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O que visitar em Madri: roteiro completo

Viagens15/06/2022

Olá!

Hoje eu gostaria de te apresentar um roteiro para a cidade de Madri, que criei quando estava planejando minha visita à capital espanhola.

Fui adaptando a lista de locais conforme minha visita ocorria, movendo itens de acordo com a limitação de tempo ou restrições de cada lugar.

Espero que goste!

Dia 1

Plaza del Dos de Mayo

Praça relativamente pequena, seu nome vem da Revolta de Dois de Maio de 1808, que é considerada o gatilho inicial da Guerra de Independência Espanhola, em que grupos espanhóis, com o apoio do Reino de Portugal e demais aliados, combateram a tentativa de domínio francês na região.

No centro desta praça, há um arco e estátuas em homenagem a dois soldados abatidos pelos franceses durante o combate: Luis Daoiz e Pedro Velarde. Os heróis nacionais, considerados mártires, foram mortos exatamente nesta área, onde à época estiveram as estruturas da artilharia da qual faziam parte.

🍴 Pausa: “padaria” La Doña, na Calle de San Bernardo.

Plaza de España

Uma das praças mais famosas de Madri, ela passou por uma restauração de dois anos e meio recentemente.

Esta atração fica em uma das extremidades da Gran Vía, a mais famosa e movimentada rua da cidade.

A praça abriga, além de playground e mais de mil novas árvores, um imponente monumento em homenagem a Cervantes, com Dom Quixote, Sancho Pança e outras personagens ao seu redor.

Nas proximidades dali, tem-se algumas áreas verdes tão lindas quanto: Jardines de Sabatini, Campo del Moro e Parque de La Montaña.

Outros dois tesouros de Madri que ladeiam a praça estão do outro lado: Edificio España (do hotel Rio Plaza España) e Torre de Madrid (com ponto de observação na cobertura), dois dos exemplos mais icônicos de arquitetura na cidade.

Iglesia Parroquial de Santa Teresa y San José

Este local construído no século XIX para servir de residência para os padres carmelitas descalços, sendo composto por uma igreja e um convento.

De estilo neogótico, hoje funciona também ali um lar de idosos. Entre vários elementos, sua fachada é um dos destaques da construção, tendo sido inspirada em uma fortaleza.

Templo de Debod / Mirador de la Montaña de Príncipe Pío / Parque de la Montaña

Uma área pavimentada com pedras em formato de paralelepípedo rodeia uma plataforma com dois portais de pedra e, ao fundo, um templo cúbico com quatro colunas na frente. Céu azul.
Templo de Debod, Parque de la Montaña.

O Templo de Debod é um templo egípcio que data do século II a.C. (antes de Cristo).

Vários séculos depois da sua construção, este templo acabou sendo abandonado.

No século XX, com a intenção de construir a barragem de Assuão, o governo egípcio ofereceu este templo ao à administração da capital espanhola.

Ele foi então desmontado, transportado e reconstruído bloco por bloco na localização atual, respeitando a orientação original (Leste para Oeste).

Em seu local, anteriormente, existia o Cuartel de La Montaña, construção militar onde no passado aconteceu um extenso fuzilamento de espanhóis rebeldes por parte de tropas napoleônicas, em 02 de maio de 1808. Posteriormente, apó ter sido parcialmente destruído na Guerra Civil Espanhola, a construção militar foi demolida.

Um pouco ao lado, não deixe de conferir o mirador, que dá vista para o palácio real e a catedral (foto de destaque deste texto).

Estatua de Felipe IV

Esta estátua equestre foi a primeira de que se tem notícia em que o cavalo está apoiado apenas sobre as duas patas traseiras (e a cauda, neste caso) e retrata o monarca espanhol que lhe empresta o nome.

Foi feita no século XVII por Pietro Tacca, seguindo um desenho de Diego Velázquez. Para garantir a estabilidade de um formato tão desafiador, Pedro contou com assistência científica de Galileu Galilei, que afirmou, entre outras coisas, que a estátua deveria ser de cobre maciço na parte traseira, mas oca na parte frontal, tornando-a mais estável.

Originalmente, esta obra ficava no Parque del Retiro, tendo sido transferida em 1843 para a Plaza de Oriente, bem próxima do Palacio Real de Madrid.

Plaza de Oriente

De cerca de 1,60 hectares de extensão, os Jardins da Praça do Oriente, como também é conhecida, são uma área de desenho geométrico construída, entre outras coisas, para embelezar e valorizar o palácio real, logo em frente.

No seu centro, temos a estátua equestre que citei no item anterior.

Ah! Diz-se que foi neste local que a cidade foi fundada.

🍴 Pausa: Bar La Campana, na Calle de Botoneras. Lar do famoso bocadillo de calamares.

Palacio Real de Madrid + Real Armería

Atualmente, a família real não mais vive por aqui, mas este palácio continua sendo a residência oficial, sendo utilizado para eventos e visitas de Estado, por exemplo.

Transformado em museu, abriga uma extensa coleção de obras e mobiliário, em um percurso super interessante por suas instalações.

Inicialmente, em um período em que Madri nem era ainda capital, funcionou neste espaço uma fortaleza moura, que deveria proteger Toledo (a então capital) dos cristãos.

Após um grande incêndio, em 1734, passou por um período de reconstrução a pedido de Felipe V.

Entre os inúmeros elementos, destacam-se os afrescos, ornamentos em alto relevo nas paredes e tetos e uma extensa coleção de itens cerimoniais.

Em uma das extremidades do pátio, onde às quartas-feiras ocorre a troca da guarda, há também a Real Armería, com uma extensa coleção de armamentos, armaduras e outros elementos de combate, sejam de uso real ou cerimoniais.

A entrada, incluindo a Real Armería, custava 12 euros em abril de 2022. Para adquirir o audioguia, que eu super recomendo, há um adicional de 4 euros. Não se esqueça dos fones de ouvido!

Quando estiver pelo pátio, aliás, não deixe de ir até a passagem coberta para conferir a vista!

Mirador de La Cornisa del Palacio Real

Entre o Palacio Real de Madrid e a catedral, foi inaugurado recentemente um novo mirador, com vista para o Campo de Moro e outro imenso parque: Casa de Campo.

Catedral de la Almudena + Cripta

Tanto a catedral quanto a cripta são de visitação gratuita. Em ambas, recomenda-se doação de 1 euro.

A história desta catedral é bem sinuosa e cheia de reviravoltas, tendo sido idealizada inicialmente como igreja em 1879, depois reprojetada para que fosse uma catedral.

Sua cripta românica foi finalizada em 1911, mas a Guerra Civil Espanhola e outros acontecimentos interromperam ou atrasaram as obras em diversos momentos. O projeto inicial, de estilo gótico, foi totalmente alterado e o templo foi considerado construído em 1993, quando também foi consagrada pelo papa João Paulo II.

Há ainda um museu nas suas dependências, com ingresso custando 7 euros.

Dica: atravessando a Calle de Bailén e subindo pela Calle del Factor, há o Mirador de la Catedral, que oferece uma vista muito bonita do templo e do palácio.

El Vecino Curioso (“o vizinho curioso”)

A estátua em bronze de um velhinho, por Salvador Fernández-Oliva em 1999, está em posição de observação, como quem analisa as ruínas da Iglesia de Santa María de la Almudena, que é coberta por placas de vidro.

Há a superstição de que quem tocar as nádegas do idoso terá boa sorte.

🍴 Pausa: qualquer filial do 100 Montaditos, rede espanhola de tapas.

Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía

Localizado na ponta Sul do chamado “triângulo de ouro de arte” da cidade, este museu foca em obras do século XX. Seu nome vem da rainha Sofía e foi inaugurado em 1990.

Há muitas obras conhecidas neste museu, mas um destaque [leigo, meu] vai para as seguintes:

  • Guernica, de Pablo Picasso;
  • O Grande Masturbador, de Salvador Dalí;
  • Escargot, Femme, Fleur, Etoile (“Caracol, Mulher, Flor, Estrela”), de Joan Miró;
  • The Open Window (“Janela Aberta”), de Juan Gris;
  • House with Palm Tree (“Casa dom Palmeira”), de Joan Miró: uma das primeirs obras do artista;
  • Woman in Blue (“Mulher em/de Azul”), Pablo Picasso; e
  • A World (“Um Mundo”), de Ángeles Santos.

Dicas: visite o site do museu com antecedência para pesquisar obras e saber onde ir. Há ingressos gratuitos para as últimas horas do dia e dias específicos, que podem ser emitidos no site oficial.

Dia 2

Calle de la Cava Baja / Barrio de La Latina

Barrio de La Latina, um dos mais famosos da capital espanhola, é famoso por seus inúmeros bares de tapas, cafés, restaurantes e uma noite movimentada.

Vale se “perder” por suas ruas estreitas, que abrigam uma arquitetura influenciada pelo seu passado como área de uma antiga fortaleza islâmica.

Entre as várias ruelas, gostei muito da Calle de La Cava Baja, que tem um café/restaurante a cada passo que se dá.

Plaza de la Villa

No período medieval, esta praça foi um dos principais centros da cidade.

Ela é rodeada por três importantíssimos prédios históricos da cidade, de diferentes períodos: Torre y Casas de los Lujanes (século XV, à esquerda na praça), de estilo Gótico-Mudéjar; Casa de Cisneros (XVI, ao fundo), em estilo Plateresco; e Casa de la Villa (XVII, à direita), de estilo barroco.

Nesta praça, também podemos ver o Monumento a Don Álvaro de Bazán, grande estrategista que chefiou a Armada Espanhola, que posteriormente executaria uma tentativa fracassada de invadir a Inglaterra. Ele acabou falecendo antes da operação e seu sucessor não foi muito feliz na execução, inclusive passando mal por conta do movimento do mar durante o trajeto.

Calle del Codo

Enquanto estiver na praça mencionada acima, não deixe de conferir ainda uma das ruas mais antigas e mais estreitas da cidade: Calle del Codo, cujo nome se originou do formato de braço flexionado (“codo” significa cotovelo).

Mercado de San Miguel

À esquerda, uma construção de ferro, com detalhes pontudos no teto. Está anoitecendo. No quadro da direita, o interior de uma construção metálica pintada de marrom, com estandes e muitas pessoas no corredor checando os balcões.
Mercado de San Miguel: vista da parte exterior e parte do seu interior.

Aberto em 1916 como centro de abastecimento, este excelente exemplo de arquitetura de ferro da capital espanhola funciona desde 2009 como mercado gastronômico, primeiro do tipo na cidade.

Entre as diversas opções, conta inclusive com estabelecimentos com estrelas Michelin.

Durante a minha visita, acabei focando em dois locais: La Casa del Bacalao, com tapas de frutos do mar; e La hora del Vermut, especializado no tradicional vinho fortificado e aromatizado com ervas e flores (vermute).

Plaza de Ramales

Quando se chega por aqui, não se vê nada que chame a atenção de primeira.

Olhe ao redor com cuidado, porém, e verá alguns pontos no piso feitos com pedra de textura diferente do resto do piso. Estas marcas que se assemelham a colunas e linhas de antigas paredes, seriam da antiga Iglesia de San Juan Bautista, então “igreja real”, e local de muitos dos batismos e casamentos reais do seu período de existência.

Ela foi demolida e substituída pela praça em 1811, quando do reinado de José Bonaparte (irmão mais velho de Napoleão).

Um dos fatos marcantes na história da antiga igreja foi o sepultamento de Diego Velázquez e de Juana (sua esposa) na cripta, em 1660. Os corpos do famoso pintor espanhol e de sua esposa, porém, jamais foram encontrados, mesmo em investigação arqueológica na década de 90, quando da construção de um estacionamento subterrâneo.

Iglesia de San Nicolás de los Servitas

Esta igreja é a construção mais antiga da cidade, com sua torre Mudéjar (mistura do estilo gótico com o muçulmano, típico na Espanha) do século XII. O templo foi erguido no local onde previamente existiu a Mesquita Aljama Mayrit.

A estrutura principal, porém, foi construída lá pelos idos do século XVII.

Plaza Mayor

Uma praça repleta de pessoas caminhando em diferentes direções. Ao centro, uma estátua equestre. Ao fundo, rodeando a praça, um grupo de prédios de paredes vermelhas e incontáveis janelas.
Plaza Mayor.

Esta praça central de Madri foi construída no fim do século XV, quando a corte espanhola (do rei Felipe II) estava sendo transferida de Toledo para Madri.

Diversos eventos importantes aconteciam por ali, incluindo corridas de touros, coroações e autos-de-fé. Autos-de-fé eram julgamentos promovidos pela Inquisição Espanhola.

No centro desta praça, temos uma estátua equestre de Felipe III, criada por Giambologna e finalizada por Pietro Tacca em 1616. Sua localização original era na Casa de Campo, mas veio para cá em 1848.

Casa de La Panadería

Entre as construções que ladeiam a praça, destaca-se a Casa de La Panadería, construída por volta de 1590, que já serviu como o moinho que estabelecia o preço do pão em toda a cidade.

Sua fachada é coberta por lindos afrescos, que mudaram no decorrer dos anos, devido às inúmeras reformas e alterações pelas quais a área já passou.

Sobrino de Botín (Casa Botín)

Este restaurante é o mais antigo do mundo segundo o Guinness Book of World Records, estando em funcionamento desde 1725. Parte do prédio, aliás, existe desde 1590.

Aberto originalmente por Jean Botín como Casa Botín, teve seu nome alterado para Sobrino de Botín quando o sobrinho assumiu o estabelecimento após a morte do tio. Sobrino, sim, significa “sobrinho”.

No interior do restaurante, diz-se que a chama do forno nunca se apagou.

Entre as especialidades, temos a principal, cochinillo asado (leitão assado); além de sopa de ajo (sopa de alho).

Não visitei o interior deste restaurante por falta de tempo, mas passei por ele por conta de seu valor histórico.

🍴 Pausa: “padaria”/café La Mallorquina, Chocolatería San Ginés, Bar Postas ou Bar La Campana.

Puerta del Sol

No quadro acima, um mapa marrom da península ibérica feito de pedra, com um arco da mesma cor por cima, onde se lê 'ORIGEN DE LAS CARRETERAS RADIALES'. No quadro abaixo, uma estátua de um urso que se apoia em uma árvore, em uma praça.
Acima, Kilómetro 0; abaixo, El Oso y el Madroño. Puerta del Sol, Madri.

Apesar do nome, “Porta do Sol” é uma praça, uma das mais icônicas de Madri.

Ela reúne alguns elementos bastante famosos da cidade, como o Kilómetro 0, a estátua do urso e do medronheiro e a torre do relógio da Real Casa de Correos (antigo escritório dos correios, de 1768), que bate as 12 badaladas na virada do ano, sempre seguidas pela tradição de comer 12 uvas.

Kilómetro 0 [de las carreteras radiales de España]

Esta marca na calçada logo em frente à Real Casa de Correos marca uma das razões pela qual a Puerta del Sol é famosa: é daqui que partem as vias rodoviárias nacionais que começam em Madri (quilômetro zero vem daí).

Dizem que se você pisar na placa, retornará à Madri. Por conta disso, é comum a formação de uma generosa fila para tirar foto ao lado do monumento.

El Oso y el Madroño

Inaugurada em 1967, esta estátua exibe um urso (oso) e um medronheiro (madroño), um tipo de árvore pequena que produz um fruto que lembra um pouco o morango (em inglês, inclusive, o nome é o mesmo do pé de morango).

Esta figura também está presente no escudo da cidade, tendo se tornado um dos principais elementos em souvenirs da capital espanhola. Assim como o Kilómetro 0, há quase sempre gente esperando a sua vez para tirar uma foto perto do monumento.

Madrid al Cubo

Andando por Madri, você tropeçará em lojas de souvernirs. O problema dos itens de souvenir nos dias de hoje, porém, é que a maioria deles tem a mesma cara, não importa a cidade que você visite.

No Madrid al Cubo, você encontra itens muito além dos habituais ímãs de geladeira e/ou postais, incluindo pôsteres antigos e diversos itens com estampas de frases típicas e engraçadas.

Achei um charme!

🍴 Pausa: Bateu uma fome? Hora de passar na Arrocería Marina Ventura, uma das melhores opções em Madrid para experimentar uma boa paella. Se o local estiver cheio, já reserve para o dia seguinte!

El Corte Inglés (Pl. del Callao 2)

Maior grupo de lojas de departamento em toda a Europa e terceiro no mundo, é o único espanhol ainda em funcionamento.

Esta loja em específico se destaca pela vista da cidade a partir de seu terraço, onde ficam vários bares e restaurantes.

Gran Vía

Talvez a principal via comercial da cidade, Gran Vía é repleta de lojas, desde marcas acessíveis a grifes e hotéis de luxo.

Esta importante avenida possui mais de 100 anos de história, com a construção tendo iniciado em 1910. Com o propósito de ajudar a destravar o trânsito na cidade, acabou por substituir cerca de 22 das muitas ruelas existentes no centro da capital à época.

Entre diversos edifícios icônicos, destacam-se o Metrópolis, o prédio da Telefónica e o Casino.

Jardines del Museo del Prado

Como o próprio nome já indica, esta faixa verde (uma espécie de praça) fica nos arredores do famoso museu madrileno, exatamente entre ele e o Paseo del Prado, uma alameda com outra área verde bem agradável.

Museo Nacional del Prado

O museu mais conhecido da Espanha, Museo Nacional del Prado (ou Museo del Prado) é especialmente conhecido por sua extensa coleção de pinturas, esculturas e outros tipos de obras.

É conhecido por ter o melhor acervo de artistas espanhóis em todo o mundo, com destaques para Goya, Diego Velázquez, El Greco (grego radicado espanhol) e vários outros.

Quando visitei, foquei em algumas de suas principais obras, curtindo também o que estivesse no percurso entre elas: Las Meninas (Diego Velázquez), Mona Lisa (cópia feita no estúdio de Leonardo da Vinci por seus “alunos”), Saturno devorando um filho (Francisco de Goya) e Três de Maio de 1808 em Madri (Francisco de Goya), entre outros.

Dica para economizar: no site da instituição, eles explicam os dias com entrada gratuita, além dos horários diários em que não se cobra nada. Há regras, porém: para os horários gratuitos, o visitante deve chegar um pouco antes das dez da manhã no dia da visita e entrar em uma fila onde eles distribuem entradas gratuitas para as duas últimas horas daquele mesmo dia.

As regras podem mudar, então vale conferir no site(procure por “horario gratuito”) e, na dúvida, perguntar na própria instituição.

Dia 3

Visitei a estação Madrid-Puerta de Atocha, com o Jardín Tropical de Atocha.

Este jardim tropical dentro da estação costumava ter seus corredores internos abertos, mas na ocasião da minha visita só se podia ver o espaço pelo seu redor.

Ele abriga palmeiras bastantes altas, além de flores e plantas de médio porte. Sua “flora” abriga, no total, 7000 exemplares de 400 espécies. As plantas são originárias da América, da Ásia e também da Austrália.

A estação que o abriga, Madrid-Puerta de Atocha, também é muito bonita, tendo sido aberta ao público em 1851.

Neste dia, visitei ainda a cidade de Toledo, que trouxe em um roteiro separado aqui pro blog.

Dia 4

Turrones Vicens (unidade do Prado)

Esta loja é uma das várias em Madri (e em outras cidades da Espanha) que vendem torrones (ou nougats), tendo iniciado (segundo a companhia) em 1775, baseado em receitas originais de Agramunt, cidadezinha da Catalunha.

Há itens muito saborosos, incluindo um com sementes de abóbora e várias variações de chocolate.

Iglesia Parroquial de San Jerónimo el Real

Este monastério já foi um dos mais importantes de toda a Espanha, não tendo originalmente começado neste espaço.

A rainha Isabella garantiu aos monges este local em 1502, após apelos dos religiosos devido à insalubridade do local anterior.

Ele já foi palco de importantes cerimônias, seja religiosas ou relacionadas com a monarquia.

Com seu estilo gótico, possui detalhes lindíssimos também em seu interior.

Por ser uma institituição religiosa, possui horários bem específicos para visita, que podem ser conferidos em seu site oficial. A entrada é gratuita.

Parque de El Retiro

Diversas pessoas navegam em pequenos barcos em um lago de águas esverdeadas. O céu está azul. Atrás do lago, temos uma linha de árvores e um monumento cheio de colunas claras e uma estátua equestre ao centro.
Estanque Grande de El Retiro, Madri.

Um dos parques preferidos de Madri, o El Retiro possui 125 hectares de extensão, se destacando por suas mais de 15 mil árvores e um caprichado conjunto de jardins, monumentos e construções.

Entre as diversas áreas disponíveis, destaco:

  • Estanque Grande de El Retiro: um lago artificial, uma construção em semicírculo e uma estátua equestre de Afonso XII compõem a atração, que oferece a possibilidade de aluguel de pequenos barcos para passeio. Foi construído (com excecção de algumas partes) na primeira metade do século XVII.
  • Palacio de Velázquez: foi construído entre 1881 e 1883 para servir como pavilhão de uma feira internacional. A obra se deu sob o comando de Ricardo Velázquez Bosco, que lhe emprestou o nome. Hoje serve como palco para exposições de arte, principalmente contemporânea.
  • Palacio de Cristal del Retiro: construído também por Ricardo Velázquez Bosco, em 1887, era originalmente uma estufa para plantas tropicais. Foi inspirado no Crystal Palace, que existia no Hyde Park, em Londres. Hoje, está sob a gerência do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (assim como o palácio acima), sendo palco para exposições temporárias.
  • Rosaleda del Retiro: um jardim exclusivamente de rosas criado em 1915, está em seu ápice entre maio e junho, época de floração. Abriga cerca de 4000 rosas.
  • Fuente del Ángel Caído: um dos poucos monumentos que você encontrará no mundo em homenagem ao “anjo caído” (demônio), é uma fonte muito bonita. A figura alada foi criada em 1878 para outro uso, tendo sido adquirida pela cidade posteriormente. Em 1885, o monumento atual foi inaugurado, com a escultura em seu topo.
  • Jardines de Cecilio Rodríguez: jardim bem cuidado, com pequenos lagos e estátuas, abriga uma série de pavões, que circulam por toda a áre sem restrição.

Palacio de Cibeles (Palacio de Comunicaciones)

Antigamente chamado de Palácio das Comunicações, foi inaugurado em 1909 para ser sede dos correios espanhóis.

Desde 2007, funciona como sede da administração municipal.

De arquitetura imponente, possui espaços com exibições gratuitas, sala de música, torre com mirante, auditório e várias outras instalações.

A parte dos antigos balcões de atendimento do serviço postal é também muito interessante.

Puerta de Alcalá

Inaugurada em 1778, substituiu uma porta anterior do século XVI.

Em estilo neoclássico, foi construída sob as ordens do rei Carlos II.

É um arco triunfal de granito, de um grupo de cinco portas que a cidade possui. Seu nome se dá ao fato de que ela estava próxima do caminho que conduzia à cidade de Alcalá de Henares, ao norte da Espanha.

Museo Nacional Thyssen-Bornemisza

Também conhecido apenas como Thyssen, este museu se originou de uma coleção privada de obras.

De maneira geral, é visto como um complemento aos períodos artísticos cobertos pelos dois outros museus do chamado Triângulo de Ouro (ou Triângulo da Arte) em Madri, ou seja o Reina Sofía e o Prado.

Entre os destaques que mais me chamaram a atenção, estão um retrato do rei Henrique VIII feito por Hans Holbein, O Jovem; Santa Catarina de Alexandria, de Caravaggio; e Les Vessenots, de Van Gogh; entre outros.

Atualmente, em parceria com Mastercard, o museu está oferecendo entrada gratuita. Obviamente, é recomendável emitir o bilhete no site do museu com antecedência. Caso contrário, a entrada para adultos custa 13 euros.

Onde comer

La Doña

Simpática “padaria” nas proximidades da Plaza del Dos de Mayo, tinha um dos cafés pretos (simples) mais gostosos que tomei na cidade.

Há também uma boa variedade de itens doces e salgados, incluindo “napolitanas”, uma guloseima de massa folhada com recheios doces ou salgados. Os mais típicos são de chocolate e de amêndoas.

Bar La Campana

Bem ao lado da Plaza Mayor, principal praça de Madri, o La Campana oferece sangrias, tapas e outras especialidades, mas é conhecido principalmente pelos seus deliciosos bocadillos de calamares.

Trazendo para o português, “calamares” são um grupo de espécies que geralmente chamamos de lula. O bocadillo de calamares, portanto, é um sanduíche com um pão que lembra baguete rechado com anéis empanados e fritos de lula.

Apesar de possuir mesas no seu interior, a maioria das pessoas forma uma longa fila em frente ao estabelecimento e compra a iguaria pra levar, parando na praça ao lado para assistir tudo o que acontece por ali.

Bar Postas

Outro bar que figura entre os mais populares para bocadillos de calamares, também nas proximidades da Plaza Mayor.

Cervecería 100 Montaditos

Esta rede de restaurantes começou na Espanha, em 2000, mas hoje já possui muitos restaurantes fora do país.

“Montadito” viria do costume bem antigo na Espanha de se rechear uma ou mais fatias de pão com frios, carne, peixes, entre outros ingredientes. Em suas redes, portanto, eles ofereceriam “uma centena” de opções destes sanduíches.

O que mais gosto desta rede é que há opções a partir de um euro ou pouco mais cada unidade, incluindo sabores com jamón (presunto cru espanhol), queijos espanhóis e até chocolate.

Dica: quartas e domingos são os melhores dias, quando os itens do menu ficam ainda mais baratos.

Sobrino de Botín (Casa Botín)

Já falei sobre ele acima como atração turística, mas ele também é (principalmente) um restaurante. E vale a visita! :D

Gioelia (antigo Giolatto)

A premiada gelateria traz a qualidade e cremosidade dos gelati italianos com alguns sabores mais modernos.

O espaço é bem bonitinho e os funcionários, super simpáticos.

Casa Toni

Sempre que visito uma nova cidade, tento encontrar estabelecimentos que sejam mais “locais”, com menos foco em turistas.

Embora a Casa Toni esteja em uma área super movimentada, suas paredes carregadas de gravuras e fotos que rememte às antigas touradas, seu acervo de peças antigas e seu ambiente mais “raiz” parecem mostrar que o local serve turistas, mas não tem eles como público “especial”, o que eu definitivamente prefiro.

A comida é muito boa, com tapas e frutos do mar bem preparados; e as porções são bem grandes. Ah! A sangria deles é maravilhoa!

La Mallorquina

Fundada em 1894 por Juan Ripio (nascido na Ilha de Maiorca), é outro lugar excelente para experimentar sobremesas típicas do país. La Mallorquina é bem conhecida por suas napolitanas, que já citei anteriormente.

Se estiver pelos arredores da Puerta del Sol, não perca a chance!

Arrocería Marina Ventura

Um restaurante com ambiente super agradável, a Arrocería Marina Ventura traz uma boa carta de vinhos, além de pratos muito saborosos, principalmente focados em paella, frutos do mar e carnes.

É um espaço bastante movimentado e com preço razoável, então é bastante aconselhável que se reserve com antecedência. Para mais informações, basta acessar o site do estabelecimento.

Chocolatería San Ginés

Ir à Madri e não comer churros é quase como se a visita não tivesse sido completa.

Entre as diversas opções da cidade, a Chocolatería San Ginés é provavelmente a mais conhecida.

Aqui, fica uma dica: por conta da popularidade, ela foi se expandindo para prédios ao lado na mesma ruela. Se a fila estiver grande na entrada principal, vale tentar na outra entrada, cujo espaço costuma estar bem mais vazio.

Se estiver com outra companhia e, assim como eu, tiver intenção de comer outra coisa logo mais tarde, melhor dividir. Parece que não, mas a xícara de chocolate quente e a meia dúzia de churros alimentam dois tranquilamente!

Transporte público

Como em muitas outras cidades turísticas, Madri oferece bilhetes por período, indo de 1 até 7 dias nas opções de turismo.

Apesar disso, o pacote mais barato de 1 dia era de 8,40 euros e eu viajo pouco de transporte, montando roteiros que favorecem o trajeto a pé.

Pensando nisso, acabei optando pelo “Multi card”, um cartão plástico que pode ser usado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo e custa 2,50 euros (somente o cartão). Carreguei na própria máquina da estação um pacote de 10 viagens ao custo de 12,20 e compartilhei com quem estava comigo na viagem.

Explico: no “Multi card”, que não é um bilhete pessoal, você pode passá-lo mais de uma vez em seguida na catraca, uma por passageiro, até acabar as 10 viagens totais. Ele pode ser recarregado múltiplas vezes, evitando pagar novamente 2,50 euros apenas pelo plástico.

Na dúvida, vá até uma das máquinas e digite a estação que gostaria de visitar. Ela indicará qual pacote é recomendado.

Ah! O trajeto entre o centro da cidade e o aeroporto usando metrô incorre em tarifa extra de 3 euros.

Dica final: água para beber

Madri, assim como algumas outras cidades europeias, oferece uma boa rede de fontes com água própria para o consumo.

Nem todo mundo tem coragem, já que elas têm acesso sem controle, mas os locais bebem dela sem problema e a água é fresquinha!

Uma boa opção é baixar o aplicativo Closca, que funciona inclusive em outros países. De forma colaborativa, ele ajuda a encontrar fontes e estabelecimentos onde se pode recarregar a garrafinha d’água de graça, evitando gerar uma pilha de garrafas de plástico de uso único. Para baixar o aplicativo, basta visitar o site oficial.

Mapa do tesouro

O mapa a seguir conta com todas as atrações que recomendo a visita, para que você selecione as que têm mais a sua cara.

Elas estão divididas por dia (3 dias bem cheios) e em uma ordem mais ou menos ideal para o trajeto.

Até a próxima! :)


Imagem de destaque:
Vista do Palacio Real de Madrid e da catedral a partir do mirador no Parque La Montaña.
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