O que a Covid-19 me ensinou sobre viagens

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Ao contrário do que é propagado por alguns influenciadores digitais, a pandemia não é uma oportunidade “maravilhosa” para o autoconhecimento, meditação e elevação espiritual.

É uma catástrofe sem precedentes, que causou quase um milhão de mortos (20/09/2020) e muito sofrimento para milhões de contaminados no mundo todo, sem contar quem teve algum dano social, econômico ou psicológico por efeito direto ou indireto neste período.

Hoje, porém, quero contar para vocês sobre um lado menos complexo da pandemia e que me gerou algum aprendizado com a chegada de restrições por todo o mundo a partir de março deste ano: viagens.

No começo do ano, ainda no período entre janeiro e fevereiro, eu havia me proposto o desafio de conhecer 12 cidades diferentes este ano, entre viagens no Reino Unido e fora daqui.

Com todas as mudanças trazidas pela Covid-19, porém, tive que refazer meus planos, cancelar o que fosse possível, gerar cupons de crédito para quem não aceitasse me reembolsar e reagendar uma viagem que planejei com muito carinho com minha irmã e seu então futuro esposo: a lua de mel do casal, que estava prevista para o meio deste ano.

O que aprendi

Sempre que possível, tudo flexível

Um dos problemas que tive quando fui verificar o que poderia ser cancelado, alterado ou transformado em crédito para uma futura viagem foi quando tentei entrar em contato com cada hotel, companhia aérea e agente turístico que havia contratado.

Isto poderia ter sido evitado se eu tivesse feito a reserva de voos e hotéis em tarifas que incluíssem alterações e cancelamento sem custo.

Mesmo em períodos “normais”, mudanças de plano podem ocorrer, voos podem ser cancelados e muitas outras coisas podem influenciar a data de disponibilidade para viajar. Ter tarifa flexível, neste caso, é uma carta na manga que vale a pena obter.

O custo de reservas não flexíveis é muito melhor, mas a dor de cabeça em potencial supera qualquer valor economizado.

A partir de hoje, se for planejar qualquer viagem para mais de 3 meses a partir da data do planejamento, com certeza, optarei pelo plano flexível.

Cuidado com agentes de turismo

A maioria dos agentes turísticos trabalha de forma ética, justa e consegue preços que nem sempre estão disponíveis para quem planeja sua viagem sozinho.

O problema, porém, é que nem todos agem da melhor maneira se estiverem em situações delicadas, como a crise forte que a pandemia trouxe para o setor turístico.

Eu entendo que os operadores do ramo não conseguirã sobreviver a esta crise se reembolsarem todo mundo imediatamente em dinheiro vivo, mas é essencial que empresas da área atuem de forma transparente e estejam disponíveis para conversar, o que não ocorreu comigo em alguns dos casos.

Uma agência que utilizei para reservar voos no Brasil para abril (passeio à Curitiba), por exemplo, não me deu qualquer satisfação sobre a reserva realizada, me empurrando para robôs de atendimento automático especialmente treinados para me fazer desistir do atendimento.

Por conta disso, a partir de hoje decidi utilizar agentes turísticos apenas em situações em que haja total liberdade e flexibilidade para cancelamentos e/ou alterações de datas ou que a viagem esteja muito próxima, pois todas as companhias aéreas e hotéis com os quais conversei diretamente, com mais ou menos trabalho, me ajudaram a resolver o problema.

É uma matemática simples: a menos que seja MUITO vantajoso e quase 100% livre de estresse, não vale a pena adicionar um ponto extra na relação entre você e as companhias aéreas e os hotéis.

Dinheiro vale mais do que voucher

Para alguns voos que eu havia agendado, incluindo aqui o voo de lua de mel da minha irmã e do meu cunhado, a companhia aérea disponibilizou apenas a opção de voucher (um cupom de crédito para uma futura viagem), sem chance para devolução do dinheiro.

Mesmo que o voo tenha sido cancelado e eu tenha, por lei, o direito de ser reembolsado, minha tarifa originalmente não era flexível e eu pretendia reagendar tudo assim que tivesse alguma ideia de quando teria mais chance de viajar, então acabei aceitando o crédito e utilizando o voucher para remarcar tudo para 2021.

Esta opção, porém, deve ser sempre a última escolhida!

Eu entendo que as empresas estejam em dificuldade e não quero que nenhuma delas quebre, mas sei que sou o lado mais fraco da relação e um cupom vale pouca coisa em caso de falência de alguma empresa.

Na dúvida, corra atrás dos seus direitos e materialize o dinheiro ao qual você tem direito, sem peso na consciência. Foi suado para ganhá-lo, certo?

Verifique o que é coberto pelo seu seguro-viagem

Muita gente correu para o seguro-viagem quando percebeu que os voos estavam sendo cancelados e que os países estavam estabelecendo restrições para a entrada de não residentes.

A maioria deles, porém, teve uma surpresa desagradável: seguros-viagem não costumam cobrir pandemias e alguns outros tipos de catástrofes imprevisíveis.

Desta maneira, o seguro (altamente recomendável, com ou sem pandemia) não poderia auxiliar seus clientes.

Verifique as regras do destino várias vezes

Durante a fase de relaxamento da quarentena em países da Europa, em um período em que as novas infecções batiam números extremamente baixos, visitei Paris e Amsterdã.

O risco era calculado e tudo foi reservado em planos flexíveis, mas as “regras do jogo” mudavam constantemente.

Por mais que os países precisassem reativar sua economia, eles também precisavam se proteger ao máximo de uma nova fase crítica de infecções.

Um dia antes da minha chegada à Paris, por exemplo, fui informado por uma amiga parisiense de que o uso obrigatório de máscaras na capital francesa também começaria a se aplicar às ruas mais movimentadas da cidade, não mais apenas às áreas internas de espaços públicos.

Sendo assim, minha recomendação a partir de agora é: vai viajar a outra cidade ou mesmo outro país? Verifique periodicamente as páginas oficiais da localidade, especialmente a seção para turistas.

Nunca se sabe se uma vacina específica pode começar a ser requisitada ou mesmo se algum problema local pode afetá-lo direta ou indiretamente. Ficou na dúvida? Pense não só em catástrofes naturais e pandemias, mas também em greves gerais, falha em infraestrutura, só para citar alguns problemas possíveis.

Verifique seus direitos com antecedência

Ao fazer reservas de voos, hotéis e atrações, diretamente ou através de agentes turísticos, sempre busque nos termos de contratação pelos seguintes itens:

  • possibilidade, data-limite e prazo para cancelamento, reembolso e alteração de datas;
  • taxas de qualquer tipo em casos de cancelamento ou reagendamento;
  • restrições na data envolvida, como horários de ingresso, regras de vestuário, equipamentos obrigatórios, etc.
  • multas e taxas caso você chegue atrasado ou antes da hora.

Se possível, reserve tudo pelo cartão de crédito

Mesmo tendo o dinheiro para comprar tudo à vista (se for o caso), pode ser melhor comprar pelo cartão de crédito se isto for uma possibilidade para você.

A empresa emissora do cartão pode te ajudar a intermediar um reembolso dependendo da situação, especialmente quando o operador onde você fez a reserva fica incomunicável ou não demonstra boa fé para resolver o problema.

Além disso, muitos cartões de crédito oferecem um seguro-viagem para o cliente que paga reserva utilizando este meio de pagamento, te poupando os custos de contratação de um seguro à parte.

Conclusão

Estes são tempos difíceis para todos nós, incluindo para as empresas que dependem de alguma forma do setor turístico.

Apesar disso, lembre-se: o consumidor é o lado mais frágil na relação comercial com qualquer entidade comercial. Desta maneira, é imprescindível que você busque sempre a alternativa que melhor te proteja e sempre corra atrás dos seus direitos.

Espero que você tenha gostado do texto de hoje. Espero também que esteja bem e seguro(a).

Arrivederci! 🙂