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Viagem de um dia à Cardiff

Viagens04/07/2021

Olá!

Hoje eu gostaria de “passear” contigo pelo meu primeiro destino até hoje no País de Gales.

Já faz tempo que quero conhecer as capitais (no mínimo) das demais nações constituintes do Reino Unido, mas nem preciso dizer que a pandemia me fez abandonar qualquer plano forte de viagem por enquanto. O mais comum, pelo menos por agora, é que eu pesquise os destinos possíveis para o momento e com pouca antecedência.

Meu primeiro contato com Cardiff já começou na estação, quando comecei a ver todas as placas com informações em inglês e galês, as duas línguas oficiais por lá.

Em uma estação antiga de trem, uma placa branca em primeiro plano exibe informações em inglês e galês.
Placa na estação Cardiff Central, exibindo informações em inglês e galês.

Minha primeira visita foi ao Riverside Market, uma “feira” cheia de barracas de comida de diferentes origens no mundo, além de algumas opções de vegetais e verduras. Bem interessante! Como costuma abrir apenas aos domingos, vale conferir online antes de visitar a cidade.

Como sou um turista de estômago nervoso, não comprei nada neste mercado, mas fui em busca de um dos itens mais conhecidos (pelos não residentes): welsh cake. Depois de peregrinar entre vários cafés e estabelecimentos similares que não serviam welsh cakes, acabei recebendo uma dica de uma simpática residente: Fabulous Welshcakes.

Fui na unidade da Castle Arcade, que fica perto de outras atrações do dia.

Provei da versão com uvas passas, que creio que seria a tradicional, além de uma com chocolate e outras opções. Eles são feitos praticamente toda hora e o gosto me lembrou muito os biscoitinhos de nata da minha infância.

Ainda com fome, andei mais alguns metros na mesma via e parei na Nata & Co, uma espécie de padaria e restaurante português, que contava com pastel de nata e também outros dois dos meus quitutes favoritos, respectivamente, do Brasil e de Portugal: coxinha e pastel de bacalhau (que chamamos de bolinho no Brasil)!

Uma colagem com três imagens. Na coluna da esquerda, pilhas de welsh cakes, que lembram visualmente mini panquecas. À direita, a coluna tem uma imagem acima com uma xícara de cappuccino e um pastel de nata; abaixo, um prato de papel com coxinha e bolinho de bacalhau.
Não tem como começar um passeio com tristeza tendo os ingredientes acima: à esquerda, welsh cakes; à direita, no topo, pastel de nata e café e, na parte inferior, coxinha e pastel de bacalhau (ou bolinho, no Brasil).

A próxima parada foi a St John The Baptist Church, mas só consegui vê-la por fora. Devido à pandemia, esta igreja medieval em estilo gótico perpendicular está com acesso restrito.

Originalmente, existia ali uma capela de 1180, mas no século XV (por volta dos anos de 1460) a igreja que conhecemos hoje foi construída.

Outro ponto cuja imponência só pude conferir pelo lado de fora foi a Cardiff City Hall, prédio da administração da cidade. De estilo barroco eduardiano, o prédio começou a operar em 1904, sendo a quinta sede oficial da administração regional. O horário normal de abertura ao público é todo dia útil em horário comercial.

Logo ao lado, com visita (gratuita) pré-agendada, tive a oportunidade de conferir o National Museum Cardiff, museu que abriga um variado acervo, indo de história natural e formação geológica do País de Gales a itens de cerâmica e peças de arte moderna.

Recomendo reservar, pelo menos, umas duas horas se quiser visitar tudo com calma e com atenção maior em alguma seção.

Saindo daquela área, voltei à região onde experimentei o welsh cake para outro ponto importante do dia: Cardiff Castle.

Extensa área gramada, com prédios antigos e novos ao fundo. Muitas pessoas passeiam pela área. À direita, em primeiro plano, um pequeno morro rodeado por um fosso, com as ruínas de um castelo no topo.
À direita, o Castelo de Cardiff, rodeado por um fosso.

A estrutura que todos conhecem por este nome, na verdade, engloba uma série de estruturas, com algumas delas pagas (ingresso único) e um amplo espaço sem cobrança e de acesso totalmente livre. Para facilitar, descrevo aqui os principais pontos:

  • Castle Green: a área gramada dentro das muralhas do castelo é, de forma geral, de livre acesso. Por ali, muitos residentes e turistas aproveitam cada minuto dos período de sol para pegar uma corzinha e botar o papo em dia.
  • Cardiff Castle: compreende as ruínas de um castelo medieval, uma mansão vitoriana e as muralhas, que podem ser acessadas mediante pagamento de ingresso. O preço, em maio de 2021, foi de 13 libras (adulto).

O castelo medieval, embora esteja parcialmente em ruínas, oferece uma visão privilegiada do complexo dentro das muralhas e possui algumas áreas interessantes. O fato de ser rodeado por uma espécie de fosso dá um charme a mais. Por possuir uma escada razoavelmente íngreme, o acesso, infelizmente, não é para todos.

À esquerda, temos uma mansão vitoriana com inúmeros quartos decorados, em estilos completamente diversos, que demandam um olhar calmo e detalhista. Um dos meus preferidos foi o “quarto árabe”, que destoa de todos os demais pontos que visitei por lá.

Por último, um passeio que me surpreendeu bastante naquela área foi a parte das muralhas. Durante a Segunda Guerra Mundial, a área interna das muralhas foi usada como abrigo pelos cidadãos de Cardiff durante momentos em que a cidade corria risco de sofrer ataques aéreos.

Passando naquele espaço, pude ver algumas camas, uma espécie de cantina e um bom número de cartazes de incentivo e/ou orientação em relação aos racionamentos de alimentos como pão, essencial para os soldados.

Área escura, com uma pia rudimentar ao fundo e uma mesa cheia de pratos e outros utensílios. Na parede do fundo, há um cartaz com uma batata feliz que diz (em inglês): "Eu dou uma boa sopa.".
Cantina utilizada no período em que as muralhas em volta do castelo foram usadas como abrigo de civis. No cartaz, uma batata feliz anuncia: "eu dou uma boa sopa".

Outra curiosidade dos cartazes expostos era da necessidade ímpar de se evitar falar qualquer coisa, incluindo nas peças informativas algumas referências a um inimigo (com um bigode fazendo referência a Hitler), que poderia estar ouvindo qualquer conversa, inclusive dentro das casas.

Assim como o complexo do castelo, o vizinho Bute Park foi cedido à cidade em 1947 pelo V Marquês de Bute. Desde meados do século XVIII, parte da área do parque atual e o complexo do castelo passaram por diferentes gerações de marqueses de Bute, que inclusive foram os responsáveis por conceder o interior das muralhas como abrigo durante ataques, como já mencionei acima.

A área do parque foi formada inicialmente em 1873 por Andrew Pettigrew, chefe de jardinagem do III Marquês de Bute. Como disse anteriormente, foi o V Marquês quem presenteou o parque à cidade em 1947.

O parque é muito bonito, com amplo espaço arborizado e áreas de flores, além de espaço para crianças.

Ao passar em frente ao espaço, não se esqueça de observar as inúmeras estátuas de animais por todo o muro da frente.

Saindo dali, fui até Cardiff Bay (Baía de Cardiff), uma área muito movimentada da cidade, com muitos restaurantes, bares, entre outras atrações.

Um edifício que chamou minha atenção por lá foi o Wales Millenium Centre, um centro de convenções com um estilo mais moderno e super diferente. Logo em frente, também vi uma enorme torre idealizada pelo escultor britânico William Pye em parceria com o escritório de arquitetura Nicholas Hare, a Water Tower. Ela consiste em uma enorme estrutura vertical de 21 metros de altura, toda coberta por uma fina cascata d’água.

Ainda pela baía da cidade, passei rapidinho para conferir o Ianto’s Shrine, uma espécie de memorial em homenagem à personagem Ianto da série britânica Torchwood, que por sua vez foi um spin-off de outra série de lá: Doctor Who. O local do “memorial” tem um papel importante na história abordada.

Ao final de uma área forrada em madeira, uma parede escura com muitas mensagens e figuras coladas. Lê-se 'Ianto's Shrine' no topo da parede.".
Ianto's Shrine, monumento à uma personagem da série Doctor Who.

Muitos não sabem, principalmente se não acompanham estas séries (eu incluso), mas a capital galesa foi utilizada em muitas cenas de Doctor Who e Torchwood; com a Water Tower e seu entorno entre as regiões utilizadas.

Percurso entre Cardiff e Londres

Para visitar Cardiff a partir de Londres, você tem, principalmente, duas opções:

  • Trem, saindo de London Paddington, com percurso sem conexões até a estação Cardiff Central. O percurso leva menos de duas horas. O valor varia, mas pesquisando no momento da escrita deste post, encontrei bilhetes para o mês seguinte (alta temporada) por 73 libras. Com certeza, há opções muito mais em conta se forem adquiridas com maior antecedência.
  • De ônibus, em viagem de cerca de 3 horas e meia, consegui valores em torno de 14 libras (ida e volta) em pesquisa para o mês seguinte (no momento da escrita, agosto). Apesar de bem mais barato, esta opção também limita muito mais seu tempo na cidade se o passeio terminar no mesmo dia. O trecho é de “London Victoria Coach Station” até “Cardiff Coach Station, Sophia Gardens”.

Extras

Além da igreja que citei acima e do City Hall, não consegui visitar mais alguns lugares, que listarei aqui, pois poderiam ser incluídos em um itinerário que tivesse mais tempo disponível:

  • St. Fagans National Museum of History: um dos pontos que mais senti falta de visitar, este museu fica na vila de St. Fagans, em Cardiff. É uma espécie de museu aberto, retratando o estilo de vida, cultura e arquitetura do povo galês no passado. Pelo que andei pesquisando, vale muito a visita!
  • The Albany Gallery: galeria privada de arte que exibe trabalhos de diferentes tipos de artistas regionais e do restante do Reino Unido.
  • Cardiff Market (ou Cardiff Central Market): mercado fechado vitoriano, com uma pegada similar aos “mercadões” que encontramos em muitas grandes cidades na Europa e em outros continentes. Este, especificamente, foi aberto em 1891.
À esquerda, algumas pessoas caminham na calçada de uma rua cheia de prédios antigos. Há dois carros escuros ao fundo e o céu está azulado com nuvens."
As ruas mais antigas de Cardiff possuem muito da atmosfera tipicamente britânica, incluindo pubs em prédios antigos bastante interessantes. Na foto, St. Mary Street.

E é isso! Cardiff foi, com certeza, uma cidade que gostei muito de visitar.

O povo era simpático, educado e acolhedor e a cidade por si só tinha uma pegada bem diferente daquele jeito meio frio de metrópoles.

No futuro, quero muito visitar outras regiões do País de Gales, inclusive algumas cidades litorâneas. O país é, pelo que pesquiso, farto em paisagens naturais de tirar o fôlego.

Mapa do tesouro

Até a próxima! :)


Imagem de destaque:
Escultura do dragão vermelho, um símbolo do País de Gales, presente em sua bandeira oficial. Este, encontrei no gramado do Castelo de Cardiff.
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