Copenhague foi uma das cidades que mais curti visitar até hoje, tanto pela sua filosofia que prioriza o uso de bicicletas e o acesso da população aos canais quanto pela rica arquitetura local.
No roteiro de hoje, te conto um pouco desta viagem, que conheci em 4 dias:
Dia 1
Vor Frelsers Kirke (Igreja de Nosso Salvador)
Com um interior em estilo barroco, esta igreja é uma das mais bonitas da cidade.
Seu órgão (carillon) imponente repousa sobre dois elefantes de mármore, em uma estrutura que impressiona.
O primeiro destaque para aqueles que desejam visitar esta igreja, porém, se dá pela linda torre de madeira, com uma escada em espiral que leva o visitante até um globo dourado, ostentando uma escultura de Jesus no topo.
São mais de 90 metros de altura, em um percurso que envolve 450 degraus (sendo 150 deles na parte externa, circundando a torre).
A visita à torre é paga e deve ser reservada com antecedência para evitar frustrações, mas vale um alerta: se o dia estiver chuvoso ou outro fenômeno afetar a segurança da subida, o acesso pode ser cancelado.
O preço habitual do bilhete para um adulto era de 69 coroas dinamarquesas (quase 60 reais), mas está incluído no Copenhagen Card (falo dele mais pra frente). Para reservar uma vaga, basta acessar o site oficial.
Lagkagehuset (Ole & Steen)
Uma das minhas redes de cafés favoritas de Londres é, na verdade, da capital dinamarquesa. Originalmente chamada Lagkagehuset, ela chegou ao Reino Unido sob o nome Ole & Steen, bem mais palatável para os britânicos.
Espere pães, folhados e sobremesa deliciosos, com uma qualidade que poucas redes em Londres alcançam.
A filial que citei no mapa fica perto da Igreja de Nosso Salvador e foi a primeira unidade do grupo. O nome (em dinamarquês) teve inspiração na fachada do prédio onde fica esta unidade, se traduzindo para algo como “bolo em camadas”.
Se você olhar o prédio pela parte de fora, entenderá o motivo.
Green George
Originalmente, Thomas Dambo criou uma série de gigantes de madeira espalhados por pontos da parte oeste de Copenhague, de uma maneira bastante integrada com o verde de cada local.
O projeto se expandiu com a criação de trolls do mesmo material. Destes, um dos mais conhecidos é “George, o Verde”, um presente de Thomas aos residentes de Christiania, em Copenhague.
Ele foi produzido em 2019 a partir de madeira descartada pelos próprios moradores do local. Logo atrás, você ainda verá um lindo mural de Rasmus Balstrøm.
Para conhecer mais sobre os gigantes, visite este post do site oficial do artista (em inglês); para um mapa com trolls e gigantes do projeto (em diversos países), visite esta página.
[Freetown] Christiania
Neste local, havia uma série de construções de um assento militar já abandonadas, quando em 1970 ocorreu a invasão por um grupo que queria fundar ali uma cidade que fosse totalmente independente de Copenhague e do país, com suas próprias regras definidas em conjunto.
Já foi um local perigoso, com a presença de algumas pessoas que exploravam a relativa autonomia dali para praticar atividades ilegais.
Hoje, porém, é um espaço tão seguro durante o dia quanto o restante de Copenhague, sendo visitado por quem quer conhecer o estilo de vida alternativo dos locais ou aqueles que queiram experimentar produtos baseados em Cannabis.
Por se tratar de uma comunidade relativamente independente e reservada, vale visitar o local com cuidado e respeito. Os moradores são receptivos e há vários estabelecimentos, entre cafés, restaurantes veganos e lojas de souvenirs.
Pusher Street é a principal via desta “cidade” e onde é estritamente proibido fotografar.
Museu de Copenhague (Københavns Museum)
Este museu oferece uma boa imersão na história da cidade, incluindo o período da Peste e tudo o que foi moldando Copenhague até aquilo que conhecemos hoje.
Entre as narrativas apresentadas, temos o foco da cidade nos pedestres e ciclistas e como os canais e demais estruturas devem ser acessíveis a todos.
Outro ponto de destaque fica por conta de uma seção que conta dos esforços em colocar a cidade no mapa do turismo mundial e como eles conseguiram divulgar o hygge que a cidade proporcionaria.
De uma forma bem livre, podemos descrever hygge (presente no dinamarquês e no norueguês) como uma sensação de aconchego e alegria, com destaque para conforto e convivência.
Ny Carlsberg Glyptotek
Este museu foca em pinturas, esculturas e artefatos que se espalham por cerca de 6 mil anos de história.
Ele se baseia na coleção privada de Carl [Christian Hillman] Jacobsen, um cervejeiro, filantropista e colecionador de arte que foi, entre muitas coisas, o responsável por disparar o processo de internacionalização da cervejaria Carlsberg.
Passei por ali algumas horas e posso afirmar que é talvez o museu mais interessante da cidade.
Ele é conhecido por sua extensa coleção de arte dinamarquesa, por boa seleção de itens de antiguidade da região mediterrânea, além de vários trabalhos de Manet, Monet, Van Gogh, Gauguin e Rodin.
Por último, vale citar a bela escultura “Pequena Dançarina de Quatorze Anos”, de Edgar Degas, um dos principais focos de visitantes. Trata-se, porém, de uma réplica. A original, de fato feita pelo artista, fica na Galeria Nacional de Artes de Washington (DC), nos Estados Unidos.
Dansk Arkitektur Center (Danish Architecture Centre)
Às margens do principal canal da cidade, este local aborda itens e exibições sobre arquitetura e design, além de uma loja recheada de itens com design renomado e um café com vista privilegiada.
Cirkelbroen (Circle Bridge)
Uma das muitas estruturas que provam o quão acessível (e focada) a cidade é em relação aos ciclistas, esta ponte para pedestres e ciclistas conecta os dois lados do canal de Christianshavns.
Projeto de Olafur Eliasson, artista islando-dinamarquês, ela foi inaugurada em 2015.
Ela conta com 5 áreas circulares em volta dos mastros que sustentam a ponte, que servem como áreas de observação.
Vale andar pela estrutura com prudência, obviamente, pois é uma via ativa e não se deve jamais bloquear o fluxo dos ciclistas.
The Genetically Modified Paradise, por Bjørn Nørgaard
Um pouco mais afastado das demais atrações de Copenhague, temos uma série de esculturas que fazem vizinhança a outra bem famosa (que menciono a seguir).
Um dos exemplos é esta representação de “Paraíso Geneticamente Modificado”, que inclui uma reinterpretação da Madonna em cima de um arco triunfal, rodeada por 6 outras figuras, que representam Adão, Eva, Cristo, Maria Madalena, a “Capital Tripartida” e “Mulher Grávida”.
A Pequena Sereia Geneticamente Modificada (Den Genmodificerede Lille Havfrue)
Bem ao lado do conjunto de esculturas do professor dinamarquês Bjørn Nørgaard, temos a “Pequena Sereia Geneticamente Modificada”, uma reinterpretação da colega mais famosa que fica a poucos minutos dali.
Sendo de mesma autoria da instalação citada anteriormente, esta obra fica em uma pequena ilha feita sob medida ao lado da estrutura maior.
A Pequena Sereia (Den Lille Havfrue)
Revelada em 1913, A Pequena Sereia foi um presente de Carl Jacobsen (lembra dele?) à cidade.
Jacobsen se apaixonou pela história de Hans Christian Andersen após assistir a uma adaptação para o teatro executada no Royal Danish Theatre.
O escultor responsável foi Edvard Eriksen, que havia se inspirado na bailarina Ellen Price, responsável por encenar a Pequena Sereia no teatro, mas esta se recusou a pousar nua para o artista.
Sobrou para a esposa de Edvard, Eline Eriksen, que foi a base para a confecção do trabalho.
A escultura traz uma mulher sentada sobre uma pedra, contemplando a zona portuária da cidade e os marinheiros que por ali passam.
A obra possui 1,25 metros de altura, então visite sabendo de antemão que sua fama está mais no charme do que na imponência da estrutura.
E se puder, visite-a mais cedo, pois é muito popular entre os turistas.
Fonte de Gefion (Gefionspringvandet)
Para finalizar o dia, a incrível Fonte de Gefion (ou Gefjon).
A imensa fonte (maior da cidade) traz a deusa nórdica Gefion, associada à aração de terras.
A escultura da fonte conta com a deusa Gefion sobre um arado, que é puxado por uma junta de 4 bois.
Esta cena é parte da lenda de formação da cidade, que retrata o seguinte:
Gylfi, o primeiro rei da Escandinávia, teria prometido à Gefion toda a terra que ela pudesse arar em uma noite.
Para conseguir o máximo de território, a deusa transformou seus 4 filhos em bois, conseguindo arar uma enorme área até o amanhecer, que com tamanha força foi removida de onde hoje fica o território da Suécia e arremessada onde temos a Ilha de Zelândia (que abriga Copenhague e várias outras cidades).
O “buraco” deixado para trás teria se transformado no atual lago Vännern, a Oeste de Estocolmo, que possui um formato similar ao da ilha.
Dia 2
Apotek 57
Para quem vai à Copenhague para conferir a arquitetura e decoração nórdicas, o Apotek 57 é uma excelente opção.
Ele é um café bem charmoso, que oferece um menu interessante, a um preço razoável.
Como o nome sugere, aqui já foi uma farmácia, detalhe que também se nota por alguns objetos da decoração.
O café funciona no mesmo endereço do FRAMA Studio, uma loja/estúdio de criação de decoração bem legal.
Kongens Have (Jardim do Rei)
O Jardim do Rei foi criado por Christian IV (rei da Dinamarca e Noruega) em 1606.
Originalmente, fazia parte do complexo do Castelo de Rosenborg, mas hoje é um parque público de acesso gratuito.
Muito utilizado por locais para caminhadas, descanso e piquenique, possui um paisagismo caprichado, com fontes, esculturas e outros adornos de muito bom gosto.
Castelo Rosenborg (Rosenborg Slot)
Criado nos anos de 1600 a pedido do Rei Christian IV, este castelo (que está mais para um palácio) foi idealizado como uma residência de verão, tendo sido usado por cerca de 100 anos.
Por ali, vê-se muitos cômodos que ainda preservam o estilo Renascentista original, embora alguns tenham sido atualizados pelos residentes seguintes.
Entre outras coisas, há muitos itens de mobiliário, obras de arte e as Joias da Coroa Dinamarquesa (no subsolo).
Entre os cômodos mais importantes, temos o Salão de Mármore (as paredes são cobertas com um trabalho que imita a pedra natural) com suas tapeçarias, o Salão Longo (que abriga os tronos reais e alguns adornos cerimoniais) e a Sala de Inverno, que possui um bom número de pinturas.
O acesso é pago, mas está incluso no Copenhagen Card. Há tours gratuitos (incluso no ingresso) que agregam muito para aqueles que buscam entender mais sobre as curiosidades dali.
studio x kitchen
Seguindo um conceito similar ao do Apotek 57, o studio x também combina uma loja, um estúdio de criação e um café.
Comi uma sobremesa por aqui após visitar o castelo, que estava bem saborosa.
Museu Nacional da Dinamarca (Nationalmuseet)
A minha visita a este museu foi mais breve, privilegiando as seções que falavam sobre o país e as demais regiões nórdicas, desde a Idade do Bronze.
Eles possuem uma boa coleção de artefatos, de utensílios a barcos, que ajudam a contar a história do povoamento daquela região e como ela foi evoluindo até os tempos mais recentes.
Este museu, porém, possui coleções dos mais diversos cantos do planeta, incluindo vasta seleção de itens da Ásia, das Américas e da Groenlândia (uma antiga colônia e hoje região autônoma parte da Dinamarca).
Helsingør
A cidade de Helsingør é um excelente destino para quem tem mais dias por Copenhague conseguir variar um pouco o roteiro.
Ela abriga vários pontos de interesse, ficando a 45 minutos de trem da capital, sentido Norte.
Para acessar a cidade, basta ir até a estação central de Copenhague. O percurso está incluído no Copenhagen Card. Há trens a cada 30 minutos, aproximadamente (confira com antecedência).
Castelo de Kronborg (Kronborg Slot)
Nos anos de 1420, o rei Eric VII construiu uma fortificação focada em, entre outras coisas, servir como ponto de “pedágio” para quem viesse do Mar do Norte para o Mar Báltico.
A fortaleza medieval foi transformada em um castelo de fato entre 1574 e 1585 sob pedido do rei Frederick II, servindo como residência real em períodos específicos.
Um incêndio em 1629 destruiu a maior parte da estrutura, deixando a capela quase intacta.
Depois de uma grande renovação no século passado, ele abriu ao público como uma espécie de museu.
Entre os destaques, temos a área subterrânea, que abriga “Holger, o Dinamarquês”, uma figura mitológica de um guerreiro que fica sentado em uma rocha. Em ocasiões de grande necessidade, ele se levantaria e iria ao socorro da nação.
Além desta área, a antiga cozinha, os apartamentos reais, a capela e o pátio são igualmente interessantes.
No período do verão, é comum haver atores encenando trechos de Hamlet (de Shakespeare) pelas suas dependências.
Isso se dá porque o Castelo de Kronborg, na cidade de Helsingør, serviu como cenário para esta obra do poeta britânico, tendo sido apelidado de Elsinore em seus textos.
Este é, inclusive, um dos principais chamarizes para turistas que esticam o itinerário em Copenhague e “dão um pulo” até lá.
Se tiver a chance, aproveite para acessar a região costeira fora do complexo do castelo, que oferece a vista da Suécia (via estreito de Øresund), em particular a cidade de Helsingborg.
Para quem tiver interesse, há inclusive um itinerário de barco entre as duas cidades.
Herakles og Hydraen (Heracles and the Hydra), por Rudolph Tegner
Já voltando do castelo, rumo ao centro da cidade, pude conferir esta escultura bem à beira do mar.
Como o nome sugere, é uma escultura de Héracles (ou Hércules), filho de Zeus, lutando contra a Hidra de Lerna (um dos doze trabalhos de Hércules).
Ele (Han), por Elmgreen e Dragset
Já dentro da cidade, em uma área de atracagem de barcos, temos esta estátua de um rapaz (em posição similar à da Pequena Sereia de Copenhague).
Feito de metal, o rapaz mexe de tempos em tempos as pálpebras, fechando o olho em uma curta piscada.
Quando isto aconteceu comigo, estava observando seu rosto bem de perto e levei um pequeno susto.
Escultura de Hans Christian Andersen, por Henry Luckow-Nielsen
Já de volta à capital, enquanto caminhava entre a estação de trem e o hotel, aproveitei para conferir a escultura de bronze do autor Hans Christian Andersen, feita em 1965 por Henry Luckow-Nielsen.
Sentado em um banco, com fraque e cartola, o autor segura um livro e uma bengala enquanto parece admirar os Jardins de Tivoli (que apresento a seguir).
Hans foi um autor dinamarquês muito ativo de peças, poemas e romances, mas é mais conhecido por seus contos de fadas, como “O Patinho Feio” ou “A Pequena Sereia”.
Dia 3
Original Coffee
Outro local bacana para quem quer tomar um bom café, o Original Coffee é mais acessível do que aparenta pelo seu estilo mais hipster de arquitetura e decoração, podendo ser uma boa pedida para um lanche rápido ou só pra “ver gente”.
Palácio de Amalienborg
O Palácio de Amalienborg é a residência oficial de inverno da família real dinamarquesa.
À época da minha visita, a monarca que chefiava o país era a rainha Margrethe II, mas esta abriu mão da coroa em favor de seu filho, Frederik X, sendo ambos muito carismáticos e populares.
Formado por uma espécie de praça circular e um “anel” de prédios oficiais, há ali dois pontos interessantes de interesse:
- A troca de guarda, que ocorre todos os dias ao meio-dia, quando os membros da guarda saem às 11:30 de seu “quartel” nos arredores do Castelo de Rosenborg, em trajeto até o Palácio de Amalienborg, chegando meia hora depois. Ali, executam uma série de checagens e movimentações para substituir os membros que até então estavam em serviço. A cerimônia dura cerca de 30 minutos.
- O museu do palácio, que apresenta louças, retratos e muitos outros objetos interessantes, além de vários cômodos ricamente decorados. O ingresso custa 125 coroas dinamarquesas (na data de publicação deste texto, pouco mais de 100 reais), mas sai de graça para portadores do Copenhagen Card.
Igreja de Frederik (Igreja de Mármore / Frederiks Kirke)
Bem próxima do Palácio de Amalienborg, esta igreja evangélica Luterana carrega um estilo Rococó.
Possui um enorme domo de cobre esverdeado, o maior deles de uma igreja de toda a Escandinávia, com 31 metros de diâmetro na base.
Seu formato carrega certa semelhança com a Basílica de São Pedro, do Vaticano.
Seu interior é muito bonito, valendo uma visita com calma. O destaque fica para o interior do domo, com pinturas dos 12 apóstolos.
A entrada é gratuita, exceto para aqueles que quiserem subir ao topo do domo. Neste caso, cobra-se 50 coroas dinamarquesas (cerca de 42 reais), sem agendamento prévio e com número limitado de pessoas.
Apesar do nome, os planos originais de construí-lá totalmente de mármore foram abandonados por questões financeiras, tendo sido finalizada também com o uso de calcário.
Sua construção começou em 1749, mas passou por uma série de problemas, com o projeto original sendo eventualmente abandonado. Depois de adquirir as ruínas em 1874, o empresário Carl Fredrich Tietgen assume o projeto, terminando a construção em 1894.
Ponte do beijo (Inderhavnsbroen)
Esta ponte foi construída em 2016 e é focada em pedestres e bicicletas.
O nome vem do seu funcionamento curioso, acionado quando esta se abre para permitir que embarcações passem pelo canal.
Em vez de ter duas partes que se abram para cima, a ponte abre para os lados, em um movimento horizontal de cerca de 90 graus. Quando a travessia termina, as duas partes se encontram novamente no meio, como em um “beijo”.
No vídeo a seguir, dá para entender seu funcionamento:
Nyhavn
Um dos cartões-postais da cidade, esta vizinhança já foi uma área mais “alternativa”, com forte presença de usuários de droga, prostituição e outras atividades menos “aceitáveis” socialmente.
Há cerca de 50 anos, porém, começou uma grande renovação da área, trazendo esta para o cenário atual, de uma zona repleta de imóveis bem conservados e bastante popular entre locais e turistas.
Por ali, você encontra diversos restaurantes e alguns dos prédios mais antigos da cidade.
O escritor Hans Christian Andersen morou em alguns endereços desta área.
Netto-Bådene (tour de barco)
Quando visitei Copenhague, consegui fazer o tour pelos canais com a empresa Netto-Bådene, que até então estava inclusa no Copenhagen Card.
O registro era feito na hora no guichê de Nyhavn, mas isso parece ter mudado. Se for a pagamento normal, custa 60 coroas dinamarquesas.
Para quem quiser usufruir de um serviço parecido incluído no Copenhagen Card, basta conferir esta página para maiores detalhes.
Na data de publicação deste texto, por exemplo, o passeio ficava por conta da Stromma, partindo de Ved Stranden.
O passeio é muito recomendável, já que passa por algumas das principais atrações da cidade, incluindo a escultura da “Pequena Sereia”.
Agnete and the Merman (Agnete og Havmanden)
Bem ao lado da ponte Højbro, temos uma escultura submersa no rio que passa despercebida por muitos.
Na composição, há um tritão (masculino de sereia) e suas crianças vindo em direção à superfície d’água.
Trata-se de um trecho de uma canção folclórica de “Agnete e o Tritão”, que pode ter surgido por volta do século XIII, mas que tem seu primeiro registro escrito do final do século XVIII.
Na história, temos uma moça chamada Agnete, que se apaixona por um tritão e abandona sua família para morar com ele sob a superfície do mar.
Eles têm 7 filhos e vivem bem, até que Agnete decide de repente retornar para a sua vida na terra e abandona seu parceiro e a prole.
Na cena capturada pela escultura, é como se o tritão e os filhos estivessem saindo tristes e ansiosos de dentro d’água para buscar Agnete.
Dizem que a instalação é melhor visualizada à noite, já que conta com iluminação.
Strøget
Esta rua é exclusiva para pedestres, contando com algumas das lojas mais famosas que atuam na cidade.
Entre os destaques, estabelecimentos com artigos para a casa, artesanato, souvenirs e moda.
HAY House 🛍️
A HAY House é uma loja de móveis, itens de iluminação e produtos para a casa no geral.
De alto valor agregado, costuma fazer parceria com nomes importantes das áreas de Design e Arquitetura.
Royal Copenhagen Flagship Store 🛍️
A marca foi fundada em 1775 sob a guarda da rainha-viúva Juliane Marie da Dinamarca.
Seu símbolo fabril de três linhas onduladas representa três grandes vias aquáticas do país (Storebælt, Lillebælt e Øresund).
Entre suas características mais famosas, os itens de porcelana branca com desenhos manuais em azul são conhecidos internacionalmente.
Em 1790, o rei encomendou um serviço de jantar de nome “Flora Danica” à empresa, que emprestava uma série de desenhos botânicos que representam espécies dinamarquesas de plantas. A arte foi extraída de um livro também chamado FLora Danica.
O conjunto foi pensado como um conjunto para a Imperatriz Catarina II da Rússia.
Ainda hoje, são produzidos itens desta coleção, com peças unitárias chegando aos milhares de reais.
Desde 1868, foi privatizada, deixando de ser uma “empresa real”, embora tenha mantido Royal como parte do nome.
Nesta loja flagship, há uma extensa coleção de itens, seja para decoração ou para venda. É parada obrigatória para quem gosta deste tipo de artigo!
Illums Bolighus 🛍️
Contando com souvenirs, itens de papelaria, objetos para a casa e muito mais, é possível encontrar até mesmo peças da Royal Copenhagen nesta loja.
Dá para se perder por lá por algumas horas navegando por tudo que eles oferecem.
Børsen
Completada em 1640, a “Antiga Bolsa de Valores” é um dos prédios históricos mais icônicos de lá.
O estilo renascentista tem seu charme elevado pelo elemento de destaque no topo do prédio: um telhado em espiral que é composto pela calda retorcida de 4 dragões, com 3 coroas no ponto mais alto, que representam os reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia.
Hoje abriga a Câmara de Comércio na cidade, mas vale a pena passar para conferir de perto seu exterior.
No dia 16 de abril de 2024, durante os trabalhos de restauro do local, um incêndio destruiu boa parte do telhado de cobre, além da espiral de dragões. Foi prometida uma restauração pelos atuais responsáveis pelo prédio. A grande maioria das obras de artes do local foi recuperada durante o acidente.
Tak For Kaffe
Bem próximo das atrações que citei anteriormente, este pequeno café oferece opções interessantes de comes e bebes, bem no estilo “café alternativo/hipster” que eu adoro.
“Tak” é obrigado em dinamarquês. O nome, por tanto, poderia ser livremente traduzido para “obrigado pelo café”.
Jardins de Tivoli (Tivoli Gardens)
Tivoli Gardens é um parque de diversões aberto em 1843, sendo hoje a atração mais popular de todo o país.
É dito que este teria sido frequentado por Hans Christian Andersen diversas vezes, além de Walt Disney, que teria tirado dali um pouco da inspiração para a famosa franquia de parques de diversão americana após uma visita em 1950.
Um dos destaques fica para a montanha-russa de madeira de 1914, 1 das 7 ainda existentes no mundo que possuem um controlador por “trem”.
Entre as diferentes atrações para todas as idades, temos restaurantes, montanhas-russas de tipos e velocidades variados, entre outras opções.
O paisagismo e a arquitetura também chamam muito a atenção, com destaque para a iluminação pomposa no período noturno.
Na data de publicação deste roteiro, a entrada custava 180 coroas dinamarquesas para um adulto, mas o acesso está incluso no Copenhagen Card.
As atrações são pagas com “fichas”, que devem ser adquiridas à parte caso acesse o parque com a entrada gratuita ou entrada comum, mas há também a opção de pagar por um “passe” com visitas à vontade a todos os “brinquedos”.
Dia 4
ROAST Coffee
Como todo café estiloso (e boa parte de Copenhague no geral), não é exatamente barato, mas gostei do café, do pain au chocolat e também do ambiente em si.
Prefeitura de Copenhague (Københavns Rådhus)
O prédio é lindo e é possível dar uma espiada no salão central e alguns outros espaços. Misturando o estilo renascentista italiano e o medieval dinamarquês, vale parar alguns minutos para conferir suas “varandas”, sua enorme porta de entrada, e a torre, que eleva o prédio para 105,6 metros (um dos mais altos da cidade).
É possível fazer um passeio guiado pelo prédio ou um tour pela torre, encarando seus 300 degraus a partir da rua.
O passeio da torre está incluso no Copenhagen Card, ocorrendo às 11:00 ou 14:00 nos dias de semana e ao meio-dia todos os sábados. Para acessá-lo, basta ir à cabine de informação antes do horário do passeio.
O maior destaque do prédio, porém, não está restrito ao público: Jens Olsen’s World Clock.
Este relógio astronômico foi projetado e teve sua construção iniciada por Jens Olsen, um fabricante de relógios e chaveiro dinamarquês. Ele foi colocado em funcionamento pelo rei Frederik IX e a neta mais nova de Jens, Birgit, em 1955 (seu criador morreu 10 anos antes).
Ele possui 15448 partes e marca, além das horas, a posição de corpos celestes, os eclipses lunar e solar e um calendário “perpétuo”.
A engrenagem mais rápida completa um giro a cada 10 segundos; a mais lenta, 25753 anos.
Sua construção se deu entre 1943 e 1955.
TorvehallerneKBH
Este food hall (um espécie de mercado municipal mais “chique”) oferece uma boa variedade de frutas, vegetais e demais itens para uma feira completa, mas também traz cafés, pequenos restaurantes e bares.
Coffee Collective Torvehallerne
Passando pelo mercado, parei neste café e tomei um chá com uma sobremesa folhada molhada em um caldo cítrico que era super saborosa.
Torre Redonda (Rundetarn)
Construída no início do século XVII por pedido do rei Christian IV, é o observatório mais antigo da Europa ainda em funcionamento (hoje, visitado principalmente por amadores e visitantes no geral).
Sua construção se deu em um período em que o país era extremamente famoso por seus feitos na Astronomia.
Um dos pontos mais interessantes da torre de 36 metros de altura está na sua rampa espiral de tijolos de 209 metros de extensão, feita desta forma para transportar livros de carruagem ou a cavalo até a biblioteca universitária, que ficava no meio do trajeto.
O meio da torre possui um vão cilíndrico, que pode ser verificado através de uma plataforma de vidro. Em 1880, um menino de 12 anos teria caído de cerca de 25 metros de altura nesta estrutura durante uma brincadeira de esconde-esconde, mas foi resgatado posteriormente.
Studio Arhoj 🛍️
Um dos estúdios criativos mais interessantes da cidade, o Studio Arhoj é um pequeno estabelecimento independente fundado por Anders Arhoj, que se especializou em peças de cerâmica e de vidro soprado com inspiração japonesa, com um uso muito interessante de cores e um toque bastante divertido.
Paustian 🛍️
Localizada em um antigo banco, esta filial de loja-conceito da marca de design Paustian é um charme não só pelos produtos que traz, mas também pelos elementos arquitetônicos e decorativos de extremo bom gosto.
É definitivamente para uma classe do Imposto de Renda superior à minha, mas é uma visita muito inspiradora para quem gosta de Arquitetura e Design de Interiores.
Palácio de Christiansborg (Christiansborg Slot)
Apesar do local contar com mais de 800 anos de história, a versão atual do palácio é já a terceira, tenso sido concluída em 1928. As duas anteriores foram destruídas por incêndio.
Este prédio abriga atualmente o escritório do primeiro-ministro, o Parlamento Dinamarquês e a Suprema Corte.
Para visitação, destacam-se a antiga Cozinha Real, as Salas de Recepções Reais, as ruínas das construções anteriores e os estábulos. Todos são de visitação inclusa no Copenhagen Card, mas vale verificar com antecedência o funcionamento no dia desejado (principalmente dos estábulos) para evitar frustrações.
Restaurant Koefoed
Um dos itens mais famosos da culinária dinamarquesa que todo turista deveria experimentar é o smørrebrød, um sanduíche aberto, geralmente montado como uma fatia de pão de rye com uma cobertura de salmão, ovos, porco ou outras combinações típicas locais.
Passei os meus dias pela cidade tentando escolher um local para comer esta iguaria e acabei parando no Koefoed que, embora não esteja nem perto de ser uma opção acessível, serve versões tão interessantes de smørrebrød que fazem valer cada centavo gasto.
Designmuseum Danmark
Este museu foi uma grata surpresa, combinando uma boa viagem pelo design de objetos, itens de decoração e muito mais, com foco para a trajetória dinamarquesa na área, incluindo seu toque no que temos hoje como estilo “nórdico” ou escandinavo.
Extras
No papel, a gente anota muita coisa, né?
Mas quando o passeio está de fato acontecendo, nem tudo dá tempo e é a hora de priorizar ainda mais a lista.
A seguir, apresento um apanhado de lugares que não entraram para o corte final de pontos visitados:
Antiga Cervejaria Carlsberg
Além de cervejaria, laboratórios e outros locais, aqui se encontra um museu sobre produção de cerveja, incluindo uma coleção de mais de 22 mil garrafas lacradas.
Cisternas de Copenhague (Cisternerne)
Hoje um centro de exposições artísticas bastante inusitado, esta estrutura do século XIX funcionava como reservatório de água potável para a cidade de Copenhague, com capacidade para cerca de 16 milhões de litros.
Apesar do nome, as cisternas ficam em uma outra cidade, Frederiksberg, que por sua vez fica dentro de Copenhague (um enclave).
Vesterbro/Kongens Enghave
Este bairro, antes o ponto do “distrito da luz vermelha” local, hoje é um dos melhores locais da cidade para cafés hipsters, bares, restaurantes e etc.
Por outro lado, ainda consegue manter uma aura menos turística do que os pontos mais conhecidos da capital.
Kastellet
Este local compreende uma série de construções de uma fortificação militar em formato de estrela, cercada por um fosso.
Construído primeiramente entre 1626 e 1663, ainda hoje tem alguma atividade militar.
O passeio entres as estruturas é gratuito, incluindo um belo moinho.
Igreja de Santo Alexandre Nevski (Skt. Aleksander Nevskij Kirke)
Único exemplar da Igreja Ortodoxa Russa na cidade, ela é dedicada ao padroeiro russo Alexander Nevsky.
Foi construída em 1883 a pedido do Czar Alexandre III após seu casamento com Dagmar, uma princesa dinamarquesa.
CopenHill
Aberto em 2019 sobre uma planta de processamento de resíduos, este local funciona como espaço de trilha, local para esqui e um bom ponto para ter uma vista diferenciada da cidade.
Grundtvigs Kirke (igreja)
Com uma arquitetura expressionista marcante, esta igreja fica um pouco afastada das demais atrações, mas vale a esticada para visitá-la.
Ela foi construída com cerca 6 milhões de tijolos claros, em uma obra que demorou 19 anos, até 1940.
Embora seja extremamente minimalista por dentro, o efeito dos vãos muito altos, das cadeiras de madeira e lustres enormes chama a atenção. O estilo por aqui é o gótico.
Cemitério Assistens
Para quem gosta de conferir os “cemitérios jardim” de alguns cidades europeias, este é uma boa pedida.
De quebra, ainda pode conferir o local de sepultamento de Hans Christian Andersen e outros nomes importantes.
Dicas úteis
Bicicletas por todo lado!
Copenhague é uma das cidades mais famosas quando se pensa em políticas públicas para ciclistas e pedestres, com novas construções, vias e infraestrutura que tentam sempre facilitar o uso de diferentes modos de transporte, especialmente os não motorizados.
Andar de bicicleta pela cidade, porém, pode ser um pouco desafiador no início, já que a velocidade média dos ciclistas costuma ser alta e alguns detalhes de circulação se diferem do que nós seguimos no Brasil, por exemplo.
O vídeo a seguir, feito por uma empresa local de aluguel de bicicletas, explica algumas destas regras básicas para evitar transtornos (áudio em inglês, com legendas em português):
Regras para se andar de bicicleta:
Copenhagen Card
Como é o caso em muitas outras cidades turísticas no mundo, há em Copenhague um cartão focado em turistas que engloba diversas atrações e que é divulgado como uma forma de economizar frente à compra de ingresso para cada local de forma individual: o Copenhagen Card.
No geral, vale pesquisar com antecedência quais atrações você gostaria de conhecer e se a soma dos bilhetes seria mais cara do que o preço do cartão em si.
O cartão possui duas modalidades: “Discover” e “Hop”.
Na “Discover”, você pode comprar cartões que duram 24, 48, 72, 96 e 120 horas. Ele inclui também 2 crianças gratuitamente e acesso ilimitado ao transporte público da área e entre a cidade e o aeroporto mais próximo. Nesta versão, o usuário pode acessar mais de 80 atrações.
Vale lembrar que o cartão “Discover” cobre o transporte público por toda a área chamada de “Região da Capital de Copenhague” (zonas 1-99), que cobre a capital e as seguintes cidades, segundo o site oficial: Roskilde, Lejre, Hillerød, Helsingør (Elsinore), Ishøj, Humlebæk, Rungsted, Køge e Frederikssund.
Na modalidade “Hop”, há opções de 24, 48 ou 72 horas, acesso a mais de 40 atrações e acesso ao serviço hop-on hop-off de ônibus, mas sem transporte público ou trajeto de/para o aeroporto.
Para sua utilização, vale ter alguns cuidados:
Após adquirir o cartão pelo site ou aplicativo (iOS/Android), somente ative o cartão quando for de fato utilizá-lo pela primeira vez. Este, aliás, é o único momento em que precisará de internet. Depois disso, ele começa a contar o tempo automaticamente e funcionará mesmo em modo avião.
No meu caso, adquiri o cartão pelo GetYourGuide, que uso em muitas viagens. Se quiser fazer da mesma forma, pode acessá-lo por este link($).
Comprando pelo site, você receberá um código para adicionar o cartão ao aplicativo para celular.
No transporte público, você precisará apresentar o cartão em apenas dois cenários: ao entrar no ônibus, mostre-o ao motorista; e em qualquer meio de transporte, quando um fiscal solicitá-lo.
Em cada atração, apresente o Copenhagen Card no momento da chegada, para que seu acesso seja permitido.
No momento da compra, adicione os cartões para crianças se for o caso (inclusive para gratuidade). Crianças entre 3 e 11 anos precisam deste procedimento. O limite de 2 crianças para gratuidade vale sempre, independente da idade.
É permitida apenas uma visita por atração, por pessoa.
O acesso aos Jardins Tivoli não inclui os “brinquedos” em seu interior, que devem ser adquiridos a parte no momento da visita. Confira a seção sobre o parque para ver outras opções.
Na data de publicação deste texto, o preço começava em 499 coroas dinamarquesas (67 euros) para o cartão “Discover” de 24 horas para adultos. Para a opção “Hop”, o preço começava em 575 coroas dinamarquesas (78 euros).
Onde se hospedar
Na ocasião da minha viagem, em 2023, havia contratado um pacote que incluía os voos e o hotel. Escolhi uma das opções mais acessíveis de hospedagem e não me arrependo.
O Wakeup Copenhagen Bernstorffsgade é uma das filiais da pequena rede Wakeup de hotéis “baratos” de lá.
Ele me lembrou um pouco o estilo dos hotéis da marca Ibis, entregando o básico por um preço mais palatável.
A localização é muito bacana, de fácil acesso ao centro da cidade. Para conferi-lo no Google Mapas, basta acessar este link. Ele também está listado no mapa personalizado do roteiro.
Como chegar à Copenhague
Na ocasião, tive um pouco de dificuldade para encontrar o metrô, então acabei saindo do aeroporto e pegando um ônibus até perto do meu hotel.
Há 3 opções principais para fazer este trajeto:
- Ônibus: há um ponto de ônibus bem próximo da saída. Na dúvida, peça ajuda a um funcionário do aeroporto. A linha 5C te leva do aeroporto até a parada Polititorvet, bem próxima do hotel citado anteriormente.
- Trem: a partir do Terminal 3 do aeroporto, leva você até a estação central de trem em cerca de 15 minutos.
- Metrô: a linha M2 (amarela) te leva até o centro da cidade, mas não muito próximo do hotel onde me hospedei. Pode ser interessante se for se hospedar em outro lugar ou se não se importar de pegar um ônibus para terminar o percurso.
Mapa do tesouro
Conclusão
Apesar de ser uma cidade um pouco cara, Copenhague (ou Copenhaga, em Portugal) é extremamente charmosa, com prédios históricos imponentes, instituições culturais muito interessantes e um arranjo que funciona muito bem para pedestres e ciclistas, refletindo em uma rotina mais bacana (pelo menos do ponto de vista de um turista, como eu).
Vale muito a pena dedicar pelo menos 3 dias a ela para que se consiga caminhar com calma e sem atropelo.
Espero que tenha gostado do roteiro.
Até a próxima! :)
Imagem de destaque:

