Bruges é uma cidade de quase 120 mil habitantes, com um centro histórico pequeno e que oferece quase todas as atrações a uma caminhada de distância.
Além dos chocolates, um dos seus carros-chefe é a renda de bilro, que possui séculos de história e já ornou as vestes dos membros mais ricos da sociedade belga como um símbolo de status.
Seus diversos canais são um charme à parte, com trajetos estreitos em alguns trechos.
No texto de hoje, te conto tudo o que recomendo que visite caso decida passar por lá.
Dia 1
Minnewaterpark / Minnewaterbrug / Minnewater
Neste pequeno parque, há um grande lago com uma ponte charmosa. Em uma das extremidades, uma espécie de torre de vigia.
O parque, o lago e a ponte são nomeados “do Amor” ou “dos Amantes”. Segundo reza a lenda, se dois apaixonados cruzam a ponte juntos e se beijam, seu amor dura para sempre.
Além disso, o espaço serve como local para caminhadas e para sair um pouco da correria dos turistas na área histórica da cidade.
Grote Markt
Diz-se haver aqui uma feira às quartas-feiras, mas é seguro dizer que é uma das praças mais populares da cidade a qualquer hora.
De um lado, o campanário imponente; em frente, a sequência de lojas e restaurantes com uma arquitetura na fachada que é internacionalmente famosa.
Belfort
Considerado a atração mais famosa de Bruges, o campanário (torre de sino) oferece uma vista privilegiada em dias de céu mais limpo.
Para desfrutar desta vista, porém, é necessário enfrentar uma subida de 366 degraus.
É recomendado evitar horários de pico, pois o acesso é controlado e você precisará de calma para observar o enorme mecanismo de sinos no último andar.
Se bater a fome, dá para curtir um waffle no Chez Albert, que fica bem perto daqui.
Basiliek van het Heilig Bloed / Basílica do Sangue Sagrado
A basílica fica no andar superior, tendo sido construída no século XII com estilo romanesco.
Toda decorada internamente, vale visitá-la com calma para curtir cada detalhe.
Entre os destaques, está um vial que carregaria um pedaço de tecido impregnado com sangue de Jesus.
Além da basílica (de acesso gratuito), há um museu (com entrada a 5 euros, em 2023), além de uma capela também muito interessante no nível térreo.
O museu é muito pequeno, com poucos objetos. Se tiver pouco tempo ou orçamento mais apertado, pode não valer a pena.
Rococo
De uma tradição que remonta ao século XVI, Bruges foi uma das cidades belgas responsáveis pela popularização dos ricos padrões de renda nacionais, famosos mesmo atualmente.
Diz-se que Grace Kelly casou-se com um vestido todo de renda belga.
Na Rococo, eles compram antigas peças de renda e vendem souvenirs com pedaços destas, além de artigos completos, como peças para casa ou apliques para vestuário.
Um dos pontos mais legais é que as peças costumam vir com um pequeno “certificado” que cita o tipo, a origem e a época de produção do material.
Torture Museum Oude Steen Brugge
Este local é para aqueles que gostam de história e têm curiosidade por relatos e objetos que referenciam períodos sangrentos da Europa, principalmente nas prisões e execuções públicas.
Parece ser um estabelecimento relativamente recente e montado com o foco no turismo, mas é bem interessante.
A Bélgica é muito famosa por suas cervejas regionais. Se deu sede, dê um pulo no De Garre.
Groeningemuseum
Focado nas artes visuais belgas, o destaque deste museu fica na coleção de pinturas dos chamados “Primitivos Flamengos”.
Há obras lindíssimas, mas os destaques que ficaram na minha memória foram as pinturas religiosas e aquelas de natureza morta, especificamente algumas com animais abatidos. Muito intrigantes!
Sint-Salvatorskathedraal
Esta é a catedral municipal (e igreja mais antiga da cidade), dedicada ao “São Salvador” e a São Donatius de Reims, um santo francês.
É possível ver sua torre (mais recente do que o templo em si) de várias partes da cidade, tamanha a imponência da estrutura. Isto não é de se estranhar, porém, já que ela possui 99 metros de altura.
Embora tenha sido construída pelos idos do século X como uma igreja “comum”, foi elevada a catedral no século XIX.
Entre os destaques, estão diversas peças de arte, tapeçaria de parede e o órgão, originalmente produzido entre 1717 e 1719 por Jacobus Van Eynde.
Ela mistura os estilos romanesco e neogótico, tendo sido estendida e alterada no decorrer dos séculos. No total, são 101 metros de comprimento.
Ah! A entrada é gratuita.
Se você, como eu, ama chocolate, aqui nos arredores fica a Chocoladehuisje.
2be shop / The Beerwall / 2be bar
O local mistura bar, loja e “museu”. No bar, aliás, há um terraço com boa vista da cidade.
Entre os destaques, um paredão com diversas marcas diferentes de cerveja em exibição que atrai muitos curiosos.
Rozenhoedkaai
O “Cais do Rosário” empresta seu nome do passado em que os artigos religiosos eram vendidos no local.
Hoje, o charmoso ponto da cidade oferece uma das vistas mais bonitas (e mais famosas) de Bruges, na esquina do lado oposto do canal.
Coudenys
Ali mesmo em Rozenhoedkaai, há uma das empresas que oferecem tours pelos canis de Bruges.
O passeio é bem agradável e vale a pena! O custo é de 12 euros por adulto, com duração de cerca de meia hora de percurso.
Bonifaciusbrug
A ponte de “Bonifácio” é bastante charmosa, embora seja bem nova para os padrões da cidade.
Pequena e bem arqueada, é disputada principalmente por casais para uma foto no topo.
Adiciona ao charme do lugar a Igreja de Nossa Senhora, logo ao lado, com um pequeno jardim.
Dia 2
Caminhada pelos moinhos
Há mapas de Bruges do século XVI que mostram pelo 23 moinhos de vento pelas muralhas da cidade.
Muitos deles se perderam com o tempo ou foram realocados.
Atualmente, pode-se conferir quatro deles às margens de um canal mais ao Norte na cidade:
- Koeleweimolen: originalmente construído para a comunidade de Meulebeke em 1765, este moinho foi desmontado em 1980 para a construção de uma estrada. A cidade de Bruges comprou as peças e remontou o moinho onde podemos conferi-lo hoje em dia. Dizem que ele ainda funciona e é aberto ao público (não visitei seu interior).
- Windmolen De Nieuwe Papegaai: original da vila de Beveren-aan-de-IJzer (de 1790), foi trazido para o local atual em 1970. Tem um papagaio no topo, que lhe empresta o nome (“novo papagaio”).
- Sint-Janshuismolen: ainda em funcionamento, ele funciona como um pequeno museu e pode ser visitado por uma taxa de 5 euros. É o único que foi construído e permaneceu no seu local original até os dias atuais. Este eu consegui visitar e achei muito interessante. Meu avô paterno possuía um pequeno moinho de pedra no seu sítio no interior de Minas Gerais e a visita me trouxe boas memórias.
- Bonne-Chièremolen: original de Olsene (de 1844), mas trazido para Bruges em 1911. Não está em atividade e jamais foi utilizado neste local para moagem de grãos.
O.L.V. ter Potterie
As primeiras menções à igreja e ao hospital que funcionaram aqui vêm do século XIII.
Hoje, o Museu de Nossa Senhora de Potterie não funciona mais como centro de peregrinação e cuidado com enfermos, mas abriga uma interessante coleção de pinturas, objetos utilizados nos cuidados de pessoas doentes e itens religiosos, além de uma igreja ricamente ornamentada.
Ele fica às margens de um dos canais da cidade, ao Norte do centro histórico.
O.L.V. é a sigla para Onze-Lieve-Vrouw, “Nossa Senhora” em holandês.
Stadhuis Brugge
Com uma história que começa no século XII, este prédio da prefeitura é um belo exemplo de arquitetura gótica.
Há uma sala com projeções que conta a história daquela área da Bélgica, com foco em Bruges.
Apesar disso, o destaque fica para a sala principal (Main Hall), que abriga uma série de pinturas com diversas personagens importantes da história local e belga no geral.
Vale a pena ler o material informativo fornecido e conferir cada detalhe com calma.
Para terminar, sua fachada é magnífica e merece alguns minutos de observação.
Brugse Vrije
Esta mansão era a sede da administração local da então área rural que rodeava Bruges.
Posteriormente, funcionou como sede da justiça na região e hoje é, entre outras coisas, um arquivo público da cidade.
Seu horário de funcionamento é bem restrito, por isso acabei não conseguindo visitá-la, mas seu exterior já é, por si só, deslumbrante.
O.L.V.-kerk Museum
A Onze-Lieve-Vrouwekerk (Igreja de Nossa Senhora), é um templo gótico do século XIII que abriga um sem número de obras de arte religiosas, incluindo uma estátua de Michelangelo (Nossa Senhora e o Filho).
O acesso à igreja em si é gratuito, mas a área do museu (com a obra de Michelangelo) cobra entrada.
Sint-Janshospitaal
Um hospital do século XII, é o mais antigo prédio do tipo ainda de pé.
Hoje, funciona como um museu, repleto de pinturas e esculturas. Na ocasião da minha visita, ele estava fechado para reformas, mas tinha dada prevista de reabertura para dezembro de 2023.
No dia da minha passagem por ali, visitei uma seção onde antes funcionava uma farmácia, em conceito que se aproxima com as farmácias de manipulação de hoje em dia.
Nos arredores, há o FritBar, com as típicas batatas belgas.
Gruuthusemuseum
Além de pinturas, artigos chineses de porcelana e esculturas, este museu abriga uma boa coleção de renda belga, em especial de Bruges, e conta a história deste tipo de arte na cidade.
Além disso, a antiga casa de Lodewijk van Gruuthuse (daí seu nome) tem ainda um oratório com vista privilegiada para dentro da Igreja de Nossa Senhora, em uma sintonia que me deixou emocionado.
Ah! Lembra da ponte de Bonifácio? Dá pra vê-la junto do jardim vizinho por uma vista privilegiada.
De Burg
Você já esteve por aqui comigo quando visitou a igreja com a relíquia sagrada, a prefeitura e a antiga corte de justiça.
Estou passando novamente por aqui, porém, pra te dar mais detalhes.
Esta é a praça central da cidade, rodeada por algumas das fachadas mais bonitas, além de te oferecer restaurantes e cafés muito bacanas a poucos minutos de caminhada.
Mas te trouxe aqui, na verdade, para outro ponto logo ao lado, que abordo no próximo item.
Daqui, você pode andar um pouquinho e comer um waffle na Chez Albert ou experimentar chocolates artesanais da Chocoladehuisje.
Blinde-Ezelstraat
Esta é a viela do Burro Gego (sim, eu também achei “criativo”).
O nome teria vindo de uma lenda, que conta que os cidadãos de Bruges roubaram uma peça em formato de dragão que pertencia aos habitantes de Ghent, uma cidade próxima dali.
Quando os donos originais vieram pegar o item de volta, em uma carroça puxada por um burro, o animal só aceitou passar pela viela com seus olhos tapados por uma venda.
Te apresento esta viela, porém, para que veja a passagem coberta que conecta o prédio da prefeitura ao da antiga corte de justiça. É, certamente, uma construção linda, com sua parede branca e detalhes dourados. Muita gente passa por baixo dela e tira uma selfie com ela de fundo.
Se quiser tomar um café, Brazila não fica muito longe daqui.
## Onde comer
Os estabelecimentos abaixo são bons locais para provar algumas delícias típicas da região:
- Chez Albert: por aqui, você compra deliciosos waffles com diferentes coberturas e dois tipos principais de massa: Brussel (Bruxelas) ou Liège.
- Brazila Coffee Roasters & Tea Brugge: este agradável café e casa de chá possui bebidas bem preparadas, além de sobremesas saborosas. Fica em uma região um pouco mais tranquila e fora do burburinho da praça principal, o que é bom para descansar as pernas e a mente.
- FritBar: diferente do Brazila, no FritBar você tem toda a muvuca possível do centro histórico, mas por um bom motivo. Todo mundo quer provar das famosas batatas belgas. Eles também oferecem bons hambúrgueres, drinks e cerveja.
- Chocoladehuisje: como o próprio proprietário deste local me alertou, Bruges é famosa por seus chocolates, mas a fama também trouxe uma enchente de lojas que nada têm de locais, vendendo itens produzidos longe dali. Neste local, porém, o proprietário prepara seus produtos em uma cozinha anexa. Tem chocolate de todo tipo de formato, inclusive alguns menos “pudicos”. E as variações de recheios dos bombons são muito saborosas.
- De Garre: aqui eles não servem comida, exceto por alguns petiscos inclusos no valor da cerveja (queijo, azeitona, …). Para amantes da bebida, é um lugar imperdível. Vim também pela arquitetura, já que o local é uma taverna que preserva a atmosfera de vários séculos atrás.
- House of Waffles: embora eu não tenha visitado o local pessoalmente, esta recomendação de um amigo também serve waffles saborosos e merece uma visita.
Toda casa de waffles na Bélgica provavelmente te oferecerá dois tipos de waffle: Liège e Brussel (Bruxelas). O waffle de Liège teria sido criado pelo cozinheiro do príncipe da cidade belga de mesmo nome no século XVIII e é preparado com uma massa que lembra uma massa de cookie, que é prensada no aparelho de preparo e gera um waffle com bordas irregulares, mais crocante e firme. A variação de Bruxelas, por outro lado, tem o formato retangular e é produzida com uma massa líquida, que se expande quando fechada no molde quente. É mais macia e “leve” em textura. Eu, particularmente, prefiro a variação de Liège, embora esta seja mais doce.
Onde se hospedar
Quando visitei Bruges, dormi duas noites na cidade.
Busquei uma opção mais barata, até para gastar mais em comida e atrações. O escolhido foi o ibis Brugge Centrum($), da rede de hotéis acessíveis da Accor.
Ele é super bem localizado e fica a poucos minutos de caminhada da maioria das atrações.
Para quem preza por um pouco mais de conforto e “luxo”, logo em frente tem o Novotel Brugge Centrum($), também da Accor.
Ah! Se você, assim como eu, chegar à Bruxelas à noite de trem e desejar viajar até Bruges somente no dia seguinte, uma boa opção será ficar no ibis Brussels Centre Gare Midi($), um hotel baratinho mas bem honesto ao lado da estação de trem Brussel-Zuid/Midi, onde poderá iniciar sua viagem.
Como chegar à Bruges
A forma mais simples de chegar à cidade é de trem, partindo (entre outras possibilidades) da estação Brussel-Zuid/Midi, em Bruxelas.
O bilhete de trem, na data da minha visita, custou por volta de 35 libras, com ida e volta inclusas. Os bilhetes são válidos para as datas selecionadas e é permitido descer no meio do caminho no mesmo dia e pegar novamente um trem da mesma linha (se você quiser descer na metade do percurso e visitar Ghent, por exemplo), desde que não viaje em uma linha que faça percurso diferente do Bruges-Bruxelas.
Aos fins de semana, as tarifas parecem ser mais baratas.
Eu utilizei o site/aplicativo Trainline, que considero mais simples. Não ganho nada por mencioná-los, mas gosto do serviço por possibilitar a reserva na maioria dos países da Europa. É um site só para ter meus dados para a maioria dos trajetos de trem.
No caso do percurso Bruges-Bruxelas, eles pediam para que imprimisse o bilhete, mas ele não precisa ser “validado” em máquinas das estações. Ele será possivelmente verificado por funcionários no próprio trem (como de fato ocorreu comigo).
Ah! Quando chegar à Bruges, você pode pegar um tram gratuito até o centro da cidade. No meu dia, parecia não estar funcionando, então peguei um ônibus (pago). Você pode comprar o bilhete no próprio terminal ou através do aplicativo De Lijn (Android/iOS). Basta “iniciar” seu bilhete antes da viagem e mostrá-lo ao motorista do ônibus quando entrar.
Parece haver a possibilidade também de comprar o bilhete por aproximação (com cartão) no próprio ônibus, mas não testei. O passe unitário custa 2,50 euros, mas há outros pacotes. Dificilmente você precisará de vários bilhetes, porém, já que o transporte na cidade é bem limitado.
No retorno à Bruxelas, saiba que você pode ir até a estação central (Brussel-Centraal/Bruxelles-Central) com o mesmo bilhete.
Brugge Card: vale a pena?
Se você for visitar muitas das atrações da cidade (como eu), pode ser que valha a pena comprar o Musea Brugge Card, um cartão turístico que oferece acesso a 13 atrações diferentes da cidade por 72 horas, sendo ativado a partir da visita à primeira atração. O preço é de 33 euros, com valor reduzido para jovens adultos ou adolescentes (13-17 anos).
Se você for fazer uma viagem mais longa à Bélgica, há ainda o Museum Pass, que libera o acesso a mais de 220 museus por um ano, ao custo de 59 euros. Pode ser comprado nos pontos de venda físicos ou online.
Para ver estas e outras opções disponíveis, basta acessar o site do Musea Brugge.
O Musea Brugge Card pode ser adquirido online ou na maioria dos museus da cidade. Recomendo que compre online e já reserve os bilhetes gratuitos de todas as atrações que conseguir, pois algumas podem ficar lotadas e não distribuir entradas na hora. O [site do cartão] dá mais detalhes e mostra as atrações que você pode reservar.
No dia da visita, leve o Musea Brugge Card e os bilhetes gerados online em cada atração. Na época que passei por lá, não era necessário imprimi-los.
Dica extra: alguns museus, como a corte de justiça, abrem em dias e horários muito específicos. A página Musea Brugge dá detalhes, mas já saiba de antemão que segunda-feira é o dia quando quase tudo está fechado.
Mapa do tesouro
Conclusão
Bruges é uma cidade lindíssima, talvez até mais interessante do que Bruxelas se você gosta de cidades menores.
Fica a cerca de uma hora de trem a partir da capital belga, sendo uma boa pedida para quem ficará por mais de 3 dias na capital.
Se você tiver um tempo extra, pode também incluir Ghent (ou “Gante”), uma cidade universitária que dizem ser igualmente bonita. Entre as principais atrações, Ghent tem um castelo (reserve com antecedência) e canais. Não visitei esta cidade por falta de tempo.
Eu apresentei a você um roteiro de dois dias, mas muitas pessoas fazem um bate-volta de Bruxelas, o que eu acho que também não é ruim. Dá para visitar muita coisa em apenas um dia por lá!
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