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Dois anos no exterior: preparações e a experiência de viver em Portugal e no Reino Unido

Reflexões26/04/2020

Hoje eu gostaria de fazer uma reflexão contigo…

Há exatos dois anos da data de hoje, eu aterrissava no aeroporto de Lisboa, ainda de madrugada.

A aventura, claro, começou antes, com a notícia de que eu havia passado no processo seletivo para uma empresa de consultoria em desenvolvimento de software em Portugal.

Após avaliar as ofertas às quais me submeti e fui aprovado no Brasil e em Portugal, decidi seguir o objetivo de morar um tempo no exterior e seguir rumo à Lisboa.

Minha intenção desde que visitei a Itália em 2017 era clara: vir passar um tempo no continente europeu (originalmente, na Itália) e aprender um pouco sobre novas culturas, ver novos pontos de vista na minha área profissional e viajar um pouco.

Pouco antes do aceite, fui a Minas Gerais e conversei com meus pais. A ficha ainda não havia caído, então tudo que eu vivia estava meio “em suspenso”, sem que eu percebesse o tamanho da mudança.

Voltando de Minas, aceitei formalmente a proposta, assinei o contrato e, em menos de um mês, vendi tudo de dentro de casa, preparei algumas questões burocráticas, recebi minha família para uma última despedida e cheguei, enfim, ao último dia no Brasil.

Nunca senti um aperto tão grande no estômago!

Ao me despedir de cada um deles, choro de um lado e do outro dos abraços. Aquela dorzinha complicada da despedida sem tempo definido de retorno insistia em doer.

Entrei no carro da Uber com duas malas e mais uma bolsa menor e segui rumo ao aeroporto, chorando durante todo o percurso.

Dica

Procurando emprego no exterior? Leia antes: o que avaliar antes de aceitar uma oferta

Período em Lisboa/Portugal

Jardim da Praça do Império - Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.
Jardim da Praça do Império - Lisboa. Foto de Adriano Donato Couto.

O acordo inicial ao ser contratado pela empresa era de permanecer em Portugal por pouco tempo, mas o projeto nos clientes da Alemanha não se concretizou e acabei passando sete meses no país.

O povo português compartilha com os brasileiros muito mais do que a língua! Nossas culinárias possuem coisas em comum, a abertura às novas amizades está também nas terras lusitanas e alguns traços culturais são muito próximos.

Diferente de nós, talvez uma das primeiras coisas que chama a atenção seja a sinceridade extrema da maioria dos portugueses.

No Brasil, é comum que sejamos ponderados quando damos opinião para alguém, evitando que a pessoa se magoe.

Em Portugal, a comunicação é bem mais direta. Não é grosseria ou falta de educação, mas um filtro menor mesmo. Se eles te acham um “parvo”, é parvo que eles dirão.

Curiosidades

Não entendeu? Eu lancei uma lista de palavras típicas portuguesas e o perigo de dizer algumas palavras comuns do Brasil em Portugal. Confira nossa série do Dicionário Portugal-Brasil!

A diferença é que eles dizem as coisas em um português mais clássico, com formações gramaticais que já não se usam mais no Brasil. Mesmo que te ofendam, soa até simpático. 😃

Além do já citado, o clima ensolarado do país, a atmosfera agitada de Lisboa e o charme do rio Tejo são atrativos à parte. Difícil não gostar de lá!

Um dos fatores que diminuem a atratividade do país é a questão financeira. O custo de vida em Lisboa é, de forma geral, baixo, mas o preço dos aluguéis é extremamente alto e os salários não acompanham a tendência.

Diante disso, e com a ida para a Alemanha pela empresa sem definição (o salário durante o período alocado no outro país seria dobrado), comecei a procurar por outras oportunidades e o Reino Unido despontou como uma das opções.

Período em Londres/Inglaterra/Reino Unido

Primrose Hill - vista de Londres
Primrose Hill - vista de Londres

Ao chegar no Reino Unido, o primeiro desafio foi encontrar um local para morar.

Saindo dos hotéis e AirBnbs de baixo custo, me fixei no Norte de Londres, a uma distância curta do trabalho e não muito longe das principais atrações da cidade.

A adaptação não foi completamente tranquila e Londres não é perfeita, como se pode esperar de qualquer outra metrópole no mundo, mas gosto muito daqui.

O aluguel é bem caro, o transporte é, muitas vezes, superlotado e o povo é mais “frio”, mas os pontos positivos conseguem compensar tudo isso. Os salários, por exemplo, costumam acompanhar um pouco melhor o custo de vida caro daqui.

A empresa onde trabalho, como muitas da capital britânica, é multiétnica, ou seja, há pessoas de todas as partes do mundo, em uma troca cultural e de experiências bastante positiva.

A maioria das amizades de trabalho que fiz foi com imigrantes, já que são pessoas que estão vivenciando o mesmo tipo de situação: adaptação a um novo país, saudades de casa, etc.

O cidadão inglês é, na maioria das vezes, bastante reservado. São também geralmente muito educados, mais formais, diplomáticos na forma de dar opiniões e muito comedidos quando devem apontar algum problema.

São ainda super pontuais e fugir deste hábito é considerado uma falta de respeito importante.

Entre Londres e o restante do país, vale ressaltar, há um espaço muito grande. Como muitos dizem, “Londres não é Reino Unido”.

Não é um fator de desmerecimento, mas uma afirmação quase óbvia diante de uma cidade com presença forte de imigrantes como Londres. A atmosfera daqui é muito mais multicultural, agitada e em alguns momentos conflituosa, do que no restante do país.

Saindo um pouco da capital, as casas mais típicas já se destacam, a paisagem se altera e o clima é muito diferente.

E daqui pra frente?

Aqui, estou sentado ao lado de uma estátua de Fenando Pessoa, em frente ao Café A brasileira, em Lisboa.
Aqui, estou sentado ao lado de uma estátua de Fenando Pessoa, em frente ao Café A brasileira, em Lisboa.

Quando me mudei para fora do Brasil, vim com a ideia de que ficaria no exterior por apenas alguns anos e depois retornaria.

Diferente de alguns conhecidos, não saí do país após algum trauma, como alguma ocorrência grave de violência ou instabilidade financeira.

Meu objetivo principal, desde sempre, foi o de absorver ao máximo as experiências daqui e, até quando fizer sentido, viver esta fase tão rica em aprendizado.

Hoje, minha mentalidade é outra. Ainda não me vejo longe do Brasil para sempre, mas também não tenho data de retorno marcada. Enquanto fizer sentido, cá estou!

A certeza hoje é que não sou mais o mesmo de dois anos atrás. Os objetivos mudaram, as prioridades são outras e um monte de experiências novas me fizeram questionar muitas das coisas que antes eu considerava verdades quase absolutas.

Que os próximos anos venham! E que com eles a gente continue conversando aqui pelo blog!

Arrivederci! 🙂


Imagem de destaque:
Sobrevoando Lisboa para aterrissagem. Foto por Adriano Donato Couto.
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