Brasil, meu querido, quanto tempo!

Photo by Rafaela Biazi on Unsplash.
Photo by Rafaela Biazi on Unsplash.

Olá!

Nesta semana, se tudo ocorrer como esperado, embarco para o Brasil para matar as saudades da família, dos amigos e da terra onde nasci e fui criado.

Já estou meio emotivo há alguns dias, ansioso e apreensivo pela viagem, mas também pelo tchau (mesmo que por pouco tempo), para o local que me acolheu há alguns meses: o Reino Unido.

No começo de 2018, com uma rotina cansativa no trajeto entre casa e trabalho (5 horas diárias) proporcionada no emprego novo, estava pela segunda vez no mesmo ano pensando em trocar de emprego.

Me abri ao mercado, mas principalmente a experiências no exterior. No Brasil, se fosse para permanecer, continuaria onde estava, pois o emprego me agradava bastante e eles tinham a perspectiva de em algum momento mudarem o escritório para mais perto de São Paulo.

Surgiu então uma oportunidade para Portugal. Participei do processo e passei. Menos de um mês depois, lá estava eu na região de Lisboa trabalhando.

Como nem sempre as coisas saem como combinado ou planejado, sete meses depois me despedi de Lisboa rumo ao Reino Unido.

Fiz amizades muito especiais em Lisboa, entre brasileiros, uma cabo-verdiana e portugueses. Só que o Reino Unido fazia mais sentido naquela época e, pelo menos por enquanto, continua a fazer.

Volto agora ao Brasil no período em que completarei um ano desde a minha saída. Desta vez, apenas de visita. É neste ponto, inclusive, que gostaria de esticar a conversa contigo, leitor(a) e colega de cafezinho.

Vários amigos que conheci em Portugal haviam saído de terras tupiniquins após algum trauma, seja ele por ter sofrido algum assalto, ter presenciado um tiroteio ou qualquer outro problema.

Eu, por outro lado, saí do país porque naquele momento fazia sentido, mas apenas com a intenção de ter uma experiência com tempo limitado e então retornar.

Hoje, um ano após minha saída, os planos mudaram um pouco…

Não que eu me veja morando no exterior para sempre, pois o futuro ainda não está definido, mas eu consegui encontrar uma oportunidade de emprego que tem feito sentido, com colegas de diferentes partes do mundo convivendo em uma troca entre culturas bem bacana.

Visito o Brasil cheio de saudades, com uma vontade imensa de rever a família, os amigos e muita gente que faz parte da minha história.

Visito a terrinha também para matar a saudade da culinária, que entrou na minha vida desde sempre e construiu laços afetivos que cozinha nenhuma no mundo pode substituir.

Apesar disso, volto com receio do que vou encontrar no Brasil.

O país, que antes mergulhava em escândalos de corrupção, quis mudar de rumo e “eliminar” a corrupção apenas com a troca de partido, sem avaliar muito o que viria no pacote.

O resultado foi o nascimento de uma fase que parece retratar um país que deveria estar no passado, com um governo completamente regido por preceitos religiosos, que tentar pregar a eliminação de “ideologias” enquanto enfia a sua própria visão restritiva por goela abaixo do povo brasileiro.

Nossa Amazônia parece estar mais ameaçada do que nunca, crimes de ódio parecem estar proliferando muito acima do habitual e tudo indica que índios, quilombolas e demais comunidades marginalizadas estão, mais do que antes, na mira de poderosos de poucos escrúpulos.

Vou para o Brasil matar a saudade do meu país triste com o que vejo nos jornais.

Espero, de coração, que tudo esteja menos trágico do que aparece na mídia brasileira e internacional e que nosso povo não permita que nossas mãos tupiniquins se sujem de sangue inocente, seja na precarização dos serviços básicos aos mais necessitados ou nos crimes de ódio contra ativistas e minorias, problemas seríssimos e que deveriam ter ficado no século passado.

Hoje, meu Brasil, eu só quero te ver de novo.

Espero, porém, voltar com aquele mesmo orgulho e alegria que sempre senti em relação ao país onde nasci.

E você, já passou por experiência semelhante? O que sentiu?

Arrivederci! 🙂

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