Coronavírus: auto-isolamento é necessário, mas exige cuidados

Photo by Ján Jakub Naništa on Unsplash (https://unsplash.com/@janjakubnanista).

Olá!

Quem me conhece sabe que eu evito dar opinião assertiva sobre o que não domino. Por conta disso, hoje eu gostaria de falar sobre o auto-isolamento (ou quarentena), mas da perspectiva de alguém passando por ele de forma voluntária.

Na última segunda-feira, 16 de março, tive meu primeiro dia oficial de trabalho remoto na empresa. Por iniciativa deles, todas as áreas compatíveis estão trabalhando de casa.

Fiquei muito aliviado, pois assim seria poupado de viagens de trem, que já me causavam desconforto com todo o pânico gerado pela pandemia da nova cepa de coronavírus.

Também no começo da semana, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu a todos que fiquem em casa e só saiam quando for necessário. Não é uma ordem por lei ou decreto, mas a recomendação oficial.

A partir daí, decidi evitar as saídas, limitando-as a idas ao supermercado, inclusive um aqui no prédio onde moro, ou seja, a poucos passos de distância.

Em uma rotina normal, caminho uns 40 minutos por dia, entre ida e volta da estação de trem que me conecta com o trabalho. Agora, raramente passo dos 1000 passos diários.

Sou naturalmente um pouco ansioso, gosto de ter contato com as pessoas, ver a rotina dos demais e sentir o sol nas caminhadas da rotina diária.

O que tenho agora é uma vista de Londres pela janela, com o sol de primavera banhando a cidade — quando não há neblina ou chuva, como de costume. 😀

Isto funciona no início, já que é sempre bom ficar quietinho em casa, mas com o tempo se torna algo inquietante. Estar em casa por preguiça (ou opção) é diferente de ter de ficar em casa por recomendação das autoridades de saúde.

Conforme a semana foi passando, me peguei sentindo a solidão de estar longe da família, longe dos amigos mais próximos e sozinho, mesmo vivendo com mais algumas pessoas aqui em Londres.

São pessoas legais, com as quais tenho boa convivência, mas neste tipo de ocasião, é normal sentir falta daqueles que nos são mais importantes.

É neste ponto que eu gostaria de conversar com vocês sobre algo importante, que tenho tentado por em prática: como tornar o auto-isolamento menos traumático psicologicamente.

Há algumas medidas que são recomendadas por muita gente, que você pode avaliar e tentar colocar em prática também na sua rotina:

Exercício físico

Tente se exercitar em casa, seja praticando uma ginástica utilizando o peso de itens que você já tem onde mora ou mesmo algo mais tranquilo, como ioga.

Atividades fora de casa devem ser evitadas, pois você irá, inevitavelmente, se aproximar de outras pessoas durante o período.

Hobbies

Procure atividades que te deixem feliz e tragam-nas para a sua rotina diária durante os períodos de tempo livre.

Aqui você pode incluir a leitura de um livro — ou qualquer outra coisa que te agrade mais, se eles te assustam —, assistir a séries e filmes, escrever, praticar um instrumento musical, desenho e várias outras coisas.

Estudos

Se você, assim como eu, tem uma boa listinha de cursos online que gostaria de tentar, agora pode ser a hora.

Isto se torna ainda mais importante se, infelizmente, você tiver sido desligado do emprego atual. Pode ser uma oportunidade de acesso a cursos que normalmente seriam pagos.

Há muitos sites disponibilizando cursos gratuitos por ocasião da quarentena. Para listas destas instituições, recomendo acessar os textos feitos pela Época Negócios e Guia do Estudante.

Quarentena não significa isolamento total

Aqui, entra uma das principais ferramentas que tenho utilizado: contato virtual com família, amigos e outras pessoas próximas.

Sempre que for possível para ambos, contacte alguém próximo, seja alguém da sua família, seu parceiro(a) ou amigos mais próximos. E não fique apenas nos textos! Fale por áudio ou vídeo. Faz uma diferença enorme!

Se pesar muito, peça ajuda!

Este tipo de rotina em isolamento pode ser bem difícil. Se você sentir que está muito pesado, não deixe de procurar ajuda.

Aqui, gostaria de recomendar um texto que escrevi há algum tempo aqui no blog:

O avanço da depressão merece um olhar mais franco e honesto

E é isso! Espero que eu tenha, de alguma forma, trazido informações que possam facilitar estes dias de quarentena.

Esta pandemia é um período complexo, de stress elevado e que nos transformará como sociedade. O auto-isolamento é difícil, mas é temporário. Logo, logo estaremos todos juntos novamente.

Arrivederci! 🙂 E se cuide.

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