Viagem ao Brasil durante a pandemia: chegada e primeiros dias

Placa solicitando para que se evite alguns assentos, mantendo distanciamento social entre grupos. Terminal 5 do Aeroporto London Heathrow.

Olá!

Hoje eu gostaria de conversar contigo sobre uma experiência bastante delicada, mas que provavelmente seria interessante para você ou algum conhecido: minha ida ao Brasil agora no fim do ano, ainda durante a pandemia.

Antes de começar, porém, vale um aviso: não recomendo, de maneira alguma, que se submeta ao mesmo tipo de risco. Há sempre uma chance, por mais cuidado que se tome, de que o vírus te alcance.

Voo ao Brasil e trecho final

Antes da viagem, no aeroporto, pude já perceber que o movimento estava maior do que no meio do ano, quando passamos por um período de maior liberdade no Reino Unido durante o verão. Agora, mesmo que esteja muito aquém do movimento em tempos pré-pandemia, o aeroporto já estava mais movimentado.

Diferente da maioria dos países que pesquisei anteriormente, o Brasil ainda não empregava nenhuma medida forte de restrição à entrada de estrangeiros, exceto pela eventual exigência de um Seguro Saúde que cobrisse o tempo da estadia; para brasileiros vindos do exterior, livre acesso.

O voo foi, guardada a particularidade de ser uma viagem de longa distância, similar às viagens à Paris e Amsterdã no meio do ano, conforme relatei em um texto anterior.

Durante o trajeto, tivemos refeições mais próximas das normais, já que se trata de um período muito mais longo. A exigência do uso de máscara para quando não estivesse comendo, porém, foi sempre lembrada pela tripulação, algo que julgo ser muito positivo.

Uma coisa que me incomoda é algo que já vi nas outras vezes: o voo estava bem cheio, com uma ou outra poltrona vazia.

Chegando ao Brasil, munido de máscaras trocadas a cada 3 ou 4 horas, peguei um Uber e segui diretamente para a rodoviária, onde peguei o ônibus em direção à Muriaé.

Ao contrário do avião, o ônibus da Viação Rio Doce estava bem vazio.

O que me levou a viajar neste período?

Desde que me mudei para o exterior, comecei a me programar para visitar o Brasil uma vez por ano, já que o trecho Londres-Brasil não é nada barato e bastante longo.

Com a pandemia, minha visita do ano teve de ser adiada, fazendo com que eu já estivesse, na data da viagem, há cerca de um ano e meio fora do Brasil.

Embora entenda que muita gente passe muito mais tempo fora da terrinha e não se abale tanto, alguns eventos contribuíram para que eu ficasse bem impactado pelo período:

  • Minha irmã tinha o casamento marcado para o fim de maio e eu seria padrinho. Eles tiveram que cancelar tudo devido à pandemia e ficaram bem tristes com o episódio;
  • Eu dei a eles parte da lua de mel e esperava vê-los novamente em junho, mas isto também teve de ser evitado e eu precisei remarcar todas as reservas;
  • Por boatos de alguns parentes, por informações desencontradas e outros “detalhes” que não sei de onde surgiram, meus pais começaram a pensar que eu estava mal em Londres e escondendo deles, o que gerou uma preocupação que, esta sim, me deixou bastante preocupado;
  • Minha irmã reprogramou o casamento para setembro, em uma cerimônia super reduzida, e eu não pude vir, pois temia transmitir o vírus para algum familiar caso fosse infectado durante o voo.

Com tudo isso e mais algumas coisas, inclusive para preservar minha saúde física e mental, decidi me programar e visitar o Brasil no final do ano, seguindo todas as precauções possíveis.

Primeiros dias

Por prevenção, não avisei a ninguém sobre minha possível ida, exceto minha irmã e meu cunhado, até por questão de segurança (não ter ninguém sabendo seria arriscado).

Na primeira semana, evitei ao máximo o contato com outras pessoas, permanecendo na casa da minha irmã.

Após seis dias desde o desembarque, fiz o teste (pré-agendado) de antígeno (Ag) através de swab nasal (aquela peça que lembra um cotonete) na Drogaria Araújo, em uma das unidades da minha cidade natal.

Após o exame, que tem um custo de 220 reais, esperei 20 minutos e tive a resposta: negativo para covid-19.

Com este resultado, consegui ter maior tranquilidade para visitar alguns familiares, embora ainda mantivesse alguns cuidados e evitasse contato excessivo.

Considerações finais

Jamais poderia recomendar a alguém que viajasse durante um período tão complicado, mas esta viagem foi planejada por muito tempo, levando em consideração a saúde mental e o bem estar da minha família e também meus.

Tanto no Reino Unido quanto no Brasil, percebo que já estamos em uma situação em que as pessoas começaram a ignorar os cuidados necessários em relação à pandemia, o que pode nos colocar em um contexto muito pior do que deveríamos estar.

Uma semana após minha vinda, o Reino Unido declarou que introduziria um quarto nível de restrições ao sistema então vigente, de três níveis. Em termos gerais, este novo nível se assemelha a um lockdown tradicional, mas com aplicação por região.

Com a mudança, residentes e cidadãos do Reino Unido estão proibidos de sair das terras da rainha.

Além disso, e também com o recente aumento no número de casos, inúmeros países da Europa e de outros continentes começaram a proibir os voos provenientes do (ou com conexão no) Reino Unido, o que deixou meu voo de retorno sob risco de cancelamento.

É aguardar para decidir o que fazer!

E é isso! Espero que você esteja em segurança e tenha tido um Natal tão tranquilo quanto possível. Espero também que 2021 seja muito melhor do que este ano, trazendo mais Paz, alegria e prosperidade.

Até logo!

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