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Vaticano: roteiro completo na Santa Sé

Viagens20/09/2022

Embora esteja dentro de Roma e possua áreas completamente abertas para a cidade, o Vaticano (oficialmente, Estado da Cidade do Vaticano) é uma Cidade-Estado independente e soberana.

Sede da Igreja Católica Romana, conta com cerca de 1000 habitantes, em um território de 0,44 km².

O tempo de passeio por lá varia muito, a depender da profundidade em detalhes que você gostaria de dedicar a seus museus e demais estruturas abertas ao público.

Se for visitar todos os espaços com um tempo razoável, entre 4 e 6 horas são suficientes.

Como seu território é, basicamente, um enclave na capital italiana, é completamente possível fazer o passeio em um dia e continuar sua viagem por Roma.

No texto a seguir, te apresento as principais estruturas disponíveis para visitação na Santa Sé.

Na maioria das vezes, turistas que visitam o Vaticano também estão visitando Roma. Se for o seu caso, tem um roteiro bem completo no blog.

Musei Vaticani

Vemos parte de uma pintura feita diretamente na parede de uma sala. A cena retratada é de um papa sentado no trono, em uma sala ladeada por colunas enormes. Há muita gente por ali, tanto assistindo ao papa quanto conversando.
Uma das muitas paredes decoradas com afrescos/pinturas nos Museus Vaticanos.

Os Museus Vaticanos são um grupo de museus fundado no início do século XVI pelo papa Júlio II.

Com 54 galerias, recebe cerca de 6 milhões de pessoas por ano (The Guardian, 2018).

Os museus possuem cerca de 70 mil itens, com “apenas” 20 mil em exibição.

Dica

Ao adquirir o bilhete, tente adquirir o audioguia (disponível em português de Portugal). Ele te ajudará a perceber detalhes das peças e das próprias salas que poucos detectariam a olho nu, inclusive observações históricas muito interessantes. Com ele em mãos, pegue também um mapa e siga o roteiro que preferir. O audioguia pode ser adquirido na hora da visita.

É difícil descrever os museus em poucas palavras, mas as diferentes galerias abrigam exemplos importantes de Arte Renascentista, esculturas de séculos atrás, artigos egípcios diversos, tapeçaria, mapas e pinturas de estilos e épocas variadas.

Na ocasião da minha visita, o ingresso (sem audioguia) custava 21 euros (junho/2022). Este valor era para adultos e incluía a Capela Sistina.

Recomendo fortemente que adquira o bilhete no site oficial com antecedência e que vá mais cedo, pois os museus, especialmente na primavera e verão, ficam lotados e MUITO quentes. Apenas a Capela Sistina possui ar-condicionado.

Cappella Sistina

Para quem faz o percurso dos museus, a Capela Sistina é o ponto final do trajeto.

Ela foi construída entre 1473 e 1481, sendo consagrada em 1483. O projeto foi dos arquitetos Baccio Pontelli e Giovanni de Dolci.

No final dos anos de 1480 e nas décadas seguintes, inúmeros afrescos foram adicionados ao interior da capela, incluindo obras de Botticelli, Perugino, Ghirlandaio, entre outros. Os trabalhos mais famosos, porém, são os afrescos de Michelangelo, que incluem todo o teto e a parede atrás do altar.

Na parede do altar, temos “Juízo Final”, que por sua representação das figuras humanas nuas sofreu extensa retaliação e posteriores alterações que cobriram partes íntimas de algumas pessoas na imagem.

No teto, entre as tantas cenas impressionantes, temos a mundialmente famosa “A Criação de Adão”, em que Deus e Adão estendem seus braços um em direção ao outro, quase encostando o dedo indicador.

Curiosidade

A capela é o local onde várias cerimônias importantes são realizadas, incluindo o conclave, quando um novo Papa é eleito.

Durante a visita, hâ uma série de regras. É imprescindível que os visitantes permaneçam em silêncio e não tirem fotos ou façam vídeos. Tem sempre um “esperto” ou um “distraído” tentando quebrar a regra e levando bronca.

Piazza San Pietro / Obelisco

Com acesso normalmente livre a partir da cidade de Roma, a Praça São Pedro fica imediatamente em frente à Basílica de mesmo nome.

A praça foi feita entre 1656 e 1667, quando foi aberta. Depois disso, porém, inúmeras intervenções foram realizadas, incluindo a adição de uma segunda fonte em 1675 (pareando com a anterior, de 1613).

Entre as exigências do Papa Alexandre VII, que comandou o pedido do projeto, estava o de que o pontífice pudesse ser visto quando estivesse em frente à basílica ou dando a benção do Palácio Vaticano, como ainda ocorre hoje.

O arquiteto responsável pelo projeto foi Bernini, que criou uma série de colunas que contornam a praça tornando-a uma elipse perfeita. As quatro linhas de colunas (cobertas), aliás, são colocadas de forma muito bem pensada, fazendo com que só se veja a fileira de colunas da frente, dependendo do ângulo de vista.

No meio da praça, temos um obelisco egípcio antigo de 25,5 metros, que já estava por ali antes mesmo do projeto da praça (1586). De granito vermelho, seu local original era a cidade egípcia de Heliópolis.

Basilica Papale di San Pietro in Vaticano

Vemos o interior de uma basílica, com o teto esculpido nas cores bege e marrom. Em cima, um domo com detalhes semelhantes. Ao centro, um altar com estrutura em bronze, composto de quatro colunas sinuosas e uma cobertura angulada.
Vista do interior da Basílica de São Pedro, com destaque para o Altar-Mor.

A imponente Basílica de São Pedro foi consagrada em 1626, após 20 anos de obras, desde a demolição do templo anterior. Entre os arquitetos responsáveis, temos Carlo Maderno, Michelangelo e Bramante.

De estilos Renascentista e Barroco, possui 220 metros de comprimento, 150 de largura e 136,6 de altura. Seu domo, aliás, serviu de inspiração para várias outros locais pelo mundo, incluindo a Catedral de São Paulo, em Londres. O diâmetro externo do domo é de 42 metros.

Nomeada em homenagem a São Pedro, considerado pelos católicos como o primeiro Papa, seria ali o local da tumba deste apóstolo, logo abaixo do Altar-Mor. Além dele, vários outros papas foram sepultados em suas dependências.

Difícil elencar os pontos de destaque desta basílica, a principal da Igreja Católica, mas posso citar, entre muitos outros elementos marcantes, a Pietà de Michelangelo, a Tumba de Alexandre VII, as capelas laterais e o trabalho no domo.

Na frente de uma parede coberta de mármores e granitos de diferentes cores, temos uma estátua clara de uma mulher entristecida, que segura um homem desacordado. São Maria e Jesus.
Pietà di Michelangelo, Basílica de São Pedro, Vaticano.

Reserve pelo menos uma hora para circular pelo templo e conferir cada um dos pontos principais, com seus detalhes esculpidos, mosaicos, jogos de luzes a partir de janelas, etc.

Atenção

Durante a visita, perguntei sobre os Giardini Vaticani (Jardins do Vaticano), mas eles estavam fechados para o público. Vale verificar quando for visitar a área.

Como chegar ao Vaticano

Para chegar ao Vaticano, uma das formas mais fáceis é ir de metrô, através da linha A, parando na estação Ottaviano. A partir da Piazza di Spagna, por exemplo, basta pegar esta linha no sentido Battistini.

Mapa do tesouro

Até a próxima! :)


Imagem de destaque:
Fachada da Basílica de São Pedro, no Vaticano.
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