em uma das publicações anteriores, eu também falei sobre as diferenças no ambiente de trabalho entre Brasil, Portugal e Reino Unido. Vale dar uma conferida!

 

E é isso!

Além desses fatores, há algum outro que você gostaria de saber?
Me conte nos comentários…

Arrivederci! 🙂