Uma volta por Londres em dias de relaxamento da quarentena de COVID-19

Plataforma vazia de metrô em Londres.

Na noite de 23 de março de 2020, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anuncia o inevitável: o lockdown por conta da Covid-19 chegara às terras da rainha Elizabeth II.

A partir daí, a reação até então tímida do morador da casa de número 10 de Downing Street, Boris, muda e são estipuladas várias regras, entre elas: as atividades comerciais não essenciais estariam fechadas até segunda ordem e os cidadãos só deveriam sair de casa para fazer compras de mercado, farmácia, por motivo de saúde ou alguma atividade física.

Londres, até poucos dias atrás abarrotada de turistas, começa a trazer um aspecto quase pacato, com ruas vazias, comércio fechado e um clima de ansiedade sufocante.

O pico do primeiro surto da pandemia se dá em meados de abril, iniciando uma queda lenta nos número diários de novos infectados, mortos e internações a partir daí.

O povo britânico, acostumado a uma liberdade muito ampla e inspirado pelos dias primaveris quentes e ensolarados cada vez mais frequentes, recebe uma nova notícia: a partir de 15 de junho, lojas não-essenciais de vestuário e outras atividades específicas podem começar o processo de abertura.

O processo já era esperado, já que outras flexibilizações já haviam sido aplicadas recentemente, mas o movimento gera uma movimentação muito maior pelas ruas da capital britânica.

Eu, depois de mais de 3 meses em quarentena e com poucas saídas de casa, começo a me questionar: como está Londres além do meu bairro?

Pensando nisso, e também para dividir contigo um pouco do que tenho presenciado por aqui, peguei meu bilhete de transporte público e minha máscara e parti rumo ao centro da cidade.

O resultado deste curto passeio eu compartilho no texto de hoje.

Metrô

Para quem está acostumado com o metrô lotado de Londres, a experiência de hoje é um pouco angustiante: trens quase vazios, avisos e informações sobre a pandemia por todos os lados e totens com álcool gel para a higienização das mãos.

Tudo parece funcionar bem, mas a nova dinâmica gera uma ansiedade muito maior do que o normal.

Diante da regra vigente, que exige boca e nariz cobertos com algum tecido durante todo o período nas estações ou nos trens, esperei que a imensa maioria estivesse colaborando, mas não era difícil encontrar quem se comportasse como se fosse qualquer dia normal de verão na Grã-Bretanha, sem nenhuma precaução.

Ruas do centro

Saindo do metrô, a sensação nas ruas era de quem estava matando saudades do local que aprendeu a chamar de casa, mas não era possível ignorar o óbvio: ainda não se vê pelas ruas nem 20% do movimento normal de um final de semana.

A primeira parada foi na Oxford Street, principal região para compras da cidade.

Berço da maioria das marcas mais populares de vestuário, tem por perto Bond Street e Regent Street, a maior concentração de marcas de médio e alto valor na cidade.

Embora muitas das lojas ainda não estivessem abertas em um primeiro momento, notei de cara que o movimento era muito menor do que o normal.

Saindo dali, passei ainda por Covent Garden, Chinatown, Leicester Square, Piccadilly Circus e Trafalgar Square. O barulho reduzido e a falta da algazarra habitual tiram boa parte da identidade destes locais.

Em horário de pico, é difícil caminhar a passo normal nestes pontos da cidade.

“Empreender” na quarentena

Uma das imagens mais curiosas durante meu “passeio”, porém, foi durante uma rápida conferida em Kingly Court, uma pequena galeria comercial repleta de restaurantes.

Logo na entrada, uma máquina automática de venda de um dos itens mais utilizados durante este tempos tão difíceis: máscaras de tecido. Inusitado, para dizer o mínimo. O preço? Doze libras cada!

Máquina automática de venda de máscaras em Kingly Court (Londres).
Máquina automática de venda de máscaras em Kingly Court (Londres).

E é isso! Espero que este passeio rápido por Londres tenha sido interessante para você.

Depois de mais de três meses de quarentena, confesso que esta experiência foi ao mesmo tempo libertadora e desconfortável para mim.

E antes que você me pergunte: este tipo de passeio já está permitido na cidade, guardados os devidos cuidados e preservado o distanciamento social necessário.

Os próximos passos na reabertura gradual do país devem ocorrer a partir do dia 4 de julho, quando museus, pubs, barbeiros e vários outros estabelecimentos poderão reabrir, sempre seguindo um conjunto de regras de segurança.

Espero que você esteja em segurança por aí. Se cuide!

Arrivederci!