Tower of London: um dia neste ícone da capital britânica

Vista da Torre de Londres a partir do edifício The Shard, 2013. Versão em menor resolução da foto de "Duncan" from Nottingham, UK. Licença de uso do arquivo original: CC BY 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/2.0). Link do arquivo original: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tower_of_London_from_the_Shard_(8515883950).jpg Vista da Torre de Londres a partir do edifício The Shard, 2013. Versão em menor resolução da foto de "Duncan" from Nottingham, UK. Licença de uso do arquivo original: CC BY 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/2.0). Link do arquivo original: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tower_of_London_from_the_Shard_(8515883950).jpg

Para muitos que visitam Londres, a Tower of London (ou Torre de Londres, em bom português) é sinônimo de joias da coroa britânica.

Não é que este pensamento esteja errado, mas é bastante reducionista em termos da importância que o local tem.

Se você quer ter uma ideia da dimensão do lugar, confira este mapa da área.

 

O que é a Tower of London?

Antes de mais nada, é bom deixar claro que este nome representa, na verdade, uma extensa área às margens do rio Tâmisa, (ou rio Thames, como eles chamam o rio por aqui).

Sendo assim, a “Torre de Londres” é, na verdade, um grupo de diferentes construções, entre elas torres, casas, muralhas e outras coisas.

Hoje, a principal função desta imensa área é, de fato, a proteção das joias da coroa, que envolvem uma série de artefatos, entre coroas, tiaras, utensílios para as cerimônias de coroação e vários trajes importantes, só para citar alguns exemplos.

Apesar disso, toda esta riqueza material (e histórica) fica guardada em um único edifício, chamado de Waterloo Barracks. Aliás, não teremos fotos de nada dessa parte por aqui, já que é expressamente proibido fotografar.

Waterloo Barracks - Tower of London. É aqui que se pode conferir as joias da coroa.
Waterloo Barracks – Tower of London. É aqui que se pode conferir as joias da coroa.

Além dela, há outras casas, com as mais diversas funções, além de alguns monumentos e pontos importantes.

Entre as diversas fases da área tida como “Tower of London”, as primeiras movimentações para construção de uma torre na área para manter londrinos “hostis” distantes data de 1066 por William, O Conquistador.

O conjunto de construções, cuja construção se deu em diferentes épocas, já serviu como prisão política (e de guerra), casa de armas, casa da moeda, residência esporádica dos líderes da monarquia britânica e várias outras funções.

Residências na Tower of London. Esta é uma das partes com moradores na Tower of London. Parece um vilarejo antigo!
Residências na Tower of London. Esta é uma das partes com moradores na Tower of London. Parece um vilarejo antigo!

 

Como otimizar seu tempo durante a visita

Para visitar a torre e aproveitar melhor o tempo (e o dinheiro) gasto, conhecendo o máximo das opções disponíveis, o melhor é seguir a seguinte ordem:

Na entrada, se você chegou no momento da abertura, se dirija diretamente à torre das joias da coroa, conhecida como Waterloo Barracks (no mapa citado acima, procurar por Crown Jewels).

Esta dica foi dada por um dos Yeomen Warders (guardas responsáveis pela torre) enquanto aguardávamos pelo início de um dos tours que eles fazem durante o dia pela Tower of London. O motivo não poderia ser mais justo: os tours guiados acontecem várias vezes durante o dia e o primeiro é sempre lotado. Por sua vez, a fila para a joia da coroa é menor no início do dia, se tornando insuportavelmente longa após as primeiras horas da manhã.

Depois de conferir toda a riqueza deste edifício, o melhor é seguir em direção à entrada para esperar na região marcada como Yeoman Warder guided tours, os passeios guiados pelos guardas.

O passeio vale muito a pena, pois eles conhecem bastante do lugar e te contam um resumo de cada área e curiosidades das imediações.

Saindo dali, dá para seguir o restante das dicas do mapa fornecido no começo do texto. Não se preocupe, porém! Há opção de guias impressos (pagos) com mapa e outras informações, que ajudam bastante durante sua passagem pelos locais.

O que visitar?

Esfera de Hew Draper of Bristol. Entre os diferentes tipos de prisoneiros que a Tower of London já abrigou, os
Esfera de Hew Draper of Bristol. Entre os diferentes tipos de prisoneiros que a Tower of London já abrigou, os ” feiticeiros” foram alguns dos mais comuns. Em comum entre os encarcerados, as escavações na parede para tentar passar o tempo. Na figura, uma esfera feita por Hew Draper of Bristol. Em volta, os símbolos do zodíaco. Trabalho de 1561.

Das opções citadas no mapa, além das Waterloo Barracks, recomendo os seguintes itens:

  • The White Tower: entre suas diversas funções no passado, serviu como residência de períodos curtos de alguns dos monarcas britânicos. Hoje, guarda uma boa coleção de itens de armamento antigos, um acervo interessante de armaduras e estátuas de cavalos em madeira e vários itens interativos, além de uma capela e exemplos de “banheiros” da época em que a construção servia ao seu uso original.
  • Bloody Tower: seção que abriga, entre outras coisas, exemplos de instrumentos de tortura utilizados no passado naquele lugar.
  • Medieval Palace: reprodução dos aposentos de uma residência medieval construída no mesmo lugar, incluindo a cama e alguns itens típicos daquele período.
  • Imprisonment at The Tower: entre outras funções, a Torre de Londres teve áreas voltadas para o encarceramento de pessoas, especialmente os presos políticos, rebeldes prisioneiros de guerra e membros da família real acusados de traição. É possível ver diversas marcas esculpidas pelas paredes em alguns dos cômodos em que pessoas foram encarceradas. Alguns, pela sua riqueza de detalhes, causam um impacto significativo na gente.
  • Royal Beasts: no passado, existiam diversos animais selvagens na torre, muitos deles dados como presente por líderes de outros países. Apesar de os animais terem sido removidos dali (e enviados para o zoológico de Londres) há bastante tempo atrás, há ainda esculturas deles em diferentes pontos.
  • Corvos: na ocasião, em especial durante o tour guiado, você aprenderá sobre a importância dos corvos para o lugar, do tratamento específico que eles recebem e da superstição que eles carregam, que faz com que se evite a todo custo que abandonem a torre (confira a legenda da foto com um corvo).
  • The Tower’s Mint: a casa da moeda já esteve entre as muralhas da torre. Em uma área reservada para exposição sobre o tema, pode-se conferir os métodos utilizados no passado para confecção de moedas, passando pela pesagem de material, fundição de metais e corte.
The White Tower.
The White Tower. “A Torre Branca” já teve diversas finalidades, inclusive como residência de monarcas por curtos períodos. É o ponto de maior destaque depois das joias da coroa.
“Royal Beasts”, Tower of London. No passado, diversos animais selvagens foram mantidos ali. Felizmente, hoje só se encontram esculturas destes animais.
Os corvos possuem muita consideração por parte até mesmo da rainha Elizabeth II. Na Tower of London, acredita-se que o grupo de seis corvos jamais pode abandonar a Torre de Londres. Se isto ocorrer, ela desmoronará. Por precaução, eles têm um ou dois a mais, inclusive.
Os corvos possuem muita consideração por parte até mesmo da rainha Elizabeth II. Na Tower of London, acredita-se que o grupo de seis corvos jamais pode abandonar a Torre de Londres. Se isto ocorrer, ela desmoronará. Por precaução, eles têm um ou dois a mais, inclusive.

Quanto tempo de passeio?

O tempo total dependerá do seu objetivo principal.

Eu e meu amigo, por exemplo, fomos querendo explorar ao máximo tudo que havia por ali.

Para isso, me arrisco a recomendar que você chegue assim que a torre abre, pois é quase impossível ver tudo (com calma e cuidado) sem sair de lá perto do horário de fechamento.

Caso isto seja impossível, reserve pelo menos metade do dia para visitar a estrutura. Menos do que isso, infelizmente, te causará sensação de estar perdendo alguma coisa (dinheiro, inclusive).

Em outubro de 2019, consta no site oficial que o horário de funcionamento de terça a sábado é das 09:00 às 17:30. Nos domingos e segunda-feiras, das 10:00 às 17:30. Para garantir, sempre consulte o site deles antes de planejar sua visita. Este horário, porém, é prolongado devido aos dias mais extensos desta época do ano. Durante o período mais frio, o período diário de funcionamento é mais curto.

No domingo que visitamos, chegamos às 9:50 nas imediações, compramos o bilhete e entramos. Saímos de lá quando a área já estava sendo esvaziada, perto das 17:30.

Oficialmente, o último horário de entrada é meia hora antes, mas nem perca seu tempo! Com este tempo, não daria nem para caminhar por toda a área aberta com a devida calma.

Como chegar?

Londres é uma cidade muito bem conectada, principalmente nas suas áreas mais turísticas. Desta maneira, você não deveria ter problemas para acessar a região da torre.

Quando for pesquisar, você pode utilizar o Google Maps (clique no link para abrir o mapa diretamente na região) ou o app de transporte mais popular da cidade: Citymapper.

Como ponto de referência para o destino, utilize a estação Tower Hill do metrô, pertencente às linhas Circle e District. De ônibus, pesquise pelas linhas que atendem a parada de nome “Tower of London”, seja lado A ou B da rua.

Valor dos ingressos + dica de economia

O valor dos ingressos no local é de 30,30 libras (adulto). Online, há um desconto no valor, como você pode conferir aqui.

Uma opção com ainda mais economia é o programa 2for1, patrocinado pela National Rail, gestora das ferrovias britânicas.

Neste programa, duas pessoas em posse de bilhetes de trem válidos para um determinado dia pagam o valor de apenas uma entrada (2 pelo preço de 1) para diversas atrações.

Em resumo, você precisa adquirir bilhetes de trem (em uma estação de trem, não pode ser estação de metrô) e apresentar no guichê no momento da compra. Para isso, você precisa ter bilhetes válidos para o dia da visita e o bilhete precisa ter como destino a cidade de Londres.

Um bilhete entre a estação Alexandra Palace do trem e London Kings Cross, por exemplo, custa a partir de 4,80 libras (a depender do dia e horário) por pessoa.

A opção mais tranquila (e que evita gastos desnecessários) é a obtenção de um travelcard das ferrovias britânicas, que pode ser comprado no formato que te dá acesso a toda a área das zonas 1 e 2 de transporte na cidade, que englobam as principais atrações turísticas, com acesso por ônibus, metrô ou trem.

Na dúvida, basta consultar este link para verificar se seu bilhete é aceito.

Além de ser mais barato do que o uso diário de transporte, esta opção te dá acesso a todas as atrações participantes do programa 2for1.

Por último, de posse de bilhetes válidos de trem (ou travelcards), você também precisará apresentar o voucher impresso, que pode ser emitido através do site do programa, clicando na atração desejada.

Para mais detalhes, confiram o texto sobre o programa 2for1.

 

Bônus: curiosidade sobre Yeomen Warders

Oficialmente, estes profissionais são oficiais do Palácio Real e Fortaleza de Sua Majestade (a Torre de Londres), cumprindo papel importante não só na proteção da torre, mas também na segurança durante eventos especiais, como a coroação de um sucessor na monarquia, batizados de membros da família real, etc.

Para entrar neste grupo especial, é preciso ter servido as forças armadas por pelo menos 22 anos, ter atingido o nível de warrant officer (alguns graus acima do nível inicial da carreira militar) e ter sido reconhecidos com medalha de longos serviços e boa conduta.

Eles vivem com seus familiares dentro da área da Torre de Londres durante todo o seu tempo de prestação de serviços como Yeoman Warder, até que se aposentem.

E é isso! Ficou com dúvida sobre algum ponto? Comente aqui embaixo que eu tento te ajudar! 🙂

Arrivederci! 🙂

Observação: a foto aérea da Tower of London é de 2013. Representa a visão que se tem da torre a partir do edifício The Shard. Aqui no blog, é uma versão em menor resolução. Fonte: Wikimedia Commons. Dados de autoria da foto original: [Duncan] from Nottingham, UK [CC BY 2.0], via Wikimedia Commons.