Reino Unido: algumas dicas de comportamento no trabalho

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Olá!

Hoje eu gostaria de conversar contigo sobre alguns hábitos que identifiquei em ambientes de trabalho em Londres, que imagino que se repitam em outras áreas do Reino Unido.

Comunicação por e-mail/Slack

De uma forma geral, eles preferem e-mails com mensagens curtas, como toda comunicação na internet, mas sem atropelar e/ou sacrificar uma introdução cordial, uma descrição do problema/notícia e uma despedida amigável:

  • Antes de qualquer coisa, cumprimente seu colega de uma forma simpática, mas sem gírias ou abordagem muito próxima;
  • Em seguida, um “tudo bem?” ou algo similar, dando um ar mais leve à mensagem;
  • Se for pedir ajuda, faça-o de forma menos incisiva, com um toque mais agradável e menos exigente;
  • Não se esqueça de todas as palavras mágicas que se aplicarem: por favor, obrigado, me desculpe, etc;
  • Por fim, se despeça com um equivalente ao “cordialmente” do nosso português.

Exemplo:

Hello, Benjamin!

I hope you are doing great.
I just found out I lost the access to my e-mail. Could you, please, help me to reset the password?
Thank you in advance!

Kind regards,
Adriano

Tradução (livre):

Olá, Benjamin!

Espero que esteja tudo bem contigo.
Acabei de perceber que perdi o acesso ao meu e-mail. Poderia, por favor, me ajudar a resetar a senha?
Desde já, muito obrigado!

Cordialmente,
Adriano

Pode parecer bobagem, mas já fiquei sabendo de casos em que o funcionário foi convidado pelo setor de Recursos Humanos (RH) para uma conversa. O motivo era sua forma de comunicação por e-mail, muito curta, direta e sem qualquer saudação e despedida formal e amigável.

Em vez de dar uma “bronca”, o RH queria saber se o funcionário estava bem, se não havia ocorrido algum problema pessoal ou no trabalho que fizesse com que ele fosse meio “rude”. As reclamações haviam chegado através de outros colegas da sua equipe.

Segurar a porta para os demais

Outro hábito bem interessante e comum, não apenas no trabalho, tem a ver com a movimentação das pessoas entre diferentes salas e departamentos.

Quando se está em uma área mais movimentada, é bastante comum que as pessoas abram uma porta e a mantenham aberta até que a próxima pessoa atravesse-a, mesmo quando o colega está um pouco distante.

se expresse, mas seja cordial e cauteloso

No Brasil, somos bastante cuidadosos quando emitimos uma opinião para um amigo ou familiar, mas um pouco mais incisivos no trabalho.

Se a ocasião permite, não temos medo de falar que algo não está correto, é uma opção mais fraca, etc.

Nas terras da rainha, também se preza pela sinceridade, mas sempre com um tom extremamente indireto e cauteloso. Em situações em que alguém não goste de algo ou considere a solução inadequada, por exemplo, funcionários daqui tendem a escolher expressões mais diplomáticas:

  • Uma solução proposta em uma reunião não está correta: I’m afraid this is not the best solution. (Infelizmente, acho que esta possa não ser a melhor solução… [e complementa com outra possibilidade]).
  • Alguém deseja afirmar algo, mas prefere deixar margem para caso aquilo esteja errado: I might be wrong, but… (Posso estar errado, mas…) / … but don’t quote me on that. ([afirma algo], mas não me considere uma fonte infalível.)
  • Alguém se lembra de algo de forma parcial ou não tem certeza total: From the top of my head, I think… (O que me vem primeiro à mente é que…)

Muito cuidado com piadas

O clima nas empresas varia muito, com algumas mais descontraídas e com piadas mais “arriscadas”, mas é sempre de bom tom (em qualquer lugar do mundo) evitar comentários com qualquer citação a características de alguém.

Com empresas cada vez mais diversas e inclusivas, especialmente em metrópoles como Londres, é ainda mais necessário que se pratique um discurso respeitoso e com cuidado com as mensagens que se emite.

Como já citei no texto sobre trabalho em TI no Reino Unido (e em Portugal), há por aqui uma legislação específica sobre o tema: Equality Act 2010.

A legislação busca garantir igualdade de tratamento para com todos no ambiente de trabalho, com foco especial em assuntos mais sensíveis, como questão de gênero, diversidade racial, crenças (e não crença) e orientação sexual.

Desta forma, funcionários e empresas podem ser responsabilizados em casos de desrespeito a colegas de trabalho.

Com isto em mente, vê-se empresas cada vez mais preocupadas com uma definição clara de que seu ambiente de trabalho acolhe a todos, tentando minimizar possíveis conflitos entre colegas.

E por hoje é só! E você, sentiu que faltou algum item interessante? Tem alguma curiosidade? Me conte nos comentários! 🙂