Algumas curiosidades sobre Londres e o Reino Unido

Tower Bridge - London. Foto por Adriano Donato Couto. Tower Bridge - London. Foto por Adriano Donato Couto.

Vivendo no Reino Unido (mais especificamente na Inglaterra) por mais de um ano, fui percebendo algumas particularidades sobre a cultura e o cotidiano daqui.

Já tinha este texto programado há algum tempo, mas nunca tirava ele realmente do papel. Depois de ver os textos super interessantes sobre o assunto no blog do Rick, Livin’ La Vida… Rick!, decidi que era hora de trazer aqui também as minhas impressões.

Pontualidade: uma das primeiras coisas que aprendi por aqui é que britânicos detestam atrasos, o que é perfeito para mim. Salvo em casos específicos, considero atraso uma certa falta de respeito com as demais pessoas que compareceram ao evento ou encontro programado.

Londres “não é” Inglaterra: assim como São Paulo, Londres é uma metrópole de milhões de habitantes. A área conhecida como “Grande Londres”, que corresponde a quase toda a região tida como Londres (e sob administração do prefeito) possuía, em 2018, cerca de 8.908.081 habitantes, segundo o Office for National Statistics (uma espécie de IBGE deles). Segundo o Migration Observatory, da Universidade de Oxford, em 2018, 35% da população da cidade era composta de pessoas não nascidas no Reino Unido. Por conta disso, leve sempre em consideração o seguinte: Londres é internacional. Diante disso, carrega muitos dos aspectos de uma cidade já mais acostumada com imigração em massa e especulação imobiliária altíssima. Nas cidades menores, mesmo em algumas vizinhas da capital, você terá uma experiência mais tipicamente britânica.

Tomadas com “botão de desliga”: pode parecer besteira, mas esta característica me chamou bastante a atenção quando me mudei para cá. Além do formato “em barra” dos três pinos das tomadas, elas geralmente possuem um interruptor ao lado, que permite interromper o fluxo de energia da tomada. Com isso, você não precisa tirar os aparelhos da tomada.

Tomada padrão do Reino Unido (além de Irlanda e alguns outros países). No meio, botões para "desligar" a tomada. Fonte: https://www.hellosockets.co.uk/ - "BG Electrical Nexus White Moulded SP Double Socket 822".
Tomada padrão do Reino Unido (além de Irlanda e alguns outros países). No meio, botões para “desligar” a tomada. Fonte: https://www.hellosockets.co.uk/ – “BG Electrical Nexus White Moulded SP Double Socket 822”.

É sempre hora de tomar uns drinks: não há muita cerimônia para ir a pubs por aqui. Não é raro ver o povo “bem alegre” pelas ruas ao meio-dia aos fins de semana, por exemplo. Para eles, para se tomar uma cerveja, basta que o lugar esteja aberto.

Interior do The Churchill Arms. De louça e bandeiras aos mais diversos objetos de época, a ornamentação no teto é de um charme à parte.
Interior do The Churchill Arms (pub muito conhecido de Londres). De louça e bandeiras aos mais diversos objetos de época, a ornamentação no teto é de um charme à parte.

Extra: dicas de pubs que você precisa conhecer em Londres.

O rolê começa mais cedo: em São Paulo, era comum sair com amigos sempre depois das dez da noite e ficar até depois da meia-noite. Por aqui, não é geralmente assim. O povo frequentemente emenda o programa logo após o trabalho e volta cedo para casa.

Cuidado ao dizer “semana que vem”: a semana por aqui começa oficialmente na segunda-feira. O leiaute padrão dos calendários, inclusive, incorpora essa ideia. Por conta disso, é sempre bom checar com quem você está conversando quando a expressão “próxima semana” surgir. Se for dita em um domingo, pode ser que ele queira se referir ao dia seguinte.

Ir ao “GP” por aqui não tem polêmica alguma: por aqui, assim como no Brasil, há um Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês). O primeiro ponto de contato, se não for atendimento de emergência, é com um GP (General Practitioner). O profissional seria a versão britânica de um médico Clínico Geral que atua como Médico da Família em uma comunidade. Para profissionais do sexo, tente outra expressão. 😀

Reino Unido não é uma coisa só: entre nós brasileiros, frequentemente se vê alguma confusão sobre Reino Unido e seus países-membros: Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Internacionalmente, do ponto de vista diplomático, eles são uma unidade administrativa. Eles são administrados de forma global pela Vossa Majestade Elizabeth II (monarca e líder de Estado) e um Primeiro-Ministro (líder de governo, eleito pelo Parlamento). Regionalmente, há uma versão de “Primeiro-Ministro” e um parlamento locais. Há certa independência entre estes países em termos de orçamento e de como eles gerem serviços públicos, como no caso do sistema de saúde. O único que possui menos independência entre eles é o País de Gales, que em alguns aspectos se junta à Inglaterra, como no caso de feriados nacionais e sistema de saúde.

Não confunda educação com abertura: ingleses são extremamente educados (a um nível já quase mecânico) e cordiais, mas não confunda isso com abertura para aproximação ou simpatia extrema. Eles estão sempre disponíveis para ajudar, mas falam geralmente mais baixo e são reservados. Se você não respeitar o espaço pessoal, poderá ouvir algum desaforo. Aliás, nada mais justo, não é mesmo?

A regra dos “100ml” em voos começou aqui: recentemente, em visita ao Science Museum, em Londres, descobri algo interessante. O órgão responsável por segurança em comunicações descobriu em 2006 que um plano terrorista estava em curso com intenção de atingir voos transatlânticos entre Reino Unido e EUA e/ou Canadá utilizando “soft drinks” (refrigerantes e similares), o flash de câmeras fotográficas e outros elementos. Imediatamente, o Reino Unido baniu quase todo tipo de item a bordo, limitando a permissão a documentos essenciais e carteiras. Posteriormente, as regras foram relaxadas e hoje se pode carregar pomadas, géis e líquidos em embalagens individuais de até 100ml cada, em um total somado de até 1 litro. Os recipientes devem caber em um saquinho plástico transparente com até 20cm x 20cm do tipo “ziplock“. Hoje, a regra é utilizada em muitos outros países. Na dúvida, porém, sempre cheque no site da sua companhia aérea.

Science Museum: exposição "Top Secret". Esta réplica foi utilizada em julgamento contra um grupo terrorista que planejava ataques em voos domésticos utilizando bombas caseiras.
Science Museum: exposição “Top Secret”. Esta réplica foi utilizada em julgamento contra um grupo terrorista que planejava ataques em voos domésticos utilizando bombas caseiras.

E é isso… Por hoje, é só! Alguma curiosidade que você gostaria que eu citasse por aqui? Me conte nos comentários!

Arrivederci! 🙂