Coronavírus: é hora de refletir sobre profissões essenciais

Photo by Nandhu Kumar on Unsplash. Source: https://unsplash.com/photos/fg5k00uT0TU. Photo by Nandhu Kumar on Unsplash. Source: https://unsplash.com/photos/fg5k00uT0TU.

Diante da pandemia da Covid-19, que golpeou o mundo este ano, me veio à mente uma reflexão interessante sobre o que a sociedade frequentemente considera como “subemprego” ou trabalho “sem qualificação”, que mereceria na lógica geral uma importância menor.

Os profissionais de saúde, que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus, merecem nosso respeito e admiração. Aqui, aliás, gostaria de pontuar algo importante: os médicos não são os únicos profissionais de saúde nesta luta. Há um batalhão de profissionais, desde enfermeiros, técnicos de enfermagem, profissionais de análises clínicas, nutricionistas, entre muitos outros, em suas mais diversas especialidades.

O que nem sempre vem à nossa mente, porém, é o exército de profissionais de suporte a operações que trabalham nos hospitais e, mesmo que não tenham formação em saúde ou lidem diretamente com o tratamento dos pacientes, movimentam o hospital, geram as operações administrativas e de apoio e tornam possível que os demais possam executar suas tarefas em prol da cura dos pacientes.

Secretários, profissionais de limpeza, cozinheiros, auxiliares administrativos e muitos outros tornam possível um hospital limpo, organizado, com comida preparada de forma compatível com a dieta de cada paciente e com a burocracia devidamente administrada e em conformidade com a legislação.

Saindo dos hospitais, porém, há um grupo grande de pessoas que até não lutam diretamente pela cura nos hospitais, mas são responsáveis pelo funcionamento da sociedade enquanto um grupo pode (ou mesmo deve) ficar em casa para retardar a velocidade de propagação do vírus dentro da comunidade.

No Brasil, de uma forma geral, não se dá valor a empregos de remuneração mais baixa, taxando-os de subempregos, de uma opção para quem não teve outra opção.

O que nos falta ter em mente, porém, é que a grande maioria destas profissões são essenciais, em tempos normais ou de calamidade, como agora.

Antes que você possa sair para o trabalho todas as manhãs ou, pelo menos por enquanto, antes que você acorde e siga suas tarefas dentro da quarentena, um exército de profissionais acordou de madrugada, pegou uma ou mais opções de transporte público e chegou já quase exausto ao trabalho para que você tivesse comida nas prateleiras dos supermercados, para que pudesse efetuar as compras de alimentos da semana, para que o pão quentinho estivesse na vitrine e muitos outros pequenos confortos que nós só valorizamos em tempos como os de agora estivessem ao nosso alcance.

Aliás, aqui estamos nos lembrando somente de uma das pontas da cadeia de profissionais. Já imaginou como isso chegou nas prateleiras?

Como alguém que nasceu na zona rural, eu aprendi desde pequeno que o leite não nasce na caixinha, que a carne de frango não cresce dentro da embalagem e que suco de laranja não é (ou não deveria ser, se for a opção natural) apenas um punhado de cor e açúcar.

Antes de você ter a oportunidade de pegar o molho de tomate no supermercado, alguém plantou e cuidou do tomate, que foi colhido possivelmente por outras mãos. Depois de colhido, alguém transportou esta matéria-prima até uma fábrica, onde operários atuaram na transformação deste produto em molho, que foi envasado, empacotado e então transportado por um ou mais caminhoneiros. Ao chegar ao supermercado, alguém conferiu a entrega, tirou o produto da embalagem, colocou na prateleira e, um tempo depois, você pôde encontrar “magicamente” o pote na gôndola de algum estabelecimento perto da sua casa.

Tá, mas o que eu tenho a ver com isso?

A reflexão aqui, prezado(a) companheiro(a) de cafezinho, é que nós tendemos a valorizar quem gera dinheiro no fim da cadeia, quem desenvolve o sistema que roda no supermercado e possibilita que você compre produtos pela internet e os engenheiros e muitos outros profissionais diretamente conectados com a geração final de riquezas, mas nos esquecemos que é a massa, em qualquer parte desta cadeia, que sustenta todas as demais profissões.

Não existe profissional do topo da cadeia produtiva em atividade sem comida no prato, sem escritório organizado, sem eletricidade nas tomadas quando os profissionais mais valorizados voltam pra casa.

Nossa sociedade, em tempos de normalidade ou de guerra, precisa de cada peça para que a máquina funcione. A caneta dos empresários têm poder e são eles que geram emprego, mas é a força de quem trabalha na base das atividades essenciais que tem a capacidade de manter tudo funcionando. Sejamos gratos a quem trabalha para que nós possamos viver e trabalhar!