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Passeio de um dia por Bath, Inglaterra

Viagens27/06/2021

Olá!

Como parte do meu passeio de cinco dias por Bristol, Bath, Cardiff e Cirencester, hoje gostaria de te contar um pouco sobre o segundo destino da viagem, que passei na cidade famosa por suas termas romanas.

Após chegar na estação Bath Spa de trem, me dirigi logo para a primeira parada do dia, a Pulteney Bridge, uma ponte finalizada em 1774. De estilo palladiano, a ideia das bordas cobertas por pequenos comércios me lembra um pouco a ideia da Ponte Vecchio de Florença ou Ponte di Rialto, de Veneza.

Logo ao lado da ponte, não deixei de conferir o Pulteney Weir, uma barreira baixa no rio Avon que serve/servia, essencialmente, a dois propósitos: (1) conduzir a água no nível mais alto para as laterais, onde existiam moinhos d’água; (2) regular o nível da água, conduzindo parte do fluxo para um portão lateral, ajudando a evitar enchentes.

Esta barreira aparece em mapas da cidade desde 1603, mas seu formato foi adaptado mais recentemente, no começo dos anos 70, quando ganhou o formato em “V”, mais eficiente.

Saindo de lá, a fome bateu e procurei por cafés da cidade. Acabei parando no Rosarios Café, um local com alguma influência italiana e comida bem saborosa.

Após meu café da manhã, me dirigi à Abbey Churchyard, uma espécie de praça que conecta a abadia e as termas romanas, duas das principais atrações da cidade.

Meu interesse ali, porém, era outro naquele momento: há em Bath um tour gratuito oferecido pela cidade, que conta com cidadãos mais experientes conduzindo os turistas pelas principais atrações.

Com muitas histórias, curiosidades e detalhes, dá para conhecer bastante da cidade em aproximadamente uma hora e meia de percurso. Se você quiser visitar, basta agendar no site oficial.

Um dos primeiros pontos que conhecemos (pelo lado de fora) foi o prédio da Sally Lunn’s Historic Eating House & Museum. Este “restaurante” e casa de chá é considerado uma das casas mais antigas casas da cidade de Bath e foi a residência (e comércio) de Sally Lunn, uma refugiada francesa que se estabeleceu por ali em 1680 e abriu uma bakery (algo como uma “padaria”), desenvolvendo o hoje super conhecido Sally Lunn Bun, um tipo de pão que lembra o brioche e é hoje servido com recheios e/ou acompanhamentos doces e salgados dos mais diversos.

Após o tour, voltei ao local e conferi um dos Sally Lunn’s Bun com cobertura de frango que era bem gostoso. Se possível, visite o lugar com tempo e chegue cedo, pois costuma ter fila na porta.

Ao visitar, também conferi o subsolo, onde há uma réplica do ambiente onde Sally Lunn antigamente trabalhava. Muito interessante!

Uma espécie de cozinha medieval, toda em parede de pedra, com um fogão à lenha à esquerda. Ao centro, uma figura representando uma mulher, com blusa laranja e saia longa marrom, toda suja de terra. Ela opera um forno de pedra.
No subsolo, há uma representação do que poderiam ser as condições do ambiente de trabalho de Sally Lunn à época (recorte do ambiente).

Saindo dali, fomos até o The Royal Crescent, uma longa construção em formato de meia elípse, que foi construída entre 1767 e 1775, que hoje abriga um museu, uma área privada e um hotel de luxo.

Logo em frente ao local, há uma generosa área de parque (Royal Victoria Park, aberto em 1830), bastante frequentada pelos residentes e também por turistas.

Não distante dali, fui até The Circus, uma pequena praça circular circundada por três fileiras de casas no estilo Georgiano, construídas entre 1754 e 1768.

Também na vizinhança, pudemos conhecer o exterior do Bath Assembly Rooms, um grupo de prédios construídos no século XVIII para eventos e encontros da sociedade abastada da cidade. Atualmente, abrigam (entre outros estabelecimentos) o Fashion Museum Bath, museu que abriga uma grande coleção de vestuário, indo de séculos atrás até os tempos atuais.

Ao deixar o local, passamos ainda pelo Royal Mineral Water Hospital, local de um hospital fundado em 1738 como “The Mineral Water Hospital”, um local para atender os pobres não residentes que chegavam à cidade atraídos pelos potenciais poderes curativos das águas termais de Bath.

O hospital não funciona mais ali e a construção, infelizmente, foi vendida para um grupo privado do exterior, que planeja reformar o lugar e abrir um hotel de alto padrão.

Como último ponto da visita, conheci também o Cross Bath, uma das três estruturas de fontes termais na cidade. Menor do que o Thermae Bath Spa, também oferece serviços pagos em sua piscina de água naturalmente aquecida. A construção data de 1789.

Encerrado o passeio guiado, segui novamente até a praça do início e provei um dos fudges do Fudge Kitchen. É um local pequeno, que prepara artesanalmente a sobremesa. Para os fãs de fudge, vale muito a pena.

Curiosidade

Em tempos de domínio da Grã-Bretanha pelo Império Romano, Bath era conhecida como Aquae Sulis. Sulis é o nome da deusa antiga britânica das águas “curativas”, que os romanos relacionaram com Minerva, deusa romana da guerra, sabedoria, justiça, entre outros temas. O nome Aquae Sulis significa “Águas de Sulis”.

Depois da degustação, atravessei a praça e segui até a Bath Abbey, abadia construída no século VII e que é atualmente uma sede paroquial. Já foi em algum momento do passado uma catedral e também já fez parte de um monastério beneditino, mas este foi dissolvido em 1538 por ocasião da dissolução de monastérios encampada por Enrique VIII quando se desvencilhou da Igreja Católica de Roma e fundou a Igreja Anglicana (ou “Igreja da Inglaterra”) .

Em primeiro plano, um grupo grande de pessoas; ao fundo, uma imponente igreja em estilo gótico. O céu está azul e cheio de nuvens ralas.
Fachada da Abadia de Bath.

O templo tem suas paredes internas encrustadas de muitas placas e monumentos em homenagem a nobres e pessoas influentes de diferentes épocas, inclusive de figuras que fizeram fortuna com o comércio de humanos escravizados.

Na ocasião da minha visita, havia no seu interior uma exposição de diversos painéis impressos com material explicativo sobre o triste período do comércio de escravizados, sobretudo na produção de açúcar a partir da cana na Jamaica e outros países americanos.

Achei interessante, principalmente, por conta de um texto de reflexão do líder da Igreja, que se desculpava oficialmente pelo passado triste de relação entre a igreja local e escravagistas.

Para terminar a visita do dia, segui até a construção vizinha, The Roman Baths (“termas romanas”), a atração mais famosa da cidade.

Termas romanas, com enorme piscina esverdeada ao centro, ladeada por passagens cobertas, que são sustentadas por grossas colunas de pedra. O ângulo da vista é a partir de cima.
Vista das termas romanas a partir do andar superior.

O complexo de termas romanas, ainda maior do que o que podemos conferir hoje em dia, foi construído entre os anos 60 e 70 d.C., ocasionando a formação consequente de uma aglomeração urbana romana conhecida como Acqua Sulis, na então Britannia, como era conhecida a Grã-Bretanha sob domínio do Império Romano. É ali, portanto, que a cidade de Bath começou.

Termas romanas, com enorme piscina esverdeada ao centro, ladeada por passagens cobertas, que são sustentadas por grossas colunas de pedra.
Vista das termas romanas a partir do solo.

Originalmente, era para uso público e incluía uma série de salas para diferentes finalidades, inclusive dividindo as estruturas de banho por gênero.

Atualmente, praticamente toda a estrutura no nível do solo é fruto de construções do século XIX.

As partes originais e mais antigas podem ser encontradas na parte do subsolo, além da piscina principal.

A entrada é paga, tendo custado 25 libras em maio de 2021, mas o preço varia conforme a idade, dia da semana, entre outros fatores. Para adquirir o ingresso, acesse o site oficial com antecedência e compre o ingresso.

Preferencialmente, agende uma entrada que possibilite pelo menos duas horas no lugar, pois há bastante conteúdo para conferir. Há um guia em áudio disponível, o que facilita para que a visita seja melhor aproveitada.

Extras

Pela limitação do tempo e também por conta da pandemia, não consegui visitar algumas atrações que estavam na minha lista, que listarei aqui para que você possa decidir se merecem entrar no seu roteiro caso visite a cidade no futuro:

  • Botanical Gardens: próximas do The Royal Crescent, este jardim botânico no Royal Victoria Park foi criado em 1887. Inclui, entre muitos outros pontos de interesse, uma réplica de um templo romano.
  • The Holburne Museum: primeira galeria pública de artes da cidade, foi criado a partir da coleção de Sir William Holburn. Seu principal destaque está em arte decorativa, como cerâmicas orientais, pinturas e trabalhos em vidro.
  • Sydney Gardens: parque vizinho a The Holburn Museum. Foi aberto em 1795.
  • Victoria Art Gallery: galeria de arte fundada em 1900 em homenagem ao Jubileu de Diamante da rainha Vitória.
  • Alexandra Park: parque aberto em 1902 em homenagem à coroação de Eduardo VII.

Percurso entre Bath e Londres

No meu caso, visitei Bath a partir de Bristol, o que é feito em uma viagem bem curta de trem.

Se você estiver em Londres, porém, há duas opções bem convenientes para conhecer Bath:

  • Trem: opção mais rápida e menos suscetível a atrasos, demora cerca de uma hora e meia em trens tradicionais ou uma hora em trens rápidos. A viagem começa na estação London Paddington de trem e vai até a estação Bath Spa. Para preços mais amigáveis, aconselho a compra com antecedência.
  • Ônibus: opção mais barata, demora cerca de 3 horas. O trecho se faz entre a parada London Victoria Coach Station e uma parada em Bath.

Mapa do tesouro

Até a próxima! :)


Imagem de destaque:
Pulteney Bridge e Pulteney Weir.
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