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O avanço da depressão merece um olhar mais franco e honesto

Reflexões07/04/2019

Olá!

Hoje, ao navegar pelo meu feed do Instagram, vi uma postagem no perfil do Quebrando o Tabu que chamou a minha atenção.

Ah! O meu perfil no Instagram é @uncaffeperdue. Vem conversar comigo por lá também! 🙂

Na postagem, eles faziam referência a um projeto bem bacana assinado pela revista Rolling Stone Brasil: Algoritmo da Vida.

Recomendo a leitura do texto sobre o projeto (link em “Algoritmo da Vida”), mas para os mais preguiçosos (ou sem tempo), farei um resumo…

O projeto reuniu uma série de palavras e expressões que podem indicar um pedido de ajuda, de alguém que está em algum estágio da depressão.

Baseando-se nesse banco de dados, o algoritmo (conjunto de códigos de computador ou, neste contexto, um “programa de computador”) vasculha o Twitter por postagens públicas que contenham esses gatilhos e encaminha para uma equipe de especialistas, que então analisa e filtra tudo, excluindo ironia, brincadeiras e outros “falsos positivos”.

Depois dessa filtragem, eles enviam mensagens privadas para quem precisa de ajuda, indicando o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), por exemplo.

Um projeto sensacional!

Toda a introdução acima é para mostrar algo que me preocupa muito no mundo, mas especialmente no Brasil, onde nasci e cresci: o descaso da sociedade em relação ao aumento da depressão.

Não é frescura!

De um modo geral, a sociedade ainda taxa quem está deprimido, com transtorno de ansiedade ou com algum outro cenário semelhante como fresco, indisposto, meramente alguém que não tem “boa vontade” para encarar a vida.

É um erro gravíssimo!

Quem tem depressão passou por problemas importantes, provavelmente já deu diversos sinais para aqueles com quem convive e está constantemente pedindo ajuda, mas geralmente de forma indireta.

Precisamos olhar mais para as pessoas queridas que nos rodeiam…

Cada um passa por desafios diferentes na vida, filtra e processa estes eventos de forma particular e sofre as consequências de forma diversa.

Não é frescura, não é má vontade e nem mesmo preguiça.

Se você conhece alguém que pode estar passando por isso, procure ajuda de profissionais e ofereça suporte a esta pessoa. Converse, ofereça carinho e apoio.

Se não sabe como fazer isso, procure familiares, profissionais e amigos e discuta sobre qual a melhor abordagem, mas não isole quem está sofrendo!

E jamais pense que apenas pessoas “tristes” podem apresentar depressão. Frequentemente, alguém que parece estar sempre “feliz” pode estar mascarando o problema, então verifique outros fatores atípicos que a pessoa possa estar demonstrando.

O Ministério da Saúde tem uma página sobre o assunto, que pode te dar algumas dicas em relação a isso. Lá eles citam, inclusive, os sintomas mais frequentes.

Eu estou me sentindo assim, e agora?

Antes de mais nada, se você se sente perdido ou sem energia, ansioso e triste, saiba que há todo um mundo de pessoas que te amam, que se importam contigo e que podem te ajudar.

Eu já passei por um início de depressão, já tive crise de ansiedade e tenho uma noção (mesmo que limitada) do quão pesado isto pode ser para a gente.

Além disso, gostaria de te recomendar uma coisa: se você não encontra o apoio que precisa ou não se sente confortável em conversar diretamente com um parente ou conhecido sobre isso, procure o CVV, que pode ser contatado pelo número gratuito 188, válido em todo o Brasil, nos postos de atendimento presencial, por e-mail ou por chat. Para mais detalhes, clique neste link.

Dica

Se estiver lendo este texto em seu celular, clique no número 188 para iniciar uma chamada telefônica.

Terapia não é bicho papão nem brincadeira

Outra coisa que precisamos vencer no Brasil é o preconceito em relação à terapia.

Frequentemente, isto cria a tendência nas pessoas de recorrerem à automedicação, como a banalização perigosa do uso de medicamentos à base de clonazepam (o Rivotril, por exemplo). O uso no país atingiu níveis alarmantes de uns anos para cá.

O problema não está no produto em si, mas no seu uso indiscriminado e sem uma orientação médica ou psiquiátrica, ou mesmo na falta de acompanhamento durante o período de uso.

Eu, por exemplo, sempre tive inseguranças, bastante ansiedade e outros fatores que afetavam minha vida, me tirando de um aproveitamento mais pleno do que eu tinha pela frente.

Procurei um psicólogo e iniciei terapia em 2017, mantendo até hoje os encontros em frequência adequada.

Evoluí bastante, corrigi uma série de fatores que me incomodavam e impediam de ser integralmente quem sou e me tornei mais independente.

O começo, claro, pode ser meio incômodo, pois você toca em assuntos delicados para qualquer pessoa, como família, círculo social, medos e angústias, mas você percebe com o tempo que aquilo era o início da “faxina”.

Psicólogos e psiquiatras, vistos por tantos como alguém a ser temido ou evitado, são profissionais que não tratam apenas quem tem algum “problema”, mas quem está se sentindo desconfortável ou incomodado com algo e prefere tratar os sintomas antes que aquilo o afete de forma mais significativa.

Se você não tiver condições financeiras de procurar um profissional em clínicas privadas, procure o CVV e peça ajuda, mas também procure por projetos de acolhimento, que costumam estar presentes em grande parte das cidades médias ou grandes e oferecem um acompanhamento e acolhida a preços mais acessíveis.

Se não for possível, verifique com profissionais de psicologia e abra o jogo. Pode ser que ele conheça algum projeto ou consiga montar algum plano que seja mais acessível para você.

Sò não coloque preço no trabalho do profissional, claro, pois ele trabalha em uma profissão bastante complexa e delicada, merecendo uma remuneração digna e compatível (como todos nós).

E é isso!

Por hoje, acho que nosso papo sobre depressão, inseguranças e ansiedade já caminhou bastante. Quer citar mais alguma coisa? Me conte nos comentários!

Quero deixar claro, porém, que este texto é uma conversa informal e leiga sobre o assunto. Jamais tome-o como conteúdo profissional.

Arrivederci! 🙂


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