Viagens, vida no exterior e cotidiano.

2 dias em Helsinque - roteiro completo

Viagens28/12/2021

Olá!

Hoje eu gostaria de te apresentar Helsinque, minha primeira experiência em uma cidade do grupo de países nórdicos: Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia; além da área que inclui a Groenlândia, as Ilhas Aland e as Ilhas Faroé.

Antigamente, eu achava que a Fianlândia fazia parte dos chamados países escandinavos, mas estes são oficialmente apenas a Dinamarca, a Suécia e a Noruega.

Apesar disso, tanto a Finlândia quanto os países da Escandinávia possuem um fator em comum: alto Índice de Desenvolvimento Humano, qualidade de vida considerável e, arrisco dizer, um alto custo de vida que é perdoável pelo poder aquisitivo compatível.

Uma das principais vantagens que já percebi mesmo antes da viagem propriamente dita tem a ver com o tamanho da cidade. Embora seja uma capital, as principais atrações podem ser conferidas em dois dias completos, com um dia extra se você quiser fazer as coisas com tempo de sobra e sem pressa.

Primeiro dia

Cheguei à capital finlandesa na noite anterior e fui direto para o hotel, já por volta de meia-noite.

O aeroporto e o transporte até o centro da cidade são modernos e bem funcionais.

Na manhã seguinte, já com minha listinha em mãos, comecei meu dia no café mais próximo do hotel: uma filial do Robert’s Coffee. Por ali, experimentei um cinnamon bun, um tipo de pão doce enrolado super macio, com um gosto no ponto de canela.

Depois do café da manhã, comecei meu caminho pelo mesmo ponto por onde cheguei à cidade, Helsingin päärautatieasema (estação central de Helsinque), um prédio imponente, com quatro figuras enormes com formas humanas na fachada, cada uma com um globo luminoso nas mãos. A torre do relógio também é muito bonita! Sua abertura data de 1919.

"Sob céu nublado, vemos uma grande construção avermelhada, composta de um grande salão de teto azul arqueado ladeado por duas seções de construção, cada uma com duas figuras humanas de pedra, que portam seus respectivos globos iluminados. Ao fundo, uma torre de relógio, também com topo azul."
Estação central de Helsinque (Helsingin päärautatieasema).

Perto dali, outra estrutura que me chamou a atenção foi a Kampin kappeli (Capela de Kamppi), uma pequena construção toda em madeira, em um formato que lembra (com o perdão da simplificação excessiva) um barco ou uma tigela.

"Em um dia chuvoso, temos uma praça bem vazia. Ao centro, uma estrutura em madeira que lembra um barco ou um balde, com uma árvore em frente. Trata-se de uma capela. Ao fundo, temos alguns prédios marrons. O céu está nublado, com nuvens escuras."
Capela do Silêncio (Kampin kappeli), em Helsinque.

Operada pela União Paroquial de Helsinque (das paróquias luteranas) e pelo Departamento de Serviço Social da capital, ela é também conhecida como Capela do Silêncio, já que é um espaço que busca trazer paz para qualquer um que passar pelo centro agitado da cidade. Sendo um local ecumênico, todos os credos são bem recebidos ali.

Arrisco dizer, aliás, que é um dos lugares que me trouxeram mais paz em toda a cidade, tanto pela arquitetura de formas orgânicas quanto pelo tratamento acústico fora de série.

Saindo um pouco do centro da cidade, mas ainda a uma curta caminhada de distância, visitei o Suomen kansallismuseo (Museu Nacional da Finlândia), localizado em um prédio aberto ao público em 1916. A entrada custou 14 euros (15, em 2022).

Indo da Idade da Pedra até o século XX, a instituição reúne artefatos e relatos históricos que ajudam a construir uma narrativa bem completa da ocupação de um território tão ao Norte como este, além de descrever vários períodos, seja pela disputa do território entre suecos e russos, o amor por saunas ou mesmo a construção do país desenvolvido de hoje.

Por lá, fiz uma parada rápida no café e experimentei uma espécie de quiche de salmão defumado que, mesmo não sendo meu tipo de comida, era muito bem feita e saborosa.

Saindo do museu, aproveitei para conhecer a Temppeliaukion kirkko, uma igreja interessantíssima, aberta em 1969. Basicamente, é uma igreja luterana construída/esculpida em rocha, com teto com partes de bronze e vidro.

A arquitetura do local é de tirar o fôlego. Vale entrar, conferir cada cantinho e descansar um pouco em seu interior. O bilhete custa 4 euros.

"Estamos no interior de uma igreja luterana. Em primeiro plano, fileiras de bancos de igreja rosas e azuis. Ao fundo, um órgão (instrumento musical) dourado, parede de pedra e um piano. O teto é de estrutura que mistura metal e vidro, com o topo central de cobre."
Temppeliaukion kirkko, em Helsinque.

Abandonando temporariamente o centro de Helsinki, decidi fazer uma caminhada pela orla da cidade, muito utilizada pelos cidadãos no verão.

Comecei a caminhada pela praia de Hietaranta (ou Hietaniemen uimaranta), praia bastante frequentada nos meses menos frios.

Seguindo adiante, parei então no Café Regatta, que funciona em uma pequenina casinha, que serve um pão de canela maravilhoso (peça por cinammon bun que eles entenderão).

"Em primeiro plano, um conjunto de vasos com flores e uma bicicleta vermelha. Logo atrás, uma pequena casinha vermelha, local de atendimento do Café Regatta. Ao fundo, uma espécie de marina com alguns barcos."
A casinha central do Café Regatta, em Helsinque.

Eles também servem alguns itens com carne, além de café filtrado e outras bebidas. Vale muito a visita, mas fique atento aos passarinhos! Ao menor descuido, eles tiram um naco da sua refeição.

Logo nas redondezas, conferi também o Sibeliuksen puisto, parque que abriga o Sibelius-monumentti, monumento metálico feito por tubos em sequência, que seguem um formato de ondas e lembram um órgão (como os das igrejas). Há ainda uma outra sessão que apresenta o rosto de Sibelius encrustado na rocha. O monumento homenageia Jean Sibelius, considerado o maior compositor finlandês.

Saindo do parque, peguei o ônibus até a região de Puu-Vallila / Trä-Vallgård, um bairro conhecido por suas charmosas e coloridas casinhas de madeira, com algumas tendo sido construílas pelos idos de 1910.

"Vista a partir de uma esquina, temos várias casas de madeira em sequência. A primeira é verde e a segunda, vermelha. As casas possuem dois andares, com janelas grandes."
Uma das ruas de Puu-Vallila, em Helsinque, vizinhança famosa por suas casas de madeira.

Razoavelmente próximo, dei uma passadinha também pelo Linnanmäki, parque de diversões muito simpático, focado especialmente em atrações mais agitadas.

Aqui, vale uma dica importante: fui informado de que a entrada seria gratuita, então comprei o bilhete já incluindo uma atração, mas outro funcionário me alertou mais tarde de que naquela época, quando estavam acontecendo algumas intervenções artísticas de Halloween, a entrada era, na verdade, cobrada. Acabei tendo que pagar por outro bilhete para testar um dos brinquedos. Vale checar bem com eles antes de adquirir um ingresso.

Para terminar a noite, fui de fast food na Hesburger, rede baseada na Finlândia que é hoje mais forte por lá do que McDonald’s, por exemplo.

Segundo dia

Para começar o segundo dia com energia, me dirigi ao Café Aalto, localizado na Akateeminen Kirjakauppa, uma livraria acadêmica. O prédio onde a livraria e o café estão localizados foi projetado por Alvar Aalto, um arquiteto e designer finlandês, que emprestou seu sobrenome ao estabelecimento.

O menu por ali é bem interessante e a atmosfera da livraria é agradável. Quando pesquisei por cafés nas proximidades, este era um dos que possuíam as melhores avaliações.

Com o cafezinho do dia tomado, segui para a primeira atração do dia: Design Museum (ou Designmuseo), o Museu do Design de Helsinque.

Dedicado ao design de forma geral, este museu me pegou principalmente nas peças de decoracão e nos itens de mobília em estilo minimalista e/ou escandinavo, que eu gosto bastante.

O acervo é razoavelmente grande e vale visitar com calma, mas o passeio não demora muito. A entrada custa 12 euros (adultos).

Vale, aliás, conferir a vizinhança do museu (Design District). Por ali, há diversos edifícios com estilo interessante, além de cafés e galerias.

Próximo dali, conferi também o Esplanadin puisto, um parque/praça bem no centro da cidade, muito frequentado pelos cidadãos locais.

Logo no extremo leste deste parque, você poderá conferir um dos ícones da cidade: Havis Amanda. Basicamente, é uma sereia saindo da água, com quatro peixes logo abaixo.

É considerada a estátua mais famosa da cidade e muitos encontros e eventos acontecem ao seu redor.

Depois da musa finlandesa, temos a Market Square, praça com diversas barracas com frutas, legumes, iguarias, produtos de artesanato e souvenirs.

"Em uma praça coberta de paralelepípedos, uma barraca verde exibe frutos, molhos e cogumelos de diferentes tons, majoritariamente de vermelho e amarelo."
Algumas das iguarias locais em uma das barraquinhas da Market Square, em Helsinque.

Logo ao lado, sendo provavelmente a razão para o nome da praça, temos o Vanha Kauppahalli, uma espécie de “mercado municipal”, com pequenos restaurantes, cafés e lojas de produtos típicos, como salmão defumado, carne de urso e outras iguarias.

Subindo um pouco, passei pela Aleksanterinkatu, rua histórica da cidade, localizada na região mais comercial da capital finlandesa. Esta via carrega em seu nome uma homenagem ao Imperador Alexandre I da Rússia, que foi Grão-Duque da Finlândia.

Um dos pontos altos da via está na sua arquitetura, mas há também lojas muito interessantes, como a unidade da Marimekko (famosa marca finlandesa de roupas e artigos para casa) e Lokal, uma galeria de arte com produtos de decoração e peças de design em geral.

Perto dali, fui conferir a Senaatintori (Praça do Senado), um local simples, mas que é palco para muitos eventos culturais. No centro desta área, há um imponente monumento de Imperador Alexandre II da Rússia, outro importante Grão-Duque Finlandês.

Em um dos lados da praça, pode-se ver também a Catedral de Helsinque (Helsingin tuomiokirkko), construída em estilo neoclássico e completada em 1852.

"No topo de uma escadaria bem larga, uma enorme catedral branca, com colunas em uma de suas fachadas. As abóbadas são azuis, com ornamentos dourados no topo."
Helsingin tuomiokirkko (Catedral de Helsinque).

Embora seja linda por fora, devo confessar que seu interior é bastante simples. A entrada é gratuita, com contribuições voluntárias “encorajadas”. Se estiver com pouco tempo, veja seu exterior e considere-a visitada.

Ainda nas proximidades, resolvi visitar outra catedral: Uspenskin katedraali (Catedral de Uspenski), da Igreja Ortodoxa. Consagrada em 1868, foi construída em estilo neorusso, com riqueza de detalhes.

Infelizmente, o templo estava provisoriamente fechado para reparos, o que fez com que eu pudesse conhecer apenas sua parte externa. Para quem tiver a oportunidade, porém, recomendo a visita. As avaliações de quem conseguiu entrar na catedral são bastante positivas.

Segui caminhando, então, até Katajanokka / Skatudden, bairro muito famoso por seus edifícios em estilo Art Noveau. Há três ruas principais neste bairro, que abrigam mais imóveis com este estilo: Kauppiaankatu, Luotsikatu e Vyökatu.

Saindo desta região, voltei para a rua que é considerada uma das principais ruas de compras de Helsinque: Mannerheimintie. Por ali, pode-se encontrar alguns dos ícones do estilo escandinavo, como IKEA, Marimekko e várias outras marcas, além dos destaques internacionais que toda capital tem.

Para fechar a minha última noite na cidade com chave de ouro, escolhi o Viikinkiravintola Harald, um restaurante com temática viking que serve uma série de pratos típicos, além de cidras e cervejas de ótima qualidade. O ambiente é bem agradável, apesar do preço “padrão” Helsinque (meio salgado).

Extra: dia da volta

No dia seguinte, eu tinha poucas horas restantes, por isso decidi focar em um café bem famoso da cidade para tomar um café da manhã reforçado antes da minha volta.

Para isso, pesquisei novamente as redondezas do hotel onde me hospedei e peguei um dos mais famosos e melhor avaliados: Café Esplanad.

Experimentei novamente o pão de canela, além de uma sobremesa com cobertura de frutas silvestres.

O lugar tem uma aura bem de café local, com famílias e pessoas idosas, além de uma generosa fila na porta no horário da minha visita.

Extras: o que não consegui visitar

Como de costume, incluí no mapa alguns locais que não consegui visitar, seja por falta de tempo, por conta da pandemia ou por qualquer outro fator fora do meu controle.

  • Biblioteca Nacional da Finlândia (Kansalliskirjasto): além do maior acervo de livros do país, este prédio possui afrescos e murais lindíssimos.
  • Hakaniemi Market Hall (Hakaniemen kauppahalli): outra alternativa de mercado municipal, com comida típica. Um pouco mais afastado do centro.
  • Fortaleza de Suomenlinna: conjunto de sete ilhas onde uma fortaleza foi construída, por volta de 1750, por ordem da coroa sueca, que controlava o território naquela época. Ela hoje abriga vários museus, cafés e outros estabelecimentos similares. O acesso às ilhas é feito via ferry.
  • Seurasaari (museu aberto): um museu que se espalha por toda uma ilha, com casas típicas de diferentes áreas do país. No verão, quando está aberto, há guias orientando os visitantes pelas construções e modo de viver dos finlandeses nos últimos séculos. Acesso também via ferry.
  • Restaurante Savotta: restaurante típico com atmosfera tranquila e amigável.
  • Ravintola Kolme Kruunua: restaurante típico finlandês com ambiente agradável.

Onde se hospedar

Para minha estadia em Helsinque, procurei por um hotel com preço razoável, confortável e bem localizado.

Acabei optando pelo Klaus K Hotel e não me arrependo. Ele fica bem no centro da cidade e tem uma equipe muito simpática de atendimento.

Como se movimentar por Helsinque

Mover-se por Helsinque é bem simples e razoavelmente barato.

Seja para bilhetes individuais ou para o passe de 24 horas, você pode adquirir a versão em papel na estação central, nas máquinas de bilhetes ou a alternativa digital pelo próprio aplicativo oficial.

Eu utilizei o aplicativo para meu passe diário e creio que seja a opção mais prática, desde que você cuide para que a bateria do seu celular não acabe (leve um power bank contigo!).

O transporte público local é dividido em quatro zonas (A/B/C/D), começando do centro da capital. Ele engloba tram, trem, metrô, ônibus e ferry.

Se você for se mover entre o aeroporto e o centro da cidade, por exemplo, lembre-se de adquirir um passe do tipo ABC.

Se tiver dúvida, utilize o planejador de rotas do aplicativo ou do próprio site da entidade de transportes.

Mapa do tesouro

Abaixo, você confere um mapa completo do roteiro.

A camada “roteiro básico tem os destinos que visitei, divididos em duas cores.

Até a próxima! :)


Imagem de destaque:
Catedral de Uspenski, em Helsinque.
© 2022. Un caffè per due. Feito com Gatsby