Curiosidades e histórias sobre o chá no Reino Unido

Foto de Matt Seymour no site Unsplash. Fonte: https://unsplash.com/photos/PVSCfkqcMP4.

Quando se fala do Reino Unido, especialmente dos ingleses, uma das imagens que vêm mais frequentemente à mente dos brasileiros e do restante do mundo é a do chá servido à tarde, com senhoras britânicas simpáticas e, como sempre, muito ponderadas até em sua maneira de rir.

O estereótipo acima, como a maioria dos outros em nossas vidas, passa longe da realidade, mas guarda suas semelhanças com o que de fato envolve toda a cultura do chá por aqui.

Para satisfazer minha curiosidade (e talvez também a sua) sobre a tradição desta bebida nas terras da rainha, gostaria de te apresentar o que encontrei nas minhas pesquisas mais recentes.

Origem do chá no Reino Unido

Diz-se que o hábito de se beber chá remonta ao terceiro milênio antes de Cristo na China, mas no Reino Unido, país também muito conhecido pelo consumo da bebida, o hábito começou bem mais tarde.

O primeiro homem que vendeu chá na Inglaterra, em folhas e como bebida já preparada, foi Thomas Garway, na Garraway’s Coffeehouse, em 1657. Na ocasião, o que se vendia era o chá verde importado da China.

A bebida se tornou popular pouco depois, nos anos de 1660, através do rei Charles II e sua esposa, Infanta Caterina de Bragança. A nova rainha, vinda de Portugal, tinha por hábito beber chá, desfazendo a visão até então fixada na Inglaterra da bebida como um remédio ou reforço à saúde.

E as bolsas de chá?

Em 1908, Thomas Sullivan, um vendedor de chás de Nova Iorque, começou a enviar chá para seus clientes experimentarem em saquinhos de seda.

Um hábito comum era o de se preparar chá infusores de chá feitos de metal, ou seja, colocando-se o objeto dentro do recipiente com água e, após um certo tempo, retirando-se o artefato. Considerava-se que desta forma o chá teria um sabor bem melhor do que no procedimento em que se deixa as folhas na água durante todo o tempo.

Utilizando os saquinhos de seda da mesma maneira, os clientes começaram a reportar a Thomas que as tramas de seda eram muito delicadas (finas, frágeis), fazendo com que o comerciante decidisse produzir os novos envelopes com uma espécie de gaze. Era o primeiro invólucro feito especificamente para este fim.

Nos anos de 1920, sua produção comercial foi desenvolvida, transformando-se mais tarde nos pacotes feitos de papel.

Consumo atual

Em relação às marcas com maior volume de vendas (em libras), uma pequisa da Nielsen publicada em 2019 mencionava Twinings como a vencedora, seguida por PG Tips (marca com preços mais populares), Yorkshire, Tetley e Pukka.

Segundo o site Express, em texto de 2018, o consumo diário de chá pelos britânicos ronda as 165 milhões de xícaras, ou 20 piscinas olímpicas. Segundo a UK Tea and Infusions Association, porém, o consumo é de “apenas” 100 milhões de xícaras diárias.

Apesar disso, o consumo da bebida favorita dos britânicos tem caído. Entre 2016/2017 e 2017/2018, por exemplo, a queda foi de 2,8%, indo para 91,9 mil toneladas anuais.

Uma das razões, surpreendentemente, pode estar no fato da popularização de dietas veganas ou similares, evitando o consumo de leite, muito popular como parte do chá por aqui.

Leite no chá?

Aliado ao costume de se beber chá, algo bem comum por aqui é a adição de leite.

O que muitos não sabem, porém, é que a origem desta tradição pode ter pouca relação com o sabor em si, tendo começado por duas razões práticas.

A primeira tem a ver com os primeiros séculos do chá em terras britânicas. Por volta do século XVIII, as pessoas menos abastadas tinham xícaras que eram pouco resistentes ao calor. Ao contrário das caras xícaras de louça de cinzas de osso, resistentes e muito caras, as peças mais populares poderiam se quebrar em contato com a água quente.

Para evitar o problema, portanto, colocava-se um pouco de leite e só então a água quente, reduzindo-se o risco.

A outra razão, igualmente de ordem prática, seria para proteger as xícaras de manchas, muito mais comuns se fosse utilizado apenas o chá puro.

Curiosidades

Dia Nacional do Chá: no Reino Unido, é todo dia 21 de abril, sendo comemorado desde 2016.

Bebendo como uma rainha: a marca de chá que vende o produto para a família real é a Twinings, reconhecida para tal desde 1837. É dito que a rainha Elizabeth II toma chá Twinings do tipo Earl Grey todas as manhãs, acompanhado de biscoitos (provavelmente os tradicionais shorbread). A sua “receita” do chá diário é simples: chá, um pouco de leite e nada de açúcar.

Qual a ordem correta do preparo? Esta é uma das brigas mais acaloradas por aqui quando se prepara chá. Segundo a UK Tea and Infusions Association, isto depende do modo de preparo. Se você prepara o chá diretamente na xícara, o leite deve ser o último a entrar, logo após remover o saquinho de chá.

Horário do chá da tarde: por volta das 4 da tarde, mas podendo variar entre 14:30 e 18 horas. Tradicionalmente, sempre foi visto como uma refeição intermediária, que ajudaria como uma recarga extra antes do jantar.

Origem do afternoon tea: a tradição do chá da tarde foi introduzida pela sétima Duquesa de Bedford, Anna Russell, em 1840. Por conta do longo intervalo entre o almoço e o jantar, normalmente servido por volta das 8 da noite, a duquesa sentia muita fome por volta das 4 horas da tarde, tendo criado o hábito de pedir uma bandeja com chá, pão com manteiga e bolo para o seu quarto; hábito que se transformou também em um evento para quando tinha amigos em casa. Hoje, este tipo de programa se transformou em uma atração turística, com muitos lugares oferecendo a experiência. Dê uma olhadinha na torre de guloseimas do “chá da tarde” que experimentei recentemente:

E por hoje é só! Espero que tenha gostado do texto!

Quer ler mais sobre o tema? Veja abaixo alguns dos sites que consultei: