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Bate-volta à Viana do Castelo, em Portugal

Viagens24/03/2024

Situada a quase uma hora de carro da cidade do Porto e já bem próxima da Espanha, Viana do Castelo possui cerca de 86 mil habitantes.

Entre seus destaques, está sua história conectada com os Descobrimentos (partiram de seus estaleiros muitas das embarcações rumo às “Índias” e ao continente americano.

Devido à sua localização, também sempre houve relação privilegiada com o bacalhau vindo dos mares mais ao Norte.

Por último, destaca-se a sua forte tradição com o ouro, estando atualmente nesta cidade a mais antiga ourivesaria de todo o país.

Hoje, trago pra você um pouco do que visitei, do que não deu tempo de visitar e mais algumas dicas que podem facilitar sua passada por lá.

O que visitei

Petinga Doce

Esta confeitaria/padaria bem simpática acabou sendo o meu primeiro contato com a cidade depois da estação de trem.

Por aqui, provei um bom café preto com uma especiaria local: sidónios. Falo mais desta iguaria vianense no decorrer do roteiro!

Fundação Gil Eannes (Navio-Hospital Gil Eannes)

Construído aqui mesmo na cidade em 1955, este navio serviu de apoio (como navio-hospital) para a atividade de pesca de bacalhau em regiões rasas de mar próximas da Terra Nova (no Canadá) e da Groenlândia.

Hoje funciona como um museu, com entrada custando 5 euros.

Praça da Liberdade

Um dos cartões-postais da cidade, esta praça fez parte da revitalização desta parte da cidade no final do século passado.

Com traços modernos e um monumento imponente de metal logo ao centro (Monumento ao 25 de Abril, que comemora o fim da ditadura), é projeto de Fernando Távora, importante nome na arquitetura portuguesa, especialmente no Porto.

Avenida dos Combatentes [da Grande Guerra]

'Vista a partir do meio da rua, ladeada com construções portuguesas coloridas. O céu está azul com nuvens.'
Praça da Liberdade ao fundo, vista a partir da Avenida dos Combatentes.

Uma das principais vias da cidade, oferece ao mesmo tempo uma vista privilegiada da Praça da Liberdade e do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no alto do Monte de Santa Luzia.

Oferece alguns restaurantes, padaria, lojas de artesanato e muito mais, sendo uma avenida tranquila em relação ao fluxo de veículos.

Ourivesaria Carvalho

Aberta em 1809, esta ourivesaria é a mais antiga em Portugal, jamais tendo fechado. É também o estabelecimento mais antigo da cidade.

Tendo passado de geração em geração na mesma família, era ali também que ocorria a confecção das peças em ouro, o que hoje ocorre totalmente pelos fornecedores.

Entre os destaques, o famoso “coração de Viana”, o símbolo da cidade que teria surgido no século XVIII do culto ao Sagrado Coração de Jesus.

Em seu formato tradicional, o símbolo é feito em filigrana (técnica com fios extremamente finos de ouro), pendurado em um colar nos trajes típicos desta parte de Portugal.

Museu do Traje

Este museu, razoavelmente pequeno, possui um grande acervo das vestimentas típicas de Viana do Castelo, incluindo as freguesias de Anha e demais.

É muito interessante ver as diferentes versões de indumentária, indo daquelas utilizadas antigamente no trabalho rural, em cerimônias religiosas e até mesmo as de festa, ainda hoje utilizadas em datas especiais.

Praça da República

'Sob um céu azul com nuvens, vemos uma praça de piso de pedra. Ao meio, um chafariz (sem água). A praça é ladeada por algumas construções bem antigas.'
Vista parcial da Praça da República.

Talvez a principal praça da cidade, este local possui mais de 500 anos de história e reúne, em uma área bem enxuta, alguns edifícios de diferentes estilos arquitetônicos.

Ao centro, um chafariz imponente que já carrega muito da história da cidade nas suas marcas do tempo.

O Vasco (Restaurante)

Nas minhas andanças pela cidade, passei em frente a este restaurante e resolvi entrar. E que bom que o fiz!

O espaço parece ser bastante procurado pelos locais, com clientes que pareciam ser ali mesmo da vizinhança.

Na ocasião, pedi dicas de pratos típicos e me foi oferecido o “Bacalhau à Minhota”, uma travessa com um generoso filé de bacalhau assado com pimentão, azeite e cheiro verde; acompanhado de batata frita.

Provei também dos bolinhos de bacalhau (dica: em Lisboa, são chamados de pastéis de bacalhau).

'Vemos o interior de uma igreja a partir da entrada. Os bancos de cada lado são de madeira escura. Ao lado, grandes arcos de pedra e, ao fundo, um altar ricamente ornado.'
Interior da Sé de Viana do Castelo.

A Sé de Viana (catedral da cidade) é tão imponente por dentro quanto por fora (fachada em estilo românico), com paredes internas acinzentadas e ricas em ornamentação. Só vale verificar os horários de funcionamento, que são um pouco restritos.

Confeitaria A Brasileira

Completando 122 anos em 2024, esta confeitaria é um dos símbolos da cidade, ficando bem ao lado da Sé.

Por aqui, pode-se saborear de itens clássicos regionais e nacionais a inovações mais recentes.

Na ocasião, provei três itens regionais muito famosos: Sidónios, Torta de Viana e Manjericos.

'Vista superior de uma mesa com um pedaço de torta que lembra rocambole, um doce marrom em formato retângulo e uma sobremesa em uma casquinha de sorvete em miniatura. Abaixo, temos uma xícara de café.'
As três guloseimas que provei na Confeitaria A Brasileira, acompanhadas de um café.

Não reconhece estes nomes? Explico:

  • Sidónios são um doce em formato de caixão, feito primariamente de amêndoas, açúcar e ovos. Esta iguaria dos doces portugueses teria sido criada na Confeitaria A Brasileira, que teria até mesmo registrado o doce. Seu nome faz referência a Sidónio Pais, ex-presidente de Portugal que faleceu em 1918.
  • Tortas de Viana surgiram em 1505 pelas mãos de freiras no Convento de Santa Ana. Antigamente, eram um item de luxo, mas hoje são populares. Consistem em um bolo coberto de creme de ovo e enrolado (em formato de rocambole). É o doce mais famoso da cidade.
  • Manjericos de Viana são um doce criado em 1970 na Pastelaria Zé Natário, que consiste em um copinho de uma massa que lembra casquinha de sorvete preenchido com um doce à base de ovos. Seu nome vem do formato semelhante aos famosos manjericos (planta) em vaso, largamente comercializados durante as festas dos Santos Populares no mês de junho em Portugal.

Extras

Minha viagem à Viana tinha um contexto bem específico, que reduzia minhas horas disponíveis no centro da cidade: visitar a freguesia/vila onde meus antepassados nasceram e cresceram.

A família do meu trisavô português, Luiz Couto, vem de Anha (ou Vila Nova de Anha), parte da cidade de Viana do Castelo.

Por conta desse “desvio” durante o passeio, e a luta que foi para arrumar um carro de aplicativo para voltar ao centro de Viana, acabei visitando menos lugares do que gostaria.

A seguir, apresento os pontos que com certeza visitarei em uma outra passada pela cidade no futuro:

Pastelaria/Confeitaria Manuel Natário

Para começar, vale dizer que não se deve confundir esta confeitaria com a pastelaria do Natário, outro estabelecimento bastante tradicional da cidade.

Por aqui, diz-se que são servidas algumas das melhores bolas de Berlim de Portugal.

Duas vezes ao dia, eles liberam uma fornada enorme da iguaria, que de tão famosa por aqui, dura pouco tempo.

Para quem não conhece, bola de Berlim é a irmã portuguesa do que conhecemos como sonho no Brasil.

Casa dos Nichos

Este local funciona como um museu da cidade, trazendo artefatos e histórias que vão de achados arqueológicos até as últimas décadas.

Ponte Eiffel

O nome já entrega, mas vale citar que esta ponte foi projeto de Gustave Eiffel, o mesmo daquela torre bem famosa de Paris, sabe?

O mais interessante dela, porém, fica na arquitetura e o seu uso misto, com trens no nível inferior e, no topo, uma rodovia.

Forte de Santiago da Barra

Para quem tempo de sobra, vale conhecer esta antiga fortaleza vianense, construído para proteger esta importante cidade portuária, que acaba sendo mais exposta até pela sua localização tão próxima da Espanha.

Os destaques por ali vão para a Capela de Santiago e a Torre da Roqueta.

Museu do Pão

Um pouco mais afastado, na freguesia de Outeiro, temos este espaço que leva o visitante a conhecer as etapas do processamento do milho até a preparação da famosa broa (ou pão) de milho, tudo da forma tradicional da região.

Elevador de Santa Luzia

Este funicular liga o centro da cidade ao Monte de Santa Luzia, que abordo em seguida.

O passeio possibilita ao visitante que troque uma caminhada de mais de um quilômetro escada acima (cerca de 20 minutos) por um trajeto agradável no funicular, que dura cerca de 7 minutos.

Na ocasião da minha visita, infelizmente, ele estava fechado para restauro, com reabertura para o dia seguinte (🤡).

Monte de Santa Luzia

Com 250 metros de altitude, este monte abriga o famoso santuário de mesmo nome, que atrai milhares de fiéis anualmente.

A vista (que eu não consegui conferir) parece ser deslumbrante, com visibilidade muito além do outro lado do rio Lima, além de trecho do oceano Atlântico.

Santuário do Sagrado Coração de Jesus (Santuário de Santa Luzia)

Construído entre 1904 e 1959, em projeto do arquiteto Miguel Ventura Terra, possui mistura de estilo românico-bizantino com o revivalista (muito forte à época).

O templo possui as segundas maiores rosáceas da Europa.

Extra do extra - Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago de Vila Nova de Anha

'Vemos uma pequena igreja por dentro, a partir da porta. De paredes brancas, os lados da igreja possuem imagens e outros ornamentos. Ao fundo, um altar dourado cheio de detalhes, com teto pintado.'
Interior da Matriz da Paróquia de São Tiago.

Embora não seja tão próxima do centro da cidade, esta igreja é facilmente acessada de carro. Sua história chegaria até pelo menos o ano de 1063.

Fica na Vila Nova de Anha e atrai muitos peregrinos anualmente, por fazer parte de um dos trajetos portugueses do Caminho de Santiago, que finaliza na Catedral de Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha).

Embora seja relativamente pequena, sua fachada é bem bonita e seu interior é ricamente adornado, principalmente na área do altar, contando com um altar-mor em estilo barroco.

Acabei visitando esta igreja por ter sido o local de bastimo do meu trisavô paterno e valeu muito a pena.

Como chegar a partir do Porto

Há mais de uma possibilidade para acessar Viana do Castelo.

A rota mais comum, creio eu, seria partindo da cidade do Porto, de onde pode-se utilizar dois tipos de transporte de massa:

  • Trem (comboio): saí da estação Porto Campanhã de comboio em trajeto que durou cerca de uma hora até a estação Viana do Castelo. Reservei a ida (pela espanhola Renfe) através do site Trainline, custando entre 8 e 10 euros. A Comboios de Portugal também cobre o trajeto, tendo sido o site que utilizei para reservar o trajeto da volta.
  • Ônibus (autocarro): partindo também dos arredores de Porto Campanhã, o trajeto dura entre 60 e 90 minutos e custa a partir de 8 euros. Uma empresa que oferece o trajeto é a Rede Expressos.

Mapa do tesouro

Conclusão

Viana do Castelo possui uma arquitetura bem interessante, além de uma história de grande importância para Portugal.

O motivo da minha visita era principalmente conhecer a região dos meus antepassados, mas a cidade ofereceu muito mais do que eu esperava.

Por conta da restrição do tempo (menos do que um dia completo), acabei deixando várias coisas de fora (seção “Extra”), mas acho que em um dia inteiro já seria possível cobrir o principal da cidade.

Para um roteiro mais completo, porém, dois dias permitiriam uma visita calma e sem atropelos.

Por ter ainda tanto a conhecer na Europa e especificamente em Portugal, raramente repito destinos, mas esta é uma cidade que definitivamente poderia visitar mais uma vez.

Espero que tenha gostado de conhecer um pouco desta localidade comigo!

Arrivederci! :)


Imagem de destaque:
Vista do Santuário de Santa Luzia a partir da Avenida dos Combatentes.
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