Lisboa: revisitando a cidade que já foi minha casa – parte 1

Interior do Mosteiro dos Jerónimos. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.
Interior do Mosteiro dos Jerónimos. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.

Como muitos já sabem, já morei em Portugal por sete meses, sendo cinco deles especificamente dentro de Lisboa. Pela primeira vez, porém, visitei a cidade como um turista.

É interessante a sensação de passear pelos locais que um dia eram tão comuns para você, mas desta vez com o olhar de um visitante.

Apresentando a cidade a um amigo, visitei muitos locais que já conhecia, mas também fui a outros pela primeira vez. Neste texto, portanto, te apresentarei mais um pouco sobre a capital portuguesa.

Se você quiser conhecer outros lugares ou mesmo saber mais detalhes de alguns pontos turísticos que já visitei e cito aqui, basta conhecer os outros textos que já trouxe sobre Lisboa.

O primeiro ponto que visitei foi a Praça dos Restauradores. É uma praça simpática, bem no começo da Avenida da Liberdade. Uma das principais avenidas da cidade, com inúmeras lojas de grife, empresas de diversos setores e uma boa área arborizada, ela oferece bastante sombra nos dias mais exaustivos de verão.

Saindo dali, passamos pela Estação do Rossio. Uma das estações mais lindas da cidade, sua fachada é de admirar por uns bons minutos. Quando chegamos até ela, estava ainda um dia claro, mas vale a pena passar por lá também durante o período da noite, quando as luzes produzem um efeito muito bonito.

Estação do Rossio. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.
Estação do Rossio. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.

Mudando um pouco o rumo, fomos para uma das praças mais bonitas de lá: Praça do Comércio (Terreiro do Paço). Aqui, vale observar o Arco da Vila Augusta, que dá acesso à rua de mesmo nome. É outra das vias em Lisboa com várias lojas e restaurantes.

Aproveite para visitar o Terreiro do Paço quando o sol não estiver no seu ápice, pois a vista do rio Tejo logo em frente, com a área em volta sempre ao som de algum artista no fim de tarde, é linda.

Nossa próxima parada foi o Elevador da Glória (ou Ascensor da Glória), um bondinho que conecta a Avenida da Liberdade ao Miradouro de São Pedro de Alcântara. Este miradouro oferece uma vista interessante da cidade, com uma perspectiva privilegiada do Castelo de São Jorge (falo mais dele aqui) e outros pontos, além de um pequeno trecho do rio Tejo.

O Elevador da Glória é pago, obviamente, e o percurso é curto. Avalie antes de entrar. Apesar de curto, o trajeto que ele percorre é bastante íngreme, então dependerá um pouco também do seu condicionamento físico.

Saindo dali, fomos até a Ginjinha do Carmo. Típica da vila de Óbidos, no distrito de Leiria, também é encontrada na capital portuguesa. Trata-se de um licor de ginja, fruta comum em Portugal (semelhante à cereja). Em Óbidos, é comum que se tome a ginjinha em um copo de chocolate, comendo depois o recipiente. Antigamente, isto não era possível em Lisboa, onde eles serviam o produto em copinhos de vidro do tamanho de um shot de vodka, mas hoje já há também o copinho de chocolate na Ginjinha do Carmo.

No dia seguinte, começamos nosso passeio na Fábrica dos Pastéis de Belém. Talvez o quitute doce mais famoso de Portugal, os pastéis de Belém só recebem este nome aqui, na fábrica mais famosa da iguaria, localizada em Belém, região às margens do rio Tejo. E qualquer outro lugar de Lisboa e Portugal como um todo, você deve pedir por pastéis de nata. Se pedir por “pastéis de Belém”, te convidarão a ir a Belém. 😀

O que comemos na Fábrica dos Pastéis de Belém. Quase nada! rs Foto por Adriano Donato Couto.
O que comemos na Fábrica dos Pastéis de Belém. Quase nada! rs Foto por Adriano Donato Couto.

Aberto desde 1837, o local é lindo por dentro. Há a opção de entrar na fila (sempre enorme) e comprar as caixinhas de pastéis de Belém para levar, mas o ideal é entrar (sem pegar a fila) e andar pelo local à procura de uma mesinha. Depois disso, é só chamar o garçom mais próximo, pedir um cardápio e se deliciar com diversas sobremesas e salgados típicos portugueses, mas também com uma das melhores coxinhas (tipo a nossa brasileira) de Lisboa.

No site da Fábrica dos Pastéis de Belém, você encontra mais detalhes.

Como de praxe, passamos pelo Mosteiros dos Jerónimos e entramos na linda Igreja dos Jerónimos (ou Igreja de Santa Maria de Belém). Diferente do mosteiro, a igreja tem entrada gratuita. Só tem que ter paciência, pois ela não é aberta aos visitantes quando há missas ou casamentos.

Igreja de Santa Maria de Belém. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.
Igreja de Santa Maria de Belém. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.

Entre outras coisas, é na Igreja dos Jerónimos que se encontra o Túmulo de Camões, um dos pais da literatura portuguesa.

Saindo da igreja e indo em direção ao Tejo, passamos pelo Padrão dos Descobrimentos, Torre de Belém, Jardim da Praça do Império e outros locais nas redondezas. Se você quiser saber mais detalhes, há um texto por aqui sobre um passeio anterior que fiz nesta parte da cidade.

Para terminar o dia, passamos pelo Café A Brasileira (também conhecido como A Brazileira do Chiado). O local foi criado por um português (Adriano Soares Teles do Vale) que morou no Brasil e ali havia enriquecido com várias atividades, entre elas a produção de café. Regressando a Portugal quando sua esposa adoeceu, abriu em Lisboa em 1905 A Brazileira do Chiado, que vendia “o genuíno café brasileiro”. Não abriu, porém, apenas este “A Brazileira”, mas também no Porto e em Braga, por exemplo.

Fernando Pessoa era um frequentador habitual do local. Há inclusive uma estátua dele à mesa em frente ao café. Sinta-se à vontade para tirar uma foto com ele! 🙂

Se você quiser entrar e apreciar a arquitetura e a decoração do local, não se arrependerá, mas fique atento aos preços. São bem salgados para os padrões de Portugal!

Saindo dali, fomos em direção ao nosso próximo destino, mas antes passamos pela Casa do Ferreira das Tabuletas, cuja construção foi requisitada em 1864 por Manuel Moreira Garcia, um senhor de origem galega com conexões com a maçonaria. O nome do edifício faz referência ao “azulejador” e pintor de sua fachada, Luís António Ferreira, que imprimiu nesta parte do edifício diversos elementos de riquíssimos detalhes.

Casa do Ferreira das Tabuletas. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.
Casa do Ferreira das Tabuletas. Lisboa, Portugal. Foto por Adriano Donato Couto.

Chegamos então ao Largo do Carmo, que conta com o Convento do Carmo, com ruínas de uma igreja antiga (entrada paga).

Aproveitamos que estávamos por ali e visitamos o Elevador de Santa Justa, com sua vista privilegiada de Lisboa.

Aqui, porém, há um truque para você quando quiser conhecer o local: acesse o primeiro nível da torre do elevador a partir do Largo do Carmo, passando pela Travessa Dom Pedro de Menezes e subindo as escadas do restaurante que se conecta ao elevador.

Neste nível, a visitação é gratuita e a vista já é bem bacana. Para acessar o nível superior ou descer para a Rua Áurea, há pagamento. Eu, particularmente, não penso que compense pagar.

Terminamos nosso dia dando uma volta pelo Bairro Alto, um dos mais boêmios da cidade. Aqui você encontra uma infinidade de pequenos bares e locais para dançar, sempre em meio a uma muvuca danada. O bom é que você encontra todo tipo de lisboeta e visitante, pode beber por um preço mais acessível e conhece uma galera jovem e super simpática.

O primeiro dia completo em Lisboa terminou aqui, mas na semana que vem eu te conto mais locais que visitei por lá.

Arrivederci! 🙂

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