Conhecer Sintra foi, sem exageros, uma das experiências turísticas mais agradáveis que já tive em Portugal.
A vila encrustada entre colinas, com palácios (e um castelo) espalhados em diversos pontos traz um clima muito especial, especialmente se visitá-la em períodos mais ensolarados do ano.
No texto de hoje, te apresento o que conheci, o que ficará para uma próxima visita e, para finalizar, o que achei de lá.
Sintra é uma vila, sede do município de mesmo nome. O município de Sintra possui 11 freguesias (espécie de bairros, com alguma autonomia), sendo uma destas a própria vila de mesmo nome. O município faz parte do distrito de Lisboa (ou “Grande Lisboa”). Explico um pouco mais sobre a divisão administrativa portuguesa no roteiro de Fátima.
Dia 1
Cabo da Roca
Esta ponta de terra que avança de forma tímida em direção ao mar é, talvez, uma das atrações mais famosas da região.
Oficialmente, é considerado o ponto mais a Oeste da Europa Continental, ou seja, o ponto mais ocidental da porção principal do continente (excluindo ilhas e outros territórios ultramarinos).
Para ir até lá, você pode alugar um carro, mas há também serviço de ônibus (ou autocarro, como é conhecido no país).
Uma das linhas mais comuns é a 1253 que, no momento da minha visita, atendia um trajeto circular a partir da estação de comboios (trem) de Sintra, passando pelo Cabo da Roca, com viagens a cada meia hora aproximadamente. O trajeto dura cerca de 45 minutos. A empresa responsável é a Carris Metropolitana, cujo site apresenta calculador de rota e mais informações. Salvo engano, o percurso custou 2,60 euros, sendo aconselhável levar valor em espécie e que facilite o troco.
Para ir para o Cabo da Roca com o 1253, ao invés de partir da estação, é possível partir de um ponto (paragem) no Largo Carlos França.
Miradouro do Cabo da Roca
Este miradouro, mais ao Sul, proporciona uma vista privilegiada de enormes precipícios vizinhos.
Garantia de fotos lindas e um bom local de contemplação.
Apesar disso, leve sempre um bom meio de proteção contra as intempéries de uma zona costeira, como casaco corta vento, protetor solar e óculos de sol.
Por ali, há frequentemente um vento impetuoso e algumas áreas instáveis (com risco de desmoronamento), então evite ficar muito próximo da beirada da estrutura.
Restaurante/Souvenirs Cabo da Roca
Este pequeno restaurante abriga também uma loja de souvenirs.
O espaço é bastante agradável, com uma vista excelente.
Há um posto turístico bem ao lado, mas o espaço não oferece muita estrutura de atendimento e suporte.
Farol do Cabo da Roca
Este pequeno farol no topo de um prédio não é aberto à visitação, mas figura de forma simpática em um dos pontos da costa, bem às margens do precipício.
Tapas da Cris
Voltando do passeio, desci na estação de trem e vim caminhando de volta até os arredores do “centro” local.
Parei no Tapas da Cris, um barzinho/restaurante bem simpático que serve porções menores super saborosas. Comi uma empada de frango e um travesseiro de anjo (semelhante ao nosso pudim), acompanhados de uma taça de vinho rosé por um total de 19 euros.
Palácio Nacional de Sintra
Há menções ao Paço de Sintra desde o século X, mas o primeiro documento a citar o palácio por ali data de 1281.
A maioria dos monarcas portugueses viveu ali por algum período.
Com extensões acrescentadas ao longo do tempo, o palácio possui inúmeras salas ricamente ornadas, com destaque para a Sala dos Cisnes e a dos Brasões.
Outro ponto especial já se pode ver do lado de fora: 2 chaminés mais altas que qualquer outra parte do palácio. Em formato cônico, suas bases, juntas, são as paredes da própria cozinha. Impressionantes!
Visitando o palácio, confira também os jardins e, ainda no início do passeio, procure pela vista que dá para o Castelo dos Mouros, no topo da serra.
Sintra Bazar
Se você gosta de comprar souvenirs, Sintra tem aqui uma das melhores opções.
Além de itens menores, eles vendem todo tipo de artesanato português, de diferentes partes do país.
Na ocasião, saí com uma sacola cheia de xícaras, pano de prato e bordados tradicionais.
Becco de Sintra
Depois de algumas horas no palácio (e de voltar ao hotel com uma sacola pesada de compras), fui até este restaurante para jantar.
O local é bem pequeno e super agradável. Os funcionários, muito educados, até me deram algumas azeitonas para aguardar o prato, que estava demorando um pouco mais do que o normal para ser servido.
Experimentei o delicioso polvo à Becco, além de uma boa taça de vinho branco. O total foi de 22,50 euros.
Dia 2
O segundo dia tinha como prioridade três lugares, mas acabou sendo insuficiente, já que há sempre alguma restrição de horários e dias de funcionamento que exige que os planos mudem.
Quinta da Regaleira
Um dos destaques do dia, a Quinta da Regaleira abria apenas às dez da manhã, o que fez com que o dia rendesse bem menos.
Entre as opções do dia, porém, era a que abria mais cedo, então saí do hotel até o local a pé, em um percurso que devia dar por volta de 20 minutos caminhando.
O local compreende uma casa, uma capela e uma imensa área verde recheada de monumentos, construções e estruturas (algumas inacabadas, inclusive).
As diferentes atrações foram construídas principalmente no final do século XVIII, quando a área pertencia a António Augusto de Carvalho Monteiro. O projeto, por sua vez, foi obra do arquiteto italiano Luigi Manini.
Conforme o site oficial, o espaço reúne os estilos “Manuelino, Renascentista, Medieval e Clássico” nas diversas partes do imenso terreno.
Há muito o que se visitar por lá e recomendo fortemente que se adquira o audioguia, em um aparelho próprio do local, cujo aluguel custava 5 euros. Além disso, faz-se necessário pegar o mapa impresso (ou baixar o PDF) e priorizar o que será visitado, já que alguns pontos são extremamente populares.
Tentei visitar o máximo possível, mas decidi cortar várias partes do espaço. Entre os destaques da minha visita, posso citar:
- Poço Iniciático: um dos destaques para o ar do misticismo local, esta torre invertida (subterrânea) foi construída com 9 patamares de escada em espiral, ladeados por colunas que possibilitam visualizar o centro (com abertura total). Diz-se que o nome remete a ter sido utilizado no passado para rituais de iniciação da maçonaria. No centro, no nível mais baixo, há uma rosa-dos-ventos. Diz-se que a descida até a parte mais baixa tem inspiração na Divina Comédia de Dante. Na base, há uma série de túneis que levam, inclusive, ao Poço Imperfeito.
- Poço Imperfeito: diferente do seu “colega”, este é um poço que não foi terminado, mas é igualmente interessante.
- Gruta do Labirinto: este é o nome dado a uma rede de túneis subterrâneos do local, que conecta algumas das principais atrações.
- Fonte da Abundância: uma bela fonte com fachada em mosaico.
- Palácio: a residência da família que construiu a propriedade, com salas de diferentes ornamentações e voltadas para usos bem específicos. Vale muito a pena analisar cada uma das suas nuances.
- Patamar dos Deuses: uma passarela mais baixa no terreno, este espaço possui uma fileira com esculturas de divindades e figuras da mitologia greco-romana, como Vênus, Dionísio e vários outros.
- Capela: a Capela da Santíssima Trindade possui estilo parecido com o do palácio, de inspiração Manuelina.
- Lago da Cascata: uma estrutura com um lago, uma passarela de pedra e algumas cavernas. O arremate é feito por uma cascata, como o próprio nome já entrega.
Palácio Nacional da Pena
Se o Palácio Nacional de Sintra é o símbolo de destaque da cidade, acredito que o Palácio da Pena fica com o título quando se pergunta aos turistas que visitam a cidade.
Situado no topo de uma colina verde que se vê de quase todas as partes da cidade, possui diferentes seções com fachadas que alternam entre amarelo, vermelho e cinza.
De estilo romântico, parece ter sido tirado de algum conto de fadas, com suas curvas delicadas, suas cores exuberantes e seu destaque frente aos seus arredores.
Sua história remonta ao século XII, quando havia ali uma igreja, mas posteriormente D. Manuel pediu que fosse edificado um mosteiro.
Embora o terremoto de 1755 tenha quase destruído por completo o local, ainda hoje se vê no palácio vestígios deste período.
No século XIX, D. Fernando II, apaixonando-se por Sintra, decidiu comprar a área do mosteiro e começar uma reforma do espaço para que este se transformasse em uma residência de verão da família real.
Fernando II foi ganhando entusiasmo e acabou por aumentar a área construída e transformar o local em um palácio completo, incluindo algumas referências a um conceito inspirado no período medieval, com estruturas como torres de vigia e caminhos de ronda.
Assim como na Quinta da Regaleira ou no Palácio de Sintra, é uma estrutura bem concorrida, que merece tempo passeando por cada uma das suas salas.
Diferente dos demais, minha visita foi levada como um caminho de mão única nas estruturas internas, com um trajeto bem definido. Na área externa, porém, a circulação é livre.
Um dos destaques do espaço, ao meu ver, fica pelo pátio do antigo convento, com trabalho lindo de azulejos típicos. É, sem dúvida, um dos pontos mais fotografados do seu interior.
O caminho entre o centro histórico de Sintra e o Palácio Nacional da Pena é bem íngreme e tortuoso, mas é possível fazê-lo a pé, passando por caminhos paradisíacos pelo interior do Parque da Pena, na Serra de Sintra.
Para chegar lá de autocarro (ônibus), uma opção que encontrei foi a linha 434 da ScottUrb, com mapa disponível online.
Achei o serviço bem estranho, com cada motorista de ônibus falando um preço diferente. Entretanto, o site informa haver preço de sentido único centro-Palácio da Pena (ou reverso) custando 4,55 euros (consultado em março de 2024), com um bilhete incluindo ida e volta no total de 8,40 euros.
Há uma opção de passe diário, no formato hop on hop off (sobe e desce dos ônibus 434 e 435 quando quiser), ao custo de 13,50 euros, mas recomendo olhar o site da empresa para ter certeza de que estas opções ainda existem.
Na ocasião, peguei o ônibus em um ponto localizado no Volta do Duche.
Para aqueles que visitam a vila de Sintra por trem, há um bilhete diário “Train & Bus”, que possibilita utilizar o trem entre Sintra e Lisboa e também os ônibus. Na data de publicação deste texto, custava 16 euros. A venda ocorre nos postos da empresa Comboios de Portugal e da ScottUrb.
Para todos os casos, recomendo ter dinheiro, pois nem sempre as maquininhas dos ônibus funcionavam.
Extras
Infelizmente, não consegui visitar um importante marco da vila que estava nos meus planos, mas descrevo-o a seguir para quem desejar visitá-lo no futuro.
Castelo dos Mouros
Qualquer pessoa realmente entendida do turismo em Sintra te explicará logo de cara uma curiosidade: por ali, há muitos palácios, mas somente um castelo.
A razão para isso está na diferença da definição para cada um deles: enquanto um palácio tem como função principal servir como residência e representação social ou de outros tipos, um castelo tem em seu cerne ser uma fortaleza, ou seja, é um local que busca por design proteger o seu interior, com muralhas e outros artifícios específicos.
O Castelo dos Mouros fica também na Serra de Sintra, no caminho entre o centro da cidade e o Palácio Nacional da Pena.
Ele foi fundado no século X, por muçulmanos (chamados então de mouros nesta área), que viveram por ali até 1147, quando a região foi entregue a D. Afonso Henriques, primeiro monarca português.
Originalmente, havia dois anéis de muralhas, sendo que o Bairro Islâmico ficava entre estas duas estruturas, em uma área onde hoje temos, entre outras coisas, a Igreja de São Pedro.
Depois da retomada da área pelos cristãos, este bairro foi se desfazendo aos poucos, transformando-se em uma vila medieval, que durou até o século XV.
Ela foi se esvaziando com o tempo, à medida que este tipo de proteção já não parecia mais necessária.
Com o terremoto de 1755, várias partes ficaram em ruínas, mas D. Fernando II decidiu restaurar a área no século XIX.
Hoje em dia, os destaques para quem deseja visitar o local contemplam:
- Muralhas, que possibilitam o passeio em seu topo;
- As 5 torres (quatro em formato retangular e uma circular), inclusive a Torre Real, onde D. Fernando II praticava pintura;
- Necrópole (na área do antigo bairro islâmico), construída para abrigar as ossadas movidas durante a construção da igreja e arredores;
- Igreja de São Pedro, hoje uma espécie de pequeno museu sobre os achados arqueológicos dali;
- Antiga cisterna, que abriga a fonte que abastecia o Palácio Nacional de Sintra; e
- Silos, utilizados para a conservação de alimentos, principalmente grãos.
Aproveite para conferir também a vista proporcionada através das muralhas e torres, podendo contemplar o Palácio da Pena, a Serra de Sintra e até mesmo um pouco do Atlântico.
Como chegar a partir de Lisboa
Para ir à Sintra, a melhor opção é, provavelmente, o trem.
Uma das opções é partir da estação Rossio, em Lisboa, em viagem que dura de 40 minutos a 1 hora, dependendo da linha selecionada. Na data de publicação deste roteiro, cada trecho (ida ou volta) custava 2,40 euros. Para valores atualizados, recomendo visitar o site da Comboios de Portugal.
A estação de chegada em Sintra é, justamente, de onde partem as linhas 434 e 435 da ScottUrb, possibilitando que você adquira o passe diário e faça as paradas citadas neste roteiro sem problemas.
Mapa do tesouro
Conclusão
Sintra é uma vila magnífica, que merece sua visita tanto como destino principal quanto como um “dia extra” em uma visita à Lisboa.
Como muitos destinos populares, é recomendável que agende os pontos de interesse de forma antecipada, especialmente o Palácio da Pena, que só aceita visitas pré-reservadas.
Outro detalhe interessante de citar é que Portugal ainda é, dependendo de onde você visitar, um país que prefere dinheiro em espécie. Por conta disso, vale sempre levar seu cartão, mas também ter alguma quantia em “papel” para aqueles locais que não gostam do “plástico” bancário.
Arrivederci! :)
Imagem de destaque:

