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Roteiro por Milão: a metrópole da moda revela mais riquezas

Viagens24/10/2017

Olá!

Nosso post de hoje começa na estação de trem de Pádua, rumo à cidade de Milão. Nossos bilhetes de trem custaram € 17,50 (cada). Partindo às 16:40 em uma linha em estilo regional (não era de alta velocidade), fizemos uma conexão de uns 40 minutos em Desenzano del Garda. Saindo dali, seguimos em direção ao destino final, chegando na estação Milano Centrale às 21h. Comemos qualquer coisa e fomos descansar, pois o dia seguinte seria bem cheio.

A estação de trem Milano Centrale é um espetáculo à parte. Enorme, sustenta uma arquitetura charmosa e muito bem trabalhada. Obviamente, como estamos em Milão, há uma imensidão de propagandas de grifes das mais variadas nos telões do local.

Em uma grande área aberta, várias pessoas espalhadas. Ao fundo, um prédio com três portas gigantes abertas, ornamentado com longas colunas de pedra e algumas estátuas no topo. Céu limpo sem nuvens.
Stazione Milano Centrale - exterior.
Um longo salão, com três extensas de vidro no teto. Nas paredes, muitos detalhes em relevo e alguns banners de propaganda.
Stazione Milano Centrale - interior.

Nos hospedamos no Albert Hotel. As acomodações eram legais e o café da manhã era bacana. Vale apenas ficar atento ao limite de horário, já que só podemos acessar a collazione até as 10 da manhã. Localizado a uma ou duas quadras da estação de trem, foi uma escolha bem válida. O único empecilho que enfrentamos foi o sinal sofrível de Wi-Fi, que era fraco e caía vonstantemente. Por fim, desistimos de usar a rede de lá.

Na manhã seguinte, acordamos às 9:40 e planejamos o passeio iniciando pelo Castelo Sforzesco. No caminho, porém, fizemos uma parada na Piazza San Marco, onde se localiza a Chiesa San Marco. Não vimos seu interior, mas com certeza faremos isto em uma próxima oportunidade. Conforme retratado nas imagens desse artigo da Wikipedia, ela possui uma série de afrescos e outros trabalhos sensacionais. A igreja foi fundada em 1254 por Lanfranco Settala. Na placa informativa do local, se informa que ela provavelmente incorporou algumas estruturas de um templo ainda mais antigo em homenagem a São Marcos, como um agradecimento aos venezianos por ajudarem os milaneses nas batalhas contra Frederico Barbarossa, um imperador Romano-Germânico.

Algumas árvores em primeiro pano. Logo atrás, algumas barracas de uma feira que acontece em frente a uma igreja de paredes avermelhadas. Na fachada da igreja, uma grande rosácea. Céu cheio de nuvens.
Chiesa di San Marco - Milano.

Saindo da região, passamos em frente ao Teatro Strehler (ou Teatro d’Europa), mas nosso objetivo estava bem próximo dali: o Castello Sforzesco. Uma coisa impressionante era a quantidade de gatos nas instalações do castelo, mas não descobrimos o motivo. Fato é que, segundo esta página, é a colônia mais antiga de felinos na cidade e corre risco de acabar, pelo excesso de turistas e o espaço cada vez mais diminuto reservado aos bichanos.

Aqui vale uma dica: fuja dos rapazes simpáticos que te oferecem uma pulseirinha de linha enrolada. Eles começam com uma explicação sobre “Ubuntu” e amarram a pulseira em seu pulso, como um presente. Em seguida, estendem a mão pedindo algum dinheiro. Eles ficam por toda a área em volta do castelo, insistindo bastante para que você os escute.

Uma vista a partir do solo, em área de gramado, com duas torres em destaque, conectadas por uma muralha alta. A torre maior possui vários níveis, diminuindo de área conforme a altura aumenta.
Castello Sforzesco - Milano - jardim interno.

Voltando ao castelo, é impossível não gostar do conjunto de estátuas e detalhes que existem dentro de suas muralhas. Ali, há alguns museus com entrada paga. Saindo do castelo, logo ao lado vimos a Fontana Torta degli Sposi.

Perto da fonte, para nossa surpresa, estava acontecendo um evento de apresentação da taça da UEFA Champions League. Participamos das comemorações, assistimos à fanfarra e tiramos uma foto com a taça. Muito fãs do calcio, só não me perguntem nada relacionado ao esporte! :P

Um rapaz e uma moça morenos seguram uma placa da UEFA Champions League em Milão e sorriem. No meio da placa, uma abertura permite que se veja o rosto dos dois. Ao fundo, várias pessoas caminhando.
Vemos aqui dois especialistas de futebol. hahaha

Voltando para o interior do castelo, fomos para o lado oposto e saímos para o Parco Sempione, um parque lindíssimo. No interior do parque, há um enorme monumento equestre em homenagem a Napoleão III, feito por Francesco Barzaghi.

Mais à frente, finalmente, o Arco della Pace, um arco gigantesco, todo feito em granito e revestido em mármore.

Conforme informado no site ViviMilano (tradução livre minha), foi “idealizado em homenagem a Napoleão Buonaparte e construído a partir de 1807, através de um projeto de Luigi Cagnola. Sua construção foi interrompida depois que Napoleão saiu derrotado na Batalha de Waterloo. Foi terminado posteriormente por Francesco I d’Austria e dedicado à Paz”.

Extensa área aberta, com árvores ao fundo. No meio, um imponente arco de pedra, com esculturas equestres no topo.
Arco della Pace - Milano.

Logo em seguida, partimos em direção à Arena Civica, denominada oficialmente como Arena Civica Gianni Brera. Por lá, pudemos contar com uma voluntária da FAI (Fondo Ambiente Italiano), instituição sem fins lucrativos que promove a restauração e manutenção de diversos bens históricos e artísticos italianos e abre estes à visitação. Com as informações prestadas pela voluntária em questão, andamos pelo palácio e também pela fachada na qual Napoleão aparecia para o povo da arena. Construídos a pedido de Napoleão, a arena e o palácio são muito interessantes.

Área gramada com muitas árvores. Ao fundo, vista parcial da área externa de uma arena antiga em Milão.
Arena Civica Gianni Brera - Milano.

Durante a invasão, conforme informações da voluntária da FAI, Napoleão derrubou os muros de Milão. Na construção da arena, porém, foram reaproveitados os blocos do muro da cidade para as arquibancadas. Dentro da arena, à época, realizavam-se inúmeros eventos, como esportes aquáticos no verão, tendo até mesmo competições com gôndolas de Veneza. Durante o inverno, chegaram a promover patinação no gelo.

Entre as curiosidades apresentadas, vale destacar que a guia nos disse que as restaurações, segundo a legislação italiana, devem ser feitas sempre deixando claro o que é original e o que foi refeito. No interior de uma das salas do palácio (chamado de Palazzina Appiani), por exemplo, há uma faixa de pinturas perto do teto simulando esculturas em alto relevo, em tons monocromáticos. Como há partes restauradas, há linhas brancas separando o que era original e o que era trabalho recente. O palácio foi construído para abrigar a família imperial (de Napoleão) durante eventos públicos.

Parte da área interna do teto de um salão. Paredes brancas, teto amarelo e toda a borda em pinturas monocromáticas em tons de cinza, imitando relevo. Dois lustres pendem do teto.
Palazzina Appiani - Milano. Apesar de lembrarem esculturas, os trabalhos do teto são pinturas monocromáticas.

Outro fato curioso é que Napoleão mandou fazer uma sacada para a arena com o centro desta sem muro, justamente onde ele se apresentaria. Desta forma, sua baixa estatura não seria percebida por aqueles que o observassem.

Por último, achei interessante que a arena ainda hoje seja utilizada pela sociedade milanesa, inclusive mantendo estruturas para prática de esporte, como uma pista de atletismo.

Ao fim da viagem, conforme orientação no início da visita, as pessoas podem fazer uma doação à FAI pela continuidade dos trabalhos.

Perto da arena, ainda nas redondezas do parque, há o Acquario Civico Milano. Apesar de pequeno, o prédio tem uma fachada muito simpática. Como tínhamos pouco tempo, acabamos não entrando.

Pouco à frente, demos uma andada pela Pinacoteca di Brera, que também possui uma área paga. Nos fundos da pinacoteca, temos também o Jardim Botânico.

Nas redondezas, conferimos a Piazza della Scala, que fica em frente ao imponente Teatro Alla Scala. Aparentemente, este não estava disponível para visitação no dia do nosso passeio. No meio da praça, há um monumento em homenagem a Leonardo da Vinci.

Atravessando a praça, pudemos entrar na conhecida Galleria Vittorio Emanuele II. Famosa pela presença de grifes em seu interior, a galeria é lindíssima! O piso, todo decorado com mosaicos, é um espetáculo à parte. A galeria finalizada em 1877, tendo sido desenhada por Giuseppe Mangoni. Com formato em “cruz”, ela conecta a Piazza della Scala à Piazza del Duomo. Mangoni, infelizmente, morreu em uma queda de um andaime durante a construção da galeria, dias antes do fim da obra. Mais detalhes de cada etapa, do concurso para o projeto da galeria até o fim de suas obras, podem ser encontrados aqui.

Trecho de uma galeria comercial, com paredes muito trabalhadas e teto de vidro. O local está lotado.
Galleria Vittorio Emanuele II - uma de suas vias.

Em Milão, como em outras cidades italianas, há uma superstição bem conhecida, que envolve justamente a galeria. Para ter sorte (ou em algumas versões, para retornar a Milão), deve-se pisar com o pé direito em cima dos testículos do touro desenhado em um dos quatro cantos do centro da galeria e girar três vezes no sentido horário. O touro faz parte de quatro símbolos próximos do centro da galeria, cada um virado para uma de suas quatro vias. Cada um deles faz homenagem a uma das seguintes cidades italianas: Milão, Turim, Florença e Roma. É justamente no símbolo referente a Turim que a simpatia acontece.

Mosaico no chão de uma galeria, com um brasão azul com um touro em destaque. Em volta, o desenho de uma guirlanda verde com fitas vermelhas.
Touro - Galleria Vittorio Emanuele II - Milano

Só pra garantir, também segui a tradição:

Na vizinhança da galeria, outra parada obrigatória é o Luini, onde se vende, entre outras coisas, panzerotti maravilhosos. A massa lembra muito de longe a de um pastel, mas é mais grossa. Há versões fritas e assadas. Eu provei do panzerotto frito de tomate e muçarela e amei! Só é preciso ir com calma, pois o local vive cheio e a galera não respeita a vez de ninguém.

Ali próximo, temos também a La Renascente, um complexo de lojas muito conhecido por quem passeia por Milão.

Seguindo o roteiro, passamos pela Piazza San Fedele e a Chiesa di San Fedele. Fotos tiradas, seguimos finalmente ao Duomo di Milano. A catedral é de tirar o fôlego! Tire alguns minutos, admire cada um dos detalhes do seu exterior e, caso seja de seu interesse, compre os ingressos para visitar o interior da construção. Eles são vendidos em um prédio ao lado da igreja. Também vizinho da catedral, o Museo del Novecento é outro ponto conhecido da cidade. Saindo dali, passamos pela Piazza San Sepolcro, pela Chiesa di San Sepolcro e pela Bibliotheca Ambrosiana. Valem a visita e o registro!

Para finalizar o roteiro do dia, resolvemos dar uma volta pelo Quadrilatero della Moda, conjunto de ruas repleto de lojas de grife das mais variadas. Para quem vai à cidade para compras de luxo ou para dar uma atualizada sobre tendências fashion, é parada essencial. Durante o nosso passeio, estava ocorrendo a Semana de Moda de Milão, então era grande o movimento de pessoas pelo local. E junto do aglomerado de pessoas, como habitual, todo um aparato da polícia e do exército nas ruas.

Com as “canelas já doces”, fomos até a estação Montenapoleone, compramos um bilhete de metrô e seguimos em direção ao hotel. Aqui, vale uma dica preciosa: depois de comprar o bilhete, tenha este à mão durante o percurso. Deve-se autenticá-lo nas catracas de entrada e saída. O bilhete entra por uma fresta e sai do outro lado do equipamento. Cada bilhete custou, salvo engano, apenas € 1,50.

Por hoje é só! O dia seguinte em Milão foi, basicamente, de check-out e preparação para a viagem à Florença, que abordaremos no próximo post.

Arrivederci! :)


Imagem de destaque:
Duomo di Milano.
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