Barcelona: um roteiro completo (parte 3/5)

Vista da cidade através do Monument a Colom Vista da cidade através do Monument a Colom

O terceiro dia, como nos outros, foi de bastante caminhada.

A primeira parada foi nos arredores da Casa Milà (ou La Pedrera). Uma das obras mais famosas de Gaudí, em sua cobertura há algumas chaminés com topo pontiagudo similar a chifres. Este padrão foi utilizado também no capacete de alguns soldados esculpidos na fachada da Paixão da Basílica de La Sagrada Família.

Casa Milà (La Pedrera)
Casa Milà (La Pedrera)

A construção da casa se deu entre 1906 e 1912, repleta de controvérsias. Gaudí não seguiu as regras para construção da época. Isto gerou conflito com a administração municipal, que acabou aceitando a obra, mas exigindo um pagamento de multa.

A família Milà, que encomendou a obra, chegou a entrar em disputa judicial contra o arquiteto por conta disso, mas Gaudí venceu o caso, fazendo com que a família tivesse que hipotecar a casa para pagar o arquiteto, que doou tudo para um convento.

Para mais informações, inclusive sobre ingressos, recomendo o site oficial da instituição.

Saindo dali, passamos pela Casa Vicens, declarada pela administração do local como a primeira casa idealizada por Gaudí na cidade. Sua construção se deu entre 1883 e 1885, a pedido de Manel Vicens i Montaner, um negociador de ações e operador de câmbio. Seria a casa de verão do solicitante.

Fachada da Casa Vicens
Fachada da Casa Vicens

O que mais me impressiona é o fato dela ser bem mais quadrada e cheia de “quinas”, diferente do modelo mais sinuoso e inspirado na natureza das outras casas que conheci.

O ingresso básico para a casa custa 16 euros se comprado pelo site, 18 se adquirido presencialmente.

Após passar por ali, seguimos para o principal destino do dia, a uma boa caminhada de distância: Park Güell.

Vale ressaltar que há duas áreas principais dentro do parque: a parte de acesso livre e sem pagamento, que ocupa o maior espaço; e a parte “Monumental”, que engloba uma série de construções idealizadas por Gaudí. Para a parte Monumental, há o pagamento de uma taxa, com horário marcado para entrada.

Para adquirir os ingressos, o melhor é acessar diretamente o site do espaço.

Inicialmente idealizado pelo empresário Eusebi Güell como um condomínio-parque na área elevada da cidade, seu amigo Antoni Gaudí foi o responsável pelo projeto, que teve sua construção iniciada em 1900.

A ideia inicial, porém, não se concretizou. Das casas idealizadas para ocupar o espaço, apenas algumas foram de fato construídas.

Por se tratar de um espaço gigante, eu recomendaria que você focasse em alguns espaços específicos: o Turó de les Tres Creus, um mirante no topo do parque, é uma das principais áreas do acesso livre. Fora essa parte, há as redondezas da Casa Museu Gaudí, residência do arquiteto dentro do parque por um período anterior àquele em que morou na própria área da basílica. Por último, há a própria estrutura do parque, disposição de plantas e estilo das vias, colunas e outros itens.

Dica: a entrada para a Casa Museu Gaudí pode ser adquirida online junto do ingresso da Basílica de La Sagrada Família, mas também pode ser adquirido no local. Expliquei melhor sobre isso na segunda parte do roteiro. Não deixe de passear pelos jardins da casa!

Saindo dali, na área monumental (paga), há uma imensidade de outros pontos. Há a Casa del Guarda, L’escalinata del Drac, Salão Hipóstilo e várias outras construções. Para não perder nenhum detalhe, pegue o guia impresso logo na entrada do passeio na área monumental e siga o percurso programado.

Vista parcial da área Monumental do Park Güell
Vista parcial da área Monumental do Park Güell
Detalhe do teto do Salão Hipóstilo. O interior deste grande salão sustentado por colunas é impressionante. Entre os materiais, cacos de azulejo e partes de cerâmica, vidro e outros materiais.
Detalhe do teto do Salão Hipóstilo. O interior deste grande salão sustentado por colunas é impressionante. Entre os materiais, cacos de azulejo e partes de cerâmica, vidro e outros materiais.

Quando comprar o ingresso para a área monumental, não se esqueça de que ele também te dá acesso ao Bus Güell, um serviço de transporte entre o parque e a estação Alfons X do metrô.

Esta salamandra é uma das obras mais famosas de Gaudí no parque, presente em muitos itens de suvenir para turistas
Esta salamandra é uma das obras mais famosas de Gaudí no parque, presente em muitos itens de suvenir para turistas

Passadas umas três horas por ali, entre museu, área gratuita e zona monumental, pegamos o ônibus e seguimos para Barceloneta, região de praia, para caminhar pela orla.

Por ali, visitamos alguns monumentos da região:

  • El Cap de Barcelona: escultura de Roy Lichtenstein para os Jogos Olímpicos de 1992 na cidade, seu nome significa “A Cara de Barcelona”. Tem um estilo pontilhado similar à pop art, mas também evocando Gaudí e a própria Catalunha com seu revestimento em azulejos coloridos.
  • Langosta de Mariscal: também conhecida como La Gamba ou Gambrinus, é uma escultura de fibra de vidro que representa uma lagosta (ou um camarão com pinças de lagosta). Originalmente, foi desenhada pelo artista espanhol Javier Mariscal a pedido de seu amigo arquiteto Alfred Arribas para um restaurante da cidade. Com a falência da rede e uma série de disputas judiciais, passou para as mãos da administração da cidade, se tornando mais uma peça importante na renovação da região.
  • Monument a Colom: o monumento a Cristóvão Colombo é uma das estátuas mais famosas da cidade. Por 6 euros, pode-se subir de elevador até o topo, com uma visão privilegiada da capital. O monumento foi concebido por Gaietà Buïgas, com estátua do escultor Rafael Atché. Foi inaugurada como parte das renovações para a exposição mundial de 1888.

E por hoje é só… Espero que esteja gostando dos relatos da cidade.

Arrivederci! 🙂

 

Roteiro completo de 5 dias por Barcelona

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