Voar em tempos de quarentena: minha experiência

Terminal 5 do Aeroporto London Heathrow.

Com a melhoria gradual dos números da pandemia em alguns países europeus, o Reino Unido criou uma lista de países e territórios para os quais podemos viajar sem que haja a exigência de quarentena de 14 dias após o retorno ao país.

Esta medida varia conforme a nação dentro do Reino Unido, sendo Inglaterra (onde moro) aquela que liberou a maior lista de países.

Levando isto em consideração, e com minha mente precisando de uma pausa depois de vários meses sob o estresse do isolamento e de algumas questões que tenho enfrentado no trabalho, decidi fazer algumas viagens curtas. Desta forma, promoveria uma quebra na rotina difícil dos últimos meses.

Pesquisando sobre os destinos no próprio Reino Unido, encontrei bastante dificuldade em organizar alguma viagem doméstica, já que as cidades ainda estavam, no geral, com parte de seus estabelecimentos culturais e turísticos fechada.

Desta maneira, acabei decidindo por visitar um dos países da lista já citada.

A preparação

O primeiro destino que defini foi Amsterdã, nos Países Baixos (que todo mundo chama de Holanda).

Para a minha surpresa, o país já está em uma fase de maior liberdade individual do que eu imaginaria, exigindo o uso de máscara quase que apenas no transporte público.

Além disso, eles não exigem a quarentena de 14 dias na chegada, o que facilita com que o fluxo de turistas retome, pelo menos parcialmente.

No momento, a lista de países cujos cidadãos podem visitar os Países Baixos não é grande, se limitando, principalmente, aos membros da União Europeia e ao Reino Unido.

Com isso em mente, preparei minha mala com dois itens extras: um pacote de máscaras descartáveis e vários frascos de álcool gel.

No aeroporto

Placa solicitando para que se evite alguns assentos, mantendo distanciamento social entre grupos. Terminal 5 do Aeroporto London Heathrow.
Placa solicitando para que se evite alguns assentos, mantendo distanciamento social entre grupos. Terminal 5 do Aeroporto London Heathrow.

Na Inglaterra, o uso de cobertura para boca e nariz (pode ser até mesmo um cachecol ou lenço, por exemplo) é atualmente obrigatório no transporte público e nas lojas, restaurantes e outros estabelecimentos.

Além disso, os aeroportos também têm pedido para que todos usem este tipo de proteção. A exceção fica para quando alguém estiver comendo, claro.

Há ainda uma série de regras de distanciamento social aplicadas, seja nos assentos para espera das informações do voo ou mesmo nas filas de restaurantes.

Por último, uma medida adicional é o registro de visitantes em restaurantes e lanchonetes. Se você for comer no interior do estabelecimento, deverá preencher formulário de identificação, com nome, telefone, e-mail e horário de entrada.

Com estes dados, o governo poderá entrar em contato com pessoas que possam ter permanecido próximas de alguém posteriormente identificado como portador do novo coronavírus. Estas pessoas, se for o caso, receberão a solicitação para que permaneçam em quarentena por 14 dias.

O embarque

Para quem já foi a algum aeroporto, as intermináveis filas no momento do embarque já são algo normal.

Com a retomada gradual dos voos em plena pandemia, porém, as companhias têm feito modificações para proteger os passageiros (e recuperar a confiança de quem traz dinheiro) neste e em outros momentos da viagem.

Ao invés das habituais duas ou mais filas, divididas por classes e status de cada passageiro no voo e na empresa, a British Airways implementou um regime diferente:

  • Quando o portão de embarque para aquele voo é anunciado, todos se dirigem ao local e esperam sentados ou nos arredores, sem formar fila.
  • Quando o embarque está para começar, pessoas com necessidades especiais, com crianças pequenas e idosos são atendidos primeiro.
  • Em seguida, os demais passageiros são chamados em grupos pequenos, baseados nas fileiras de seu assento, começando no fundo do avião e terminando nas poltronas da frente. Exemplo: primeiramente, chamam as cinco últimas fileiras, depois as cinco seguintes… até que chamem da fileira cinco à primeira.
  • Não há mais prioridade de embarque por classe ou status de passageiro.

Os voos

Ao entrar no avião, também considerando viagem pela British Airways, recebi uma sacolinha transparente com um sachê de álcool gel e outro com um lenço úmido desinfetante.

Durante o voo, passageiros e tripulação devem usar máscaras durante todo o período. Há, inclusive, a menção ao tempo máximo de proteção que máscaras costumam fornecer (4 horas), deixando claro aos passageiros de que eles deveriam ter outras peças para fazer a troca quando sentissem necessidade.

Outra mudança interessante foi quanto à alimentação durante os voos.

No caso da British Airways, não há mais disponibilização de cardápio com diferentes opções de alimentos, alguns preparados durante o voo. Em vez disso, são distribuídos sacos transparentes com um pacote de batatas, um pacote de biscoitos em formato de pretzels e uma garrafa pequena de água. Obviamente, isto deve ser um pouco diferente em caso de voos mais longos.

Uma mudança que me causou certa estranheza foi quanto à distribuição dos passageiros nos assentos. No voo Londres–Amsterdã, as pessoas foram alocadas em assentos seguindo um esquema alternado, ou seja, havia sempre uma pessoa, depois um assento vazio, depois outro passageiro… e assim por diante.

No retorno, percebi que a distribuição dos assentos disponíveis estava de forma similar na página de check-in, mas a realidade ao entrar no avião foi outra: por razões que desconheço, a British Airways colocou passageiros em todas as poltronas de boa parte das fileiras, gerando uma situação bem desconfortável.

Por último, acho que a mudança mais significativa foi no momento de sair do avião. Até então, bastava que o avião parasse na região do desembarque para que praticamente todo mundo se levantasse, procurasse as malas de cabine nos compartimentos superiores e começasse a disputa por espaço nos corredores.

Em uma mudança que deveria permanecer após este período, o desembarque é feito também em grupos menores.

Voo Londres–Amsterdã, com ocupação alternada de assentos e todos sentados aguardando permissão para desembarcar.
Voo Londres–Amsterdã, com ocupação alternada de assentos e todos sentados aguardando permissão para desembarcar.

Logo ao pousar, a tripulação avisa múltiplas vezes para que os passageiros permaneçam em seus assentos.

A partir de então, os funcionários chamam as fileiras em grupos de 5, partindo da frente do avião. Mesmo que possa parecer mais lento, este processo é muito mais organizado e fluido do que a “muvuca” de outros tempos.

Obrigação antes do retorno

Independente se o passageiro visitar um país dentro ou fora da lista de exceções para quarentena após a entrada no Reino Unido, todos devem preencher um formulário online com perguntas que envolvem os países visitados, datas e horários de saída e retorno, número do voo e endereço para estadia durante o período após a viagem.

Quem não cumprir este requisito poderá ter de pagar multa.

Há um detalhe, porém: só se deve preencher o formulário nas últimas 48 horas antes do dia e horário do voo de retorno. Exemplo: se seu voo é no dia 10 de agosto às 2 da tarde, você deve preencher o formulário em qualquer momento entre as 2 da tarde do dia 8 de agosto e o embarque no voo.

Os detalhes podem ser fornecidos no formulário do governo. Para entender se você precisa se isolar após o retorno ou não, basta conferir as orientações do governo. Ambos os links estão em inglês.

E você, já viajou alguma vez durante este período? Qual foi a experiência?

Espero que esteja bem e seguro.

Marcado como: