Barcelona: um roteiro completo (parte 1/5)

Ao centro, Casa Amatller e Casa Batlló. Foto por Adriano Donato Couto.
Ao centro, Casa Amatller e Casa Batlló. Foto por Adriano Donato Couto.

Depois de te dar dicas de transporte, hospedagem e alimentação em Barcelona, chegou a hora de lançar o primeiro de cinco textos com roteiros diários por lá.

Barcelona é uma cidade sensacional, que nunca será totalmente conhecida pelos turistas, mas com os locais que citarei aqui, você já poderá considerar que possui um bom conhecimento sobre a capital catalã.

No primeiro dia, saí do hotel e fui direto até a Casa Amatller. Como eu estava mais interessado nas obras de Gaudí, acabei passando pelo café da casa Amatller e conferindo algumas partes acessíveis sem a compra de ingresso.

A Casa Amatller foi consruída em 1875 por Antoni Robert, mas em 1900 teve finalizados trabalhos de restauração conduzidos por Josep Puig i Cadafalch.  É toda elaborada em estilo neogótico, seguindo os ideais do senhor Amatller, dono de uma fábrica de chocolates, colecionador de vidros e amante de fotografia.

A entrada custa 16,50€ (preço promocional online). Se você quiser encontrar mais informações sobre a casa, recomendo o site oficial e o texto do blog Sol de Barcelona, rico em informações e repleto de fotos.

Do lado direito da Amatller, você encontra a Casa Batlló. Talvez a casa mais icônica entre aquelas construídas por Gaudí, esta casa hoje pertence a uma família, que conduz os trabalhos de restauração, conservação e acesso a visitantes.

Casa Batlló em destaque. Foto por Adriano Donato Couto.
Casa Batlló em destaque. Foto por Adriano Donato Couto.

É impossível passar por ali e não se apaixonar. Recomendo que vá mais cedo, quando há menos movimento, pois as filas são quilométricas o dia todo, mas mais tarde há também uma multidão de curiosos tentando capturar alguma foto do local.

Sua construção foi iniciada em 1877, em estilo bem mais simples, mas teve trabalhos de restauração entre 1904 e 1906 comandados por Gaudí, com colaboração de Josep María Jujol e Joan Rubió i Bellver. Foi nesta época que os elementos que hoje a tornam tão memorável foram adicionados. Pelo estilo das colunas de sua fachada, por exemplo, a casa é conhecida também como “casa dos ossos”.

Quando for visitar, acho necessário dedicar umas duas horas no local, pois o estilo modernista da construção é de tirar o fôlego. A inspiração na natureza, a aplicação de elementos de iluminação e estética que se preocupam também com a funcionalidade e muitos outros fatores merecem uma visão paciente e atenta.

Se possível, compre online o bilhete com “SmartGuide”, um aparelho que utiliza realidade aumentada para adicionar mobília e outros itens aos cômodos vazios atuais. No site oficial, você pode comprar ingressos e obter mais informações. A opção mais barata, com o SmartGuide, custa 25 euros.

Saindo dali, fui até a famosa Plaça de Catalunya, uma praça imponente com sua fonte e diversas esculturas. É também um dos pontos de encontro na cidade e área de chegada de boa parte dos ônibus de turistas vindos do aeroporto.

Seguindo adiante, fui até a Font de Canaletes, uma das várias fontes da capital. Esta, porém, guarda uma história que atrai muitos turistas: beba da sua água e você se encantará pela cidade e sempre retornará. Sinceramente, nem precisa tomar água por aqui para se apaixonar pela cidade, mas não custa seguir o ritual, não é mesmo? 😛 Foi construída em 1892.

 

Font de Canaletes. Foto de Adriano Donato Couto.
Font de Canaletes. Foto de Adriano Donato Couto.

Já com a garrafinha reabastecida de água, passei pela Església de Santa Anna. Parte do monastério de mesmo nome, a construção do templo foi iniciada no final do século XII. A entrada custa 2 euros.

Perto dali, um mural chama bastante a atenção. O mosaico El Món Neix en Cada Besada (“o mundo começa em cada beijo”, em tradução livre) fica na Plaça d’Isidre Nonell. Instalado em 2014, a obra foi idealizada por Joan Fontcuberta, que reuniu fotos enviadas por milhares de residentes da cidade, compondo a cena do beijo.

Segui em frente e passei pela Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália (Catedral de la Santa Creu i Santa Eulàlia, em catalão), a catedral da cidade. Sua história passa por templos anteriores que remontam ao século IV, mas a construção atual foi iniciada em 1298, em estilo gótico. A entrada é gratuita em alguns horários (confira no site oficial os horários para oração), com acesso aos espaços gerais. Se quiser visitar o coral, o telhado e claustro, pagará à parte. Como na maioria dos templos religiosos, exige-se ombros cobertos e saias/bermudas até os joelhos.

Ali nas redondezas há também a Pont del Bisbe (Ponte do Bispo), construída em 1929 por Joan Rubió i Bellver, que queria construir uma série de novas construções em estilo gótico pela cidade, substituindo prédios mais “feios”. Seus planos foram frustrados, porém, e o governo apenas permitiu a construção da ponte. Há na ponte uma caveira com uma adaga, inserida pelo arquiteto como vingança pela recusa ao projeto inicial. Segundo a lenda, que passar por ali e ver a caveira, cairá por conta de um feitiço maligno.

O próximo destino foi a Plaça de Sant Felip Neri, ponto importante da cidade. À primeira vista, você não dará muita coisa pela praça, dada a imponência de outros pontos da cidade.

Siga adiante, porém, e observe a fachada da Església de Sant Felip Neri, ao fundo na praça. É impossível não observar as diversas marcas nas paredes.

Església de Sant Felip Neri, com fachada danificada por bombardeios. Foto de Adriano Donato Couto.
Església de Sant Felip Neri, com fachada danificada por bombardeios. Foto de Adriano Donato Couto.

As marcas foram feitas em 1938, durante um entre vários bombardeios aéreos em Barcelona promovidos pelos nacionalistas, forças apoiadas pelos fascistas e nazistas. O objetivo principal era desestabilizar um dos redutos dos republicanos, seus inimigos na Guerra Civil Espanhola.

Em um dos bombardeios, os estilhaços marcaram as paredes da igreja, mas também mataram várias pessoas, principalmente crianças, que estavam abrigadas no subsolo da igreja. Na ocasião, autoridades representantes do ditador espanhol Francisco Franco espalharam boatos de que as marcas eram fruto de balas de anarquistas durante a execução de sacerdotes, em uma tentativa de esconder o resultado terrível dos ataques comandados por Franco.

Perto dali, segui adiante e passei pela Basílica de Santa Maria del Pi, templo do século XIV com uma rosácea impressionante em sua fachada. Seu estilo é gótico catalão. O valor do ingresso geral é 4,50€, mas há opções mais caras, com acesso à torre do sino ou mesmo uma visita noturna, com guia. No site da igreja, você confere mais detalhes.

Saindo desta região, segui em direção à Casa Bruno Quadros, ou “Casa dos Guarda-chuvas”. Foi reformada em 1883 por Josep Vilaseca, já com vistas à Esposição Mundial, que se daria em 1888 na cidade. Seu apelido se dá pelos guarda-chuvas aplicados à sua fachada, que ostenta diversos elementos de influência japonesa, apesar de não ser o único estilo aplicado na construção.

A próxima parada tinha várias razões para gerar muita expectativa. O Mercat de Sant Josep (La Boqueria) é uma espécie de mercadão, repleto de frutos do mar, vegetais, frutos e outros itens típicos da Espanha e da Catalunha, como o jamón (o presunto ibérico). Por ali também é possível encontrar uma boa paella, em um restaurante em uma de suas extremidades. Se quiser conhecer mais detalhes, recomendo o site do lugar.

La Boqueria. Foto por Adriano Donato Couto.
La Boqueria. Foto por Adriano Donato Couto.

Já próximo do fim do dia, cheguei ao Palau Güell, mais uma das obras de Gaudí, sendo um dos exemplos de trabalhos mais na fase inicial de sua carreira. Os ingressos custam 12 euros, mas há outras opções no site. A fachada é linda, apesar de mais simples se comparada com a da casa Batlló. Foi construído entre 1886 e 1888 a pedido de Eusebi Güell, um dos principais clientes do arquiteto.

Dica: o blog Passaporte BCN tem um texto bem bacana sobre o palácio. Eles citam que o bairro El Raval, onde o palácio está, não é muito seguro. Logo, é bom evitá-lo durante a noite.

E é isso…

A cidade nos ganhou já no primeiro dia, com sua exuberância e atmosfera que respira arte e arquitetura por todo canto.

Na semana que vem, continuo o roteiro pela cidade.

Arrivederci! 🙂

 

Roteiro completo de 5 dias por Barcelona

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