Dois anos no exterior: preparações e a experiência de viver em Portugal e no Reino Unido

Sobrevoando Lisboa para aterrissagem. Foto por Adriano Donato Couto.

Hoje eu gostaria de fazer uma reflexão contigo…

Há exatos dois anos da data de hoje, eu aterrissava no aeroporto de Lisboa, ainda de madrugada.

A aventura, claro, começou antes, com a notícia de que eu havia passado no processo seletivo para uma empresa de consultoria em desenvolvimento de software em Portugal.

Após avaliar as ofertas às quais me submeti e fui aprovado no Brasil e em Portugal, decidi seguir o objetivo de morar um tempo no exterior e seguir rumo à Lisboa.

Minha intenção desde que visitei a Itália em 2017 era clara: vir passar um tempo no continente europeu (originalmente, na Itália) e aprender um pouco sobre novas culturas, ver novos pontos de vista na minha área profissional e viajar um pouco.

Pouco antes do aceite, fui a Minas Gerais e conversei com meus pais. A ficha ainda não havia caído, então tudo que eu vivia estava meio “em suspenso”, sem que eu percebesse o tamanho da mudança.

Voltando de Minas, aceitei formalmente a proposta, assinei o contrato e, em menos de um mês, vendi tudo de dentro de casa, preparei algumas questões burocráticas, recebi minha família para uma última despedida e cheguei, enfim, ao último dia no Brasil.

Nunca senti um aperto tão grande no estômago!

Ao me despedir de cada um deles, choro de um lado e do outro dos abraços. Aquela dorzinha complicada da despedida sem tempo definido de retorno insistia em doer.

Entrei no carro da Uber com duas malas e mais uma bolsa menor e segui rumo ao aeroporto, chorando durante todo o percurso.

Procurando emprego no exterior? Leia antes: o que avaliar antes de aceitar uma oferta

Período em Lisboa/Portugal

Jardim da Praça do Império - Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.
Jardim da Praça do Império – Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.

O acordo inicial ao ser contratado pela empresa era de permanecer em Portugal por pouco tempo, mas o projeto nos clientes da Alemanha não se concretizou e acabei passando sete meses no país.

O povo português compartilha com os brasileiros muito mais do que a língua! Nossas culinárias possuem coisas em comum, a abertura às novas amizades está também nas terras lusitanas e alguns traços culturais são muito próximos.

Diferente de nós, talvez uma das primeiras coisas que chama a atenção seja a sinceridade extrema da maioria dos portugueses.

No Brasil, é comum que sejamos ponderados quando damos opinião para alguém, evitando que a pessoa se magoe.

Em Portugal, a comunicação é bem mais direta. Não é grosseria ou falta de educação, mas um filtro menor mesmo. Se eles te acham um “parvo”, é parvo que eles dirão.

Não entendeu? Eu lancei uma lista de palavras típicas portuguesas e o perigo de dizer algumas palavras comuns do Brasil em Portugal. Confira nossa série do Dicionário Portugal-Brasil!

A diferença é que eles dizem as coisas em um português mais clássico, com formações gramaticais que já não se usam mais no Brasil. Mesmo que te ofendam, soa até simpático. 😀

Além do já citado, o clima ensolarado do país, a atmosfera agitada de Lisboa e o charme do rio Tejo são atrativos à parte. Difícil não gostar de lá!

Um dos fatores que diminuem a atratividade do país é a questão financeira. O custo de vida em Lisboa é, de forma geral, baixo, mas o preço dos aluguéis é extremamente alto e os salários não acompanham a tendência.

Diante disso, e com a ida para a Alemanha pela empresa sem definição (o salário durante o período alocado no outro país seria dobrado), comecei a procurar por outras oportunidades e o Reino Unido despontou como uma das opções.

Período em Londres/Inglaterra/Reino Unido

Primrose Hill - vista de Londres
Primrose Hill – vista de Londres

Ao chegar no Reino Unido, o primeiro desafio foi encontrar um local para morar.

Confira: Como alugar um apartamento em Londres?

Saindo dos hotéis e AirBnbs de baixo custo, me fixei no Norte de Londres, a uma distância curta do trabalho e não muito longe das principais atrações da cidade.

A adaptação não foi completamente tranquila e Londres não é perfeita, como se pode esperar de qualquer outra metrópole no mundo, mas gosto muito daqui.

O aluguel é bem caro, o transporte é, muitas vezes, superlotado e o povo é mais “frio”, mas os pontos positivos conseguem compensar tudo isso. Os salários, por exemplo, costumam acompanhar um pouco melhor o custo de vida caro daqui.

A empresa onde trabalho, como muitas da capital britânica, é multiétnica, ou seja, há pessoas de todas as partes do mundo, em uma troca cultural e de experiências bastante positiva.

Reflexão: Como é trabalhar no Reino Unido?

A maioria das amizades de trabalho que fiz foi com imigrantes, já que são pessoas que estão vivenciando o mesmo tipo de situação: adaptação a um novo país, saudades de casa, etc.

O cidadão inglês é, na maioria das vezes, bastante reservado. São também geralmente muito educados, mais formais, diplomáticos na forma de dar opiniões e muito comedidos quando devem apontar algum problema.

São ainda super pontuais e fugir deste hábito é considerado uma falta de respeito importante.

Entre Londres e o restante do país, vale ressaltar, há um espaço muito grande. Como muitos dizem, “Londres não é Reino Unido”.

Não é um fator de desmerecimento, mas uma afirmação quase óbvia diante de uma cidade com presença forte de imigrantes como Londres. A atmosfera daqui é muito mais multicultural, agitada e em alguns momentos conflituosa, do que no restante do país.

Saindo um pouco da capital, as casas mais típicas já se destacam, a paisagem se altera e o clima é muito diferente.

E daqui pra frente?

Quando me mudei para fora do Brasil, vim com a ideia de que ficaria no exterior por apenas alguns anos e depois retornaria.

Diferente de alguns conhecidos, não saí do país após algum trauma, como alguma ocorrência grave de violência ou instabilidade financeira.

Meu objetivo principal, desde sempre, foi o de absorver ao máximo as experiências daqui e, até quando fizer sentido, viver esta fase tão rica em aprendizado.

Hoje, minha mentalidade é outra. Ainda não me vejo longe do Brasil para sempre, mas também não tenho data de retorno marcada. Enquanto fizer sentido, cá estou!

A certeza hoje é que não sou mais o mesmo de dois anos atrás. Os objetivos mudaram, as prioridades são outras e um monte de experiências novas me fizeram questionar muitas das coisas que antes eu considerava verdades quase absolutas.

Que os próximos anos venham! E que com eles a gente continue conversando aqui pelo blog!

Extra: Trabalhar com TI: minhas experiências no Brasil, em Portugal e no Reino Unido

Arrivederci! 🙂